Ascend: “Petróleo barato não deve motivar companhias a manter aeronaves mais antigas”

Joe Parks

Muitos dos leitores do Portal Aeroflap perguntam a nossa equipe se a aviação ainda deve ter seu futuro em aviões novos. Esta dúvida surge ao mesmo tempo que muitas companhias aposentam aviões menos eficientes, e adiam ou cancelam a entrega de aviões de nova geração.

Como resultado, boa parte das companhias continuam com os mesmos aviões, e devem receber aeronaves de nova geração após 2023, ou em ritmo lento até 2023. Mas isso significa que elas não devem apostar em aviões mais eficientes?

Vamos conferir abaixo.

Uma pesquisa recente da Ascend, um braço de consultoria da Cirium, apontou que muitas empresas devem antecipar a aposentadoria de aeronaves de quatro motores a jato. Este movimento estamos acompanhando a algum tempo, mas no campo do transporte de passageiros, este se acelerou durante a pandemia.

“Os jatos de motor grande com quatro motores” provavelmente sofrerão o impacto da crise, diz Ascend pelo chefe global de consultoria da Cirium, Rob Morris. “O Boeing 747 de passageiros provavelmente está no final de sua linha. O [Airbus] A340-600 também está ameaçado.”

O principal exemplo da Ascend engloba o Airbus A380, que está bastante ameaçado, e várias companhias como a Lufthansa e a Air France já aposentaram as suas aeronaves deste modelo.

No meio da crise a American Airlines definiu o fim do 767 na sua frota. No lugar entra o 787 e o Airbus A321neo. Foto: Gabriel Melo

George Dimitroff, chefe de avaliações da Ascend, disse que as aeronaves de corredor duplo de meia-idade como o A330, 767 e 777 Classic também estão “provavelmente mais ameaçadas, porque, à medida que o tráfego retorna, vemos os aviões de corredores únicos retornando aos voos primeiro, seguidos pelos corredores duplos”.


Portanto temos uma conclusão que os aviões mais afetados devem ser os antigos widebody, de duplo corredor. Em seguida, os antigos aviões narrowbody como o 737 Classic devem ter a sua aposentadoria acelerada, assim como os mais antigos Airbus A320, fabricados no início do século e na década de 1990, que serão retirados das frotas inicialmente para diminuir o tamanho das companhias aéreas, e em dois a três anos serão substituídos pelos novos A320neo, ou o 737 MAX.

“Se as companhias aéreas podem obter financiamento com juros historicamente baixos… então elas têm a oportunidade de se prepararem para o futuro agora, se puderem adquirir aeronaves de nova tecnologia e com economia de combustível a um preço baixo o suficiente, porque todos os valores estão caindo [como resultado da pandemia ]”, disse Morris.

O Airbus A320 é um avião que aparece de forma recorrente nos aeroportos, mas alguns tem mais de duas décadas de uso. Este da foto opera na Lufthansa, tem 30 anos de idade e foi estocado em abril.

Na opinião da equipe do Portal Aeroflap, e com base em análises de mercado, a maior parte dos aviões narrowbody como citados acima, com cerca de 20 anos de uso, estão fora de esquemas de leasing, o que facilita a aposentadoria desses aviões pelas companhias aéreas, que reiniciam as suas operações com aeronaves mais modernas. Os aviões velhos, por sua vez, retornam à companhia em forma de dinheiro, após o desmonte e reaproveitamento de peças para os aviões que continuam em atividade.

O mais importante de tudo é que, independente do preço do petróleo, mesmo assim as companhias aéreas devem renovar os seus aviões.

Ambos os analistas da Ascend acreditam que as companhias aéreas devem resistir à tentação de tirar proveito da atual situação do petróleo barato. Ou seja, mesmo assim haverá uma resistência em retornar aviões mais antigos aos voos, que devem começar com aeronaves mais eficientes em consumo e para a demanda disponível no momento.

“Não sabemos quanto tempo o preço baixo do petróleo permanecerá tão baixo”, diz Dimitroff. Ele acredita que qualquer influência do petróleo barato na estratégia das companhias aéreas é uma anomalia no momento: “Muitas companhias aéreas e não se beneficiam dos preços do petróleo no momento”.

 

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