Foto - Paul Gordon/Boeing

O acidente com o Boeing 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines neste domingo (10/03), levantou algumas questões sobre a própria aeronave e o acidente anterior, com o 737 MAX 8 da Lion Air.

O acidente da 737 MAX 8 da Lion Air já teve seu relatório preliminar divulgado, mas resultou em uma rápida ação da fabricante da aeronave, que começou a trabalhar em uma atualização de software para corrigir um problema de pilotagem relacionado ao trim da aeronave.

Desde novembro a Boeing vem trabalhando nessa atualização, que deveria ser lançada em fevereiro, mas a certificação por parte da FAA (Federal Aviation Administration) atrasou, por conta da greve nos Estados Unidos pela falta de aprovação do orçamento.

A nova atualização seria para emitir um alerta sonoro quando o piloto está tentando realizar comandos com algum sistema automático ativado, como o presente no trim, que atua mesmo com o Auto Pilot desligado. Vale ressaltar que já existe um alarme de desacoplamento do Auto Pilot.

A nova atualização também impede que o sistema de controle do avião tenha autoridade em relação aos comandos dos pilotos, dependendo da ocasião.

Com essa atualização, o Boeing 737 MAX pode ter um comportamento bastante similar ao 737 NG, onde o computador de voo que auxilia na pilotagem é totalmente desativado caso os pilotos desliguem o piloto automático, e dados de só um sensor são desconsiderados no software da aeronave, que passará a fazer uma análise de dados de mais sensores.

No caso do A320neo, fabricado pela Airbus e maior concorrente do 737 MAX, um sistema automático ainda limita as ações dos pilotos, mesmo com o Auto Pilot desligado, ele faz parte do Fly By Wire da aeronave e podemos dizer que é uma filosofia de operação da empresa, que já acumula cerca de 8000 entregas de aviões deste modelo. Além disso, as aeronaves A330, A340, A350 e A380, todas fabricadas pela Airbus, trabalham com esse modelo de proteções por envelope de voo, no sistema Fly By Wire, que não permite situações perigosas a partir dos pilotos, como um estol por ângulo de ataque.


Esse sistema Fly By Wire da Airbus tem seus envelopes desativados progressivamente, assim que o computador perde os dados dos sensores. Isso permitiu, por exemplo, que no voo 447 da Air France, o piloto realizasse um comando errado, levando ao estol da aeronave por ângulo de ataque.

 

Recomendações da Boeing

Cockpit do 737 MAX 8. Foto – Boeing/Leo Dejillas

Antes mesmo da emissão do relatório preliminar, a Boeing em conjunto com a FAA soltou uma nota sobre a recomendação aos pilotos do novo Sistema de Aumento de Características de Manobra (MCAS), incorporado no Boeing 737 MAX.

A Boeing disse que colocou esse sistema automático pois o 737 MAX ficou mais propenso à problemas relacionados ao estol (perda de sustentação) em alto ângulo de ataque devido aos novos motores com maior carenagem e tamanho, além das alterações nas asas.

O sistema tem uma característica de evitar que a aeronave entre em uma condição de estol, que é quando o avião perde a sustentação das asas.

A nota oficial da Boeing explica como o sistema funciona, e qual a reação ele causa na aeronave. Devido ao erro no sensor, que resultou em uma confusão de comandos no acidente, a Boeing também disse no documento como os pilotos devem agir para desacoplar o autocompensador do trim e retomar o controle do voo, independente de qualquer erro que esteja acontecendo.

A Boeing não exigiu um treinamento prático para os pilotos se habituarem com o sistema de autocompensador existente no 737 MAX, e que não tinha na geração anterior, o 737 NG. Apesar disso, as instruções sobre sistema de desacoplamento do autocompensador estavam no material teórico e nas guias de emergência que ficam junto com o manual da aeronave no cockpit.

O relatório PRELIMINAR não indica se os pilotos do acidente da Lion Air tentaram em algum momento desativar o sistema automático de correção, que interveem mesmo com o piloto automático desligado. No voo anterior, que também teve o mesmo problema, a tripulação relatou que o manual de soluções de problemas em voo foi consultado e o autocompensador foi desacoplado, desta forma o comandante conseguiu seguir com o curto voo de quase uma hora até o destino.

 

Nota do editor – Com todos os pilotos que conversei sobre o 737 MAX 8, todos afirmaram que a aeronave é muito dócil de operar, e que não aponta problemas durante o voo. Os motores CFM Leap-1A oferecem um grande empuxo para o avião, apresentando uma boa diferença de desempenho entre esta aeronave e o 737 NG.

Este texto é para amenizar os ditos “rumores de WhatsApp”, onde encontrei a pior parte da aviação depois desse acidente.

De qualquer forma vamos ter que aguardar uma investigação inicial deste acidente, que pode trazer diversos esclarecimentos sobre a aeronave e o que ocorreu durante o voo.