Shenyang J-16 China Flares
Caça Shenyang J-16 da China disparando flares. Foto: PLAAF.

Nos últimos dias, os governos da Austrália e Canadá publicaram notas oficiais denunciando interceptações inseguras realizadas por aviões da Força Aérea Chinesa. De acordo com as publicações, caças chineses executaram manobras perigosas contra aeronaves de patrulha australianas e canadenses. 

A denúncia mais recente vem da Austrália. No último domingo (05), o Ministério da Defesa daquele país emitiu nota expressando preocupações sobre um incidente do dia 26/05.

Na ocasião, um jato de patrulha marítima P-8 Poseidon (uma versão militar especializada do Boeing 737) foi acompanhado por um J-16 da China, onde “a interceptação resultou em uma manobra perigosa que representou uma ameaça à segurança da aeronave P-8 e sua tripulação.”

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P-8 Poseidon da Força Aérea Real Australiana armado com mísseis antinavio AGM-84 Harpoon. Foto: Boeing.

De acordo com uma reportagem do canal australiano 9News, o caça J-16 da PLAAF (Força Aérea do Exército de Libertação Popular) disparou chaffs e flares perto do P-8 australiano.

Parte da nuvem de chaffs – pequenos pedaços metálicos usados para confundir mísseis guiados por radar – acabou sendo engolida por um dos motores CFM56 do avião australiano, um enorme risco para a tripulação e sua própria aeronave. 

“O J-16 acelerou e atravessou o nariz do P-8, parando na frente do P-8 a uma distância muito próxima. Naquele momento, liberou os chaffs, que contém pequenos pedaços de alumínio, alguns dos quais foram ingeridos pelo motor da aeronave P-8.Obviamente, isso é muito perigoso”, relatou o ministro da defesa Richard Marles. 
 
China J-16 Taiwan
Caças Shenyang J-16 da Força Aérea Chinesa.
Quatro dias antes da denúncia australiana, o Departamento de Defesa Nacional do Canadá reclamou que uma de suas aeronaves CP-140 Aurora (P-3C Crion) foi assediada por aviões chineses.
 
O antigo turboélice de patrulha marítima da RCAF (Força Aérea Real Canadense) estava voando no espaço aéreo internacional em apoio a uma missão sancionada pela ONU para aplicar as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra a Coreia do Norte.
 
Conforme a nota, “as aeronaves da PLAAF não aderiram às normas internacionais de segurança aérea.”
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CP-140 Aurora da RCAF voa na ala de um P-8A australiano. Foto: Cpl Craig Barrett.
 
“Essas interações não são profissionais e/ou colocam em risco a segurança de nosso pessoal da RCAF Em alguns casos, a tripulação da RCAF sentiu-se suficientemente em risco para modificar rapidamente sua própria trajetória de voo para aumentar a separação e evitar uma possível colisão com a aeronave interceptadora.”
 
 

Os CP-140 foram deslocados para a Base Aérea de Kadena, no Japão, em 26 de abril, como parte da Operação NEON, a contribuição do Canadá para um esforço multinacional para apoiar a implementação das sanções do Conselho de Segurança da ONU impostas contra a Coreia do Norte.

CP-140 P-3 CANADÁ
Foto: Filterkaffee (CC BY-SA 4.0)

Essas sanções, impostas entre 2006 e 2017, visam pressionar a Coreia do Norte a abandonar seus programas de armas de destruição em massa e responder aos testes de armas nucleares norte-coreanas e lançamentos de mísseis balísticos.

As interceptações inseguras por parte da PLAAF geram reclamações e denúncias formais há anos. Em abril de 2001, um caça Shenyang J-8II colidiu contra um avião de inteligência EP-3E da Marinha dos EUA. 

O J-8 de matrícula 81192 que colidiu contra o EP-3 da Marinha dos EUA. Foto via Wikimedia.

O jato chinês e seu piloto caíram e desapareceram nas águas do Mar da China Meridional. O avião norte-americano fez um pouso de emergência na Ilha de Hainan e seus 24 tripulantes foram capturados e interrogados pelos militares chineses, sendo posteriormente liberados. O avião foi devolvido completamente desmontado meses depois do acidente.