Emirates
Foto: Emirates

No último dia 20 de dezembro um Boeing 777-300ER da Emirates, de matrícula A6-EQI, registrou um grave incidente enquanto estava decolando de Dubai para Washington Dulles, cumprindo o voo EK-231.

A aeronave estava decolando normalmente a partir da cabeceira 30R, no entanto, após o comando de “rotate” da aeronave, a mesma se recusou a ganhar altitude, enquanto mesmo assim aumentava a velocidade, superando há poucos pés do chão 262 nós, acima do recomendando de 250 nós em operações abaixo de 10000 pés.

De acordo com dados coletados pela investigação, o grande Boeing 777 ganhou seus primeiros centímetros de altitude quando estava sobrevoando a área de segurança da pista localizada após a cabeceira oposta, muito aquém do desempenho padrão de decolagem para uma aeronave desse porte.

O 777 sobrevoou casas residenciais que ficam logo após a cabeceira a uma altitude de aproximadamente 30 metros de distância vertical, muito pouco para essa situação, o que já considera este incidente como gravíssimo.

Apesar dos problemas no início do voo, onde os quatro pilotos estavam cientes da situação, o Boeing 777 seguiu até Washington, e realizou sem problemas o voo de retorno, EK-232, pousando novamente em Dubai algumas horas depois.

 

Qual a justificativa para um incidente deste porte com uma aeronave tão segura?

Na aviação nenhum incidente ou acidente “passa” em branco, todos são investigados e minuciosamente destrinchados, antes das companhias e fabricantes alertarem sobre possíveis problemas.

Após a ocorrência, a Emirates iniciou rapidamente uma investigação interna, que foi solucionada em poucas horas. Os pilotos, por sua vez, receberam no último dia 27 de dezembro um comunicado para alertar de possíveis problemas a bordo se não realizassem determinados procedimentos.

Todo o problema está concentrado no altímetro da aeronave, não especificamente na peça, mas em como ela foi operada.

A tripulação que operou o voo anterior com a aeronave ajustou a altitude para zero no sistema diretor de voo (que controla o piloto automático). Este é um procedimento padrão e os tripulantes do voo posterior deveriam checar o altímetro, para definir a altitude como 4000 pés antes da decolagem, procedimento padrão para a decolagem.

Durante a decolagem, o piloto em comando seguiu os comandos do computador de bordo, que no momento mostrava uma altitude de zero pés. A inserção de dados errados no computador de uma aeronave pode alterar o seu comportamento, visto que o Boeing 777 é dotado de modernos computadores Fly-By-Wire, que controlam as superfícies aerodinâmicas e os motores.

Apesar dos quatro pilotos no cockpit, nenhum deles notou a velocidade acima de 200 nós enquanto a aeronave estava se deslocando ganhando apenas ganhando velocidade horizontal (e não vertical), uma condição incomum. E também continuaram comandando a aeronave sem interferir nos padrões do computador.

Para agravar, os tripulantes não retornaram ao aeroporto para a verificação de possíveis danos, devido ao excesso de velocidade em baixa altitude, e decidiram seguir para Washington.

De acordo com informações do The Aviation Herald, o incidente está sendo investigado pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) neste momento. Os dois pilotos que comandavam o avião foram suspensos temporariamente das suas funções e a aeronave sofreu danos, possivelmente por tail strike.

Em seu comunicado, a Emirates praticamente diz aos pilotos para não zerarem a altitude padrão durante a aproximação, por medo de que a próxima tripulação não mude isso.

 

Via: The Aviation Herald

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