(Reuters) – O presidente-executivo da companhia aérea Azul, John Rodgerson, acusou nesta quinta-feira as rivais Gol e Latam de agirem para evitar a concorrência na ponte aérea São Paulo-Rio de Janeiro, em meio à disputa pela Avianca Brasil, que está em recuperação judicial.

“É uma pena o que os nossos concorrentes estão fazendo, tentando evitar a concorrência na ponte aérea partindo de Congonhas, porque quem vai sair perdendo é o consumidor”, disse Rodgerson a jornalistas.

No começo deste mês, GOL e LATAM Brasil, ofertaram pelo menos 70 milhões de dólares cada por alguns ativos da Avianca Brasil, num acordo aprovado por credores da companhia.

Isso depois de a Azul, em março, ter fechado acordo não vinculante de 105 milhões de dólares para compra de ativos da Avianca Brasil, incluindo slots em aeroportos e contratos de leasing de aviões da rival.

“Nossa oferta não existe mais”, disse Rodgerson no Palácio dos Bandeirantes, logo após o anúncio da operação de novas rotas nas cidades paulistas de Araraquara e de Guarujá.

Anteriormente a Azul tinha emprestado quase 50 milhões para manter as operações da Avianca Brasil. Foi o maior montante entre todas as companhias aéreas.

Aeronave da Avianca em Congonhas. Foto – Pedro Viana/Aeroflap

Os ativos incluem principalmente 70 pares de slots – nome da licença que uma companhia aérea recebe para poder decolar e pousar num aeroporto -, sendo 20 deles em Congonhas. Na prática, isso permitiria que a Azul operasse a ponte Rio-São Paulo, uma das rotas aéreas mais cobiçadas do mundo.

Atualmente, Gol e Latam detêm juntas quase 90 por cento dos slots de Congonhas em dias úteis. A compra dos slots da Avianca permitiria à Azul mais do que dobrar sua fatia no terminal. Isso porque a Avianca tem 7 por cento das licenças de Congonhas (21, ao todo) e a Azul, 5 por cento, mas nenhuma na ponte aérea.

Se perder mesmo a disputa pela Avianca Brasil, a Azul não deve ter impacto significativo no desempenho operacional em 2019, disse Rodgerson.

Às 15h47, a ação da Azul tinha valorização de 7,3 por cento, enquanto a da Gol disparava 9,95 por cento. O Ibovespa avançava 1,85 por cento. Em Santiago, as ações da Latam tinham baixa de 0,2 por cento.