Azul fala em adiar mais encomendas e flexibilidade para o futuro

Foto - Azul/Divulgação

A Azul Linhas Aéreas, durante uma teleconferência com imprensa e investidores nesta quinta-feira (14/05), após um anúncio de resultados financeiros dos 1T20 (Clique Aqui para ver), declarou através dos seus diretores que precisará de flexibilidade para enfrentar o atual momento.

A companhia disse que está preparando uma série de cenários para gerenciar a crise do coronavírus, minimizando a queima de caixa e mantendo altos níveis de liquidez.

O presidente David Neeleman diz que está otimista, de que a companhia aérea não sofrerá efeitos negativos a longo prazo, quando as viagens aéreas globais se recuperarem, graças à maneira flexível como a companhia aérea respondeu à crise.

“Estamos construindo o negócio de volta. Temos uma franquia incrivelmente boa”, diz Neeleman. “É péssimo para todos nós agora, mas vamos voltar.”

A Azul gerou receita de R$ 2,8 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, a companhia apresentou um prejuízo líquido antes do IR e contribuição social foi de R$ 6,3 bilhões, e líquido total de R$ 6,1 bilhões.

De acordo com a Azul, a companhia tem liquidez de R$ 6,7 bilhões nos próximos meses e espera que a queima de caixa por dia diminua para R$ 3 a 4 milhões em maio, diz o executivo-chefe John Rodgerson, algo que pode sustentar os custos atuais por 5 anos.

Cerca de 78% dos trabalhadores da empresa, ou cerca de 10.500 funcionários, tiraram férias voluntárias sem remuneração, incluindo executivos, levando a uma redução salarial esperada de 50% no segundo trimestre. Os custos operacionais deverão cair 55% em relação ao mesmo trimestre de 2019.


 

Redução na chegada de novos aviões na frota

Primeira entrega de um Embraer E195-E2 da Azul.

Ontem (13) a Azul emitiu um comunicado informando que adiou 59 entregas de aviões Embraer E195-E2, que deveria receber entre 2020 e 2023, para após o ano de 2024.

Os adiamentos ocorreram sem penalidade, diz Neeleman. “É do interesse de longo prazo da Embraer ter uma Azul forte.”

A companhia aérea foi cliente de lançamento da nova variante da Embraer e já recebeu cinco aviões E195-E2.

Neeleman acrescenta que a empresa está conversando com a Airbus sobre pedidos com o fabricante de Toulouse.

“Estamos perto de um acordo com a Airbus”, diz ele. A Azul “não pegará nenhuma aeronave que não seja necessária”.

De acordo com dados da companhia, a Azul ainda deve receber 28 aviões A320neo, 20  do modelo A321neo e um A330-900 nos próximos anos.

“A Companhia está negociando adiar os pagamentos de aluguel de aeronaves de forma
que acompanhem a retomada da demanda esperada para os próximos 18 a 24 meses. Aproximadamente 90% de nossa frota está sob arrendamento operacional (leasing), o que nos dá mais flexibilidade para trabalhar com nossos parceiros durante esse ambiente de incerteza”, disse a Azul em nota aos investidores.

 

Redução de voos

A Azul operava antes da pandemia de coronavírus cerca de 950 voos diários, para 116 cidades, sendo que esse número deveria aumentar com a incorporação da TwoFlex.

Porém, a companhia em maio deve operar cerca de 118 voos diários para 38 destinos, ainda retomando as operações, ressaltando que neste momento a companhia precisa ser flexível para aceitar as mudanças na demanda por voos. Apenas 20 aviões ficarão em operação durante o mês de maio.

“Hoje estamos utilizando o Cessna Caravan em mercados que costumávamos voar com aviões ATR 72-600, ATRs onde costumávamos voar com a aviões da Embraer, e Embraer onde estávamos usando A320”, disse Abhi Manoj Shah, diretor de receita. “Estamos lançando novas rotas toda semana e removendo coisas que não funcionam”.

Ele acrescenta que a flexibilidade da frota ajudou a minimizar a queima de caixa.

Em abril a Azul operou uma média de 70 voos diários para 25 cidades, com ocupação média de 68,9%. Foi uma queda de 88% na oferta em comparação com o mesmo período de 2019.

A Azul espera que a capacidade caia de 75 a 85% em relação ao ano anterior para o trimestre atual, que termina em junho.

No momento, a companhia aérea espera em dezembro voar com cerca de 40% de sua capacidade de assentos disponível antes da crise, 400 dos 1000 voos diários. Para ter noção, em 2015 a companhia já operava mais voos diários, mesmo sem o A320neo na sua frota.

 

Operações lucrativas de carga

A receita do negócio de carga da Azul aumentou quase 39% durante o primeiro trimestre, diz Rodgerson, acrescentando que a companhia aérea vê potencial de carga.

A Azul fez a transição de dois A320 de operações de passageiros para somente carga, acrescenta o diretor de receita Shah.

“Nove aeronaves agora são dedicadas à equipe de carga, portanto estão fazendo feno enquanto o sol brilha”, disse Shah.

 

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