A Azul Linhas Aéreas realizou na manhã desta terça-feira (11/08) o lançamento oficial da Azul Conecta. Este é o mais novo braço ultra-regional da companhia, que sempre focou em voos para o interior do Brasil.

O lançamento ocorreu na base da companhia aérea, no Aeroporto de Jundiaí, perto da base da Azul, em Campinas (SP).

A criação dessa nova companhia parte da Two Flex, que anteriormente tinha parceria com a Azul e a GOL. No 2° semestre de 2019 a Azul declarou que tinha proposto a aquisição da aérea por R$ 123 milhões.

Na época a Two Flex tinha 17 aeronaves Cessna Gran Caravan, que novas podem custar mais de 2 milhões de dólares cada. No entanto, a meta da Azul era um pouco maior com a Two Flex integrada na sua malha.

A aquisição foi aprovada pelo CADE em 2020, e a finalização do contrato procedeu. Na época o nome Azul Conecta já rondava a sede da companhia, e muitos funcionários falavam sobre a mudança.

No momento a Azul Conecta é autorizada a operar aeronaves de até 19 assentos, de acordo com as normas do RBAC 121. A companhia se encaixa na legislação das ultra-regionais, criada “recentemente” pela ANAC em parceria com órgãos internacionais.

Slots em Congonhas

No ato da redistribuição de slots no Aeroporto de Congonhas, após a falência da Avianca Brasil, a Azul teve que dividir o bolo com duas empresas, a VoePass e a MAP.


Como resultado a Azul ficou com menos slots que o previsto, e a VoePass comemorou, voaria com os seus ATRs para Congonhas.

A Two Flex na época também aplicou para conseguir slots no local, porém, a ANAC disponibilizou apenas 14 slots na pista auxiliar do aeroporto. Operar na pista auxiliar de Congonhas estava longe dos planos da Azul, que sabia a possibilidade de operar com o ATR no local, acrescentando mais voos e mais frequências.

Contudo, a ANAC limitou as operações na auxiliar ao Gran Caravan, e depois precisou liberar para não fechar totalmente o aeroporto de Congonhas para os voos comerciais, devido às obras que estão sendo realizadas neste mês.

A ANAC provou que o ATR pode operar na pista auxiliar do local, que tem aproximadamente 1600 metros de comprimento. Provavelmente no futuro a Azul vai optar por incrementar a oferta com aviões ATR em Congonhas.

Tanto faz carga ou passageiros

No momento da aquisição a Two Flex operava para 36 destinos, algo que a Azul manteve após a aquisição.

O atrativo de uma companhia aérea ultra-regional não é apenas levar passageiros para cidades afastadas no interior, e com pouca infraestrutura aeroportuária ou demanda. A Azul já deu todos os indícios que tem uma flexibilidade muito grande na sua nova companhia.

Além dos voos ultra-regionais, a nova Azul Conecta também pode realizar voos pontuais de carga, quando a frota estiver ociosa, bem como fretamentos diversos com passageiros a bordo.

Durante a atual pandemia a Azul utilizou o Gran Caravan para levar carga em alguns voos, complementando a frota da Azul Cargo, que chegou a ter três aviões ATR 72-600 sem assentos, somente levando caixas.

Antes da crise a meta, com a Two Flex integrada, era atingir 150 destinos. Indiretamente isso aumenta a capilaridade, bem como a ocupação nos voos principais, e o range de alcance da Azul Cargo, que está apresentando crescimento de dois dígitos constantemente.

Aposta no ultra-regional

Antes de qualquer movimentação para comprar a Two Flex, a Azul tinha uma parceria com a própria Two Flex, em voos ultra-regionais, e também com outras aéreas, como a Asta.

A Asta tem uma excelente capilaridade para cidades no interior do Mato Grosso. Antes da crise cerca de 70 voos eram operados por semana para 11 cidades do Mato Grosso. O avião utilizado? Também o Gran Caravan, o queridinho turboélice monomotor de 9 assentos.

Isso mostra que em 2019 a Azul já estava explorando bem esse mercado, mesmo através dos diversos codeshares realizados.

Dos 17 aviões, três são exclusivamente cargueiros e vão contribuir para a expansão da Azul Cargo Express, a unidade de cargas da Azul, que pode levar cargas a cidades que não são atendidas por voos regulares da empresa.

São também os aviões Cessna Gran Caravan que vêm sendo utilizados na retomada das operações de algumas bases da Azul, como já aconteceu em Araçatuba (SP), Marília (SP), Bauru (SP) e Macapá (AM). Essenciais para entender o fluxo e a demanda de Clientes, os monomotores da Azul Conecta já voaram 3256 horas entre maio e junho, o que corresponde a 55 horas de voo por dia da frota que está em operação.

 

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