Com tantas telas à disposição, e poucos comandos físicos através de botões e alavancas, podemos nos perguntar como será o futuro dos cockpits das aeronaves, e parece que a inglesa BAE Systems já está encaminhada para uma solução.

A nova proposta é usar a Realidade Virtual a favor da aviação, algo que já é minimamente realizado através dos HUDs, das aeronaves comerciais, e dos capacetes equipados com HUDs ou telas transparentes, como no caso do F-35.

Capacete do F-35.

Mas a equipe de desenvolvimento da BAE quer ir além, criar um sistema que permita o piloto comandar ataques somente com o contato através do cérebro, indicar zonas de ataque com base em localização geográfica e direto nos olhos do piloto, com possibilidade de comando de zoom da área estimada e até mesmo dados de desempenho da aeronave direto nos olhos.

O projeto é tão avançado que considera substituir as telas de uma aeronave por algo virtual, projetado em uma superfície também virtual. Esse pode ser o fim dos cockpits tradicionais que conhecemos, visto que os comandos também serão virtuais.

“Em termos de conceitos futuros, estamos olhando para o que estamos chamando de ‘cockpit vestível’. Aqui, você remove muitos dos elementos físicos do cockpit e o substitui por um display virtual, projetado através do capacete. Essencialmente, é um cockpit somente de software que é atualizável, adaptável e reconfigurável”, disse o líder tecnológico do projeto, Jean Page.

“Em tal mundo, precisamos pensar sobre quais controles são críticos para o piloto e, em seguida, torná-los mais fáceis de gerenciar. O rastreamento ocular dá a você a opção de olhar para algo para realçá-lo e, em seguida, fazer um gesto para “pressionar” um botão, em vez de ter uma série de botões físicos na aeronave”, completou Jean Page sobre as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas.

A intenção é limpar bastante o cockpit, o que pode ser meio estranho para os pilotos atuais, pois o Glass Cockpit chegou em um bom patamar tecnológico, onde um HUD ajuda bastante o piloto ao fornecer informações vitais para um procedimento de pouso, por exemplo. E também há outro ponto, onde você perde um dos sentidos, que é a parte tátil de controle da aeronave.

Mas para uma situação de combate a rapidez de tudo pode fazer a diferença, olhe no vídeo acima como um capacete de um F-35 é capaz de informar para o piloto as aeronaves que estão próximas dele, isso é uma parte importante para localizar um avião que está a quilômetros da sua aeronave. Para a BAE essa também é uma forma de aumentar a relevância dos sinais de aviso, sem que ele tire a atenção daquilo que está na sua frente.

Sobre os comandos podemos esperar realmente algo baseado em “menus virtuais”, que aparecem na frente da cabeça do piloto, assim como nesse projeto da Google, chamado de “Soli”.

É um recurso que demanda um certo nível de poder computacional, mas um hardware consideravelmente pequeno, uma boa culpa da miniaturização da informática, destaque nos últimos anos por causa dos dispositivos móveis.

Outro ponto que podemos considerar é uma comunicação com a capacete feita através de fibra ótica, devido ao número de informações e alta resolução e em vídeo.

Ou algo como o sugerido pela Leap Motion, onde telas com várias opções surgem automaticamente na sua frente a partir de um comando padronizado em X lugar da aeronave.

“A parte realmente inteligente será aquela baseada em onde o piloto está procurando, podemos inferir o objetivo do piloto e usar sistemas inteligentes para suportar o desempenho de tarefas e reduzir a carga de trabalho do piloto. Queremos fazer isso de uma forma que nem sempre pede permissão, porque isso seria muito irritante muito rapidamente, mas igualmente, é essencial que seja sempre evidente para o piloto qual tarefa o sistema inteligente está realizando”, completou Jean.

As pesquisas sobre esse sistema vão continuar, e o Reino Unido pretende introduzir a tecnologia no Tempest, um novo caça de 6ª geração que será lançado na próxima década.