Boeing 737 MAX 10
Foto: Boeing

Ainda em processo de certificação, o Boeing 737 MAX 10 poderá nem receber a tão buscada certificação. Em entrevista o CEO da fabricante norte-americana disse que o projeto corre risco de ser descontinuado e arquivado.

Em uma entrevista ao Aviation Geek, Dave Calhoun CEO da Boeing disse que a fabricante está com problemas com os reguladores dos EUA em certificar a variante MAX 10. O executivo afirmou que não é o que a fabricante tem em mente mas que arquivar o projeto se tornou um risco real.

“Se você passar pelas coisas pelas quais passamos, as dívidas que tivemos que acumular, nossa capacidade de responder ou a vontade de ver as coisas mesmo em um mundo sem o -10 não é tão ameaçador. O Boeing 737 MAX 10 é um pouco de tudo ou nada. […] acho que nosso caso é bastante persuasivo… Esse é um risco que estou disposto a correr. Se eu perder a luta, perco a luta”, disse Calhoun. 

“Eu não espero (cancelar o programa), e não quero que ninguém pense isso. É apenas um risco”, completou.

Com 710 encomendas para o Boeing 737 MAX 10, incluindo pedidos da brasileira GOL, a fabricante corre contra o tempo para tentar certificar o avião antes do prazo final da FAA, que se encerra em dezembro.

Mudança na certificação de aeronaves

ANAC Boeing 737 MAX
Cockpit do 737 MAX 8. Foto – Boeing/Leo Dejillas

 

Com os acidentes envolvendo o próprio Boeing 737 MAX, a FAA adotou uma postura mais rígida com relação aos processos de certificação de qualquer aeronave. 

A mais recente medida esta relacionado aos alertas emitidos no cockpit para a tripulação em decorrência de alguma falha ou mal funcionamento nos sistemas do avião durante o voo. O projeto de lei também reduz a influência da Boeing e de outras fabricantes de aeronaves no processo de certificação, possibilitando a FAA realizar trabalhos sem ‘pressão’. 

O impasse da Boeing com os novos regulamentos está mais especifico em relação ao Sistema de Indicação de Motores e Alerta de Tripulação (EICAS), na qual somente a família 737/737 MAX não está apta.

Para que todas as aeronaves Boeing 737 estejam em conformidade com o novo sistema, a fabricante precisaria trabalhar bastante no cockpit da aeronave pois os sistemas utilizados são herdados das primeiras gerações.

O EICAS é um sistema que avisa os pilotos sobre qualquer problema nos sistemas de voo e instrui os pilotos a como lidar com a situação. 

Com as aeronaves MAX 8 e 9 já em operação, realizar a atualização nessas aeronaves será bem trabalhoso para a fabricante que também precisa correr contra o tempo para resolver o mesmo impasse em relação ao MAX 10.

“Mesmo que possa ser adaptado para toda a frota MAX, isso significa que você terá um período de 5, 6 ou 10 anos em que ainda estará voando com uma frota mista. Isso vai ser um desafio de treinamento.” Disse Peter Morton, ex-executivo da Boeing.

Outra questão apontada está nos pilotos e mecânicos que operam e realizam manutenções no 737 MAX e depois vão para a série NG. Apesar do mesmo design, o cockpit é diferente nos dois aviões e os sistemas de alertas também poderia acabar confundindo pilotos e mecânicos com alertas diferentes segundo o argumento da Boeing.

Desde que o MAX 10 começou os testes de voo exatamente há pouco mais de um ano, esse comentário não vai encorajar ninguém a pensar que a Boeing pode cumprir o prazo de 20 de dezembro.

Caso contrário, a Boeing deve apostar em uma extensão do Congresso. Fleming apresentou os elementos do caso para isso.

 

Com informações do AeroTime.