Boeing 737 MAX GOL

Conforme noticiamos anteriormente, no dia 7 de dezembro a GOL Linhas Aéreas convidou a imprensa e os jornalistas para um voo especial. O especial do voo foi voar no Boeing 737 MAX 8, recém certificado novamente e apto a estar em operação.

Neste Flight Report você vai conferir um pouco da experiência de voo dessa bela aeronave.

 

Matéria em vídeo

Continuamos após o vídeo com a matéria em texto.

 

A viagem e o avião

Como era um voo com passageiros previamente selecionados, a GOL utilizou a numeração G3 9920, um voo “extra” tendo como origem o Aeroporto de Congonhas. O nosso destino seria o Hangar da GOL Aerotech localizado no Aeroporto Internacional de Confins/Belo Horizonte.

Nosso voo foi operado pelo 1º 737 MAX 8 recebido pela GOL, trata-se do PR-XMA que também havia realizado voos com familiares de diretores e tripulantes alguns dias antes.

O PR-XMA, assim como os outros 737 MAX 8 da GOL tem capacidade para levar até 186 passageiros. Sendo as fileiras de 1 a 5 destinadas ao serviço GOL+ Conforto ou ao GOL Premium que é destinado aos voos internacionais da companhia.

Os 737 MAX da GOL já possuem os novos assentos revestidos em couro ecológico, além de bonitos também são mais confortáveis em relação aos anteriores. O espaço entre as fileiras é agradável, possui um espaço bom tendo obtido o selo B da ANAC. Um dos redatores se posicionou no assento 19A neste voo de ida.

Entretanto, a GOL possui a maior quantidade de assentos com a maior distância possível dentro das medidas do selo B. A GOL+ Conforto ou Premium possui todos os assentos nas medidas do selo A, essa configuração só foi possível graças ao espaço que a cabine do 737 MAX teve uma ampliação. Economizou-se espaço na parte de trás, algo que não é possível na Série 737 NG.

A iluminação Sky Interior do 737 MAX

Às 11h06 iniciamos a nossa partida, na cabine de comando os primeiros pilotos contratados da GOL no inicio da empresa em 2001. A bordo também a primeira turma de comissários de voo da empresa, além da presença do Diretor da Boeing para o Brasil, Diretores da GOL e do Presidente Paulo Kakinoff.

A decolagem foi feita quase de imediato da pista 17 do Aeroporto de Congonhas. No momento o tempo estava nublado, com nuvens cobrindo boa parte do céu. Temperatura na casa dos 28º com ventos variáveis.

Rapidamente alcançamos aos 10 mil pés ou FL100, ainda dentro de uma boa camada de nuvens que geraram algumas(boas) turbulências. Algumas turbulências causaram aquele bom frio na barriga com a aeronave indo para cima e para baixo, para quem ama a aviação isso se torna um parque de diversões.

Foto: Gabriel Melo

Pouco mais de 24 minutos após decolarmos de Congonhas, chegávamos a altitude de cruzeiro de 37 mil pés ou FL370. A cima da grande camada de nuvens que estava sobre São Paulo, era possível avistar um bonito céu azul, o que também não poderia faltar seria um pouco mais de turbulência.

Foto: Gabriel Melo

A GOL liberou o uso do Wi-Fi de alta velocidade para todos a bordo, tentamos publicar alguns vídeos e fotos ao vivo a medida que a internet permitia. Pegando um gancho, com a parada dos 737 MAX a GOL instalou as antenas de Wi-Fi a bordo, e simplificou as etapas para que os passageiros possam se conectar.

Para desviarmos de algumas formações, os pilotos fizeram uma leve curva a esquerda e desceram para 35 mil pés. Alguns minutos depois iniciamos a nossa descida até o Aeroporto Internacional de Confins. Belo Horizonte com tempo nublado, algumas pancadas de chuvas isoladas.

Pousamos às 13h08 (hora local) pela pista 34 do Tancredo Neves. Livramos a pista e seguimos direto para o Hangar da GOL Aerotech, local onde a companhia realiza de manutenções leves a mais pesadas e também a pintura de suas aeronaves.

Ao chegarmos, vimos o PR-XMC sendo preparado para realizar seus voos de teste. O PR-XME estava dentro do hangar para visitarmos e participarmos do evento.

 

Conforto e 737 MAX em voo

Uma das dúvidas enviadas pelo nosso público é sobre o conforto do Boeing 737 MAX, tanto em comparação com o seu principal concorrente, o Airbus A320neo, como na lógica de compará-lo ao 737 NG, a geração anterior.

Nos dois voos realizados, é perceptível um comportamento bastante similar ao Boeing 737 NG. O estilo de voo da aeronave é bem similar, com comportamentos parecidos, seja na decolagem, pouso, em nível de cruzeiro ou com turbulência. É diferente da evolução entre o Embraer E-Jet E1 e o Embraer E-Jet E2.

GOL

Os assentos, nessa configuração da GOL, oferecem um nível de conforto “Ok” para os voos domésticos. Eles são do tipo Slim, com pouca espuma, porém não causam dores nas costas.

Exceto no Espaço GOL Conforto, o qual fui no voo de ida, Congonhas – Belo Horizonte, nos outros assentos a reclinação não é nada excepcional, mas não foge muito do padrão aplicado pelas concorrentes.

Comparação entre o assento “normal” e o “Espaço GOL Conforto”.

O espaço para as pernas é muito bom em comparação com aeronaves da própria companhia e até das concorrentes, e ali deve ter duas polegadas a mais de espaço por assento em comparação com as outras. Logicamente não é o melhor dos dois mundos para voos muito longos, mas nada que uma passagem barata compense o estilo de voo.

Como “mimo” a GOL disponibiliza uma versátil mesinha, com vários ajustes para você fazer as suas refeições sem ficar apertado ou sujando a roupa. Há uma saída USB de alta amperagem para carregar celulares, mas senti falta de tomadas 110V como nos outros aviões da GOL.

Mesmo no wi-fi do avião acesse: www.aeroflap.com.br

Além disso, todos os aviões Boeing 737 MAX contam com o sistema de internet via wi-fi, que funciona de modo rápido se todos os 186 passageiros não desejarem utilizar ao mesmo tempo. A transmissão é realizada via satélite, através de duas antenas da Gogo que funcionam em banda Ku, por um satélite geoestacionário, então o ping é um pouco alto, mas a velocidade compensa.

O sistema de wi-fi da GOL também funciona como distribuição de entretenimento, com conteúdo on-demand e 6 canais de TV disponíveis gratuitamente, no sistema que é chamado de GOL Online. Já o preço do serviço de wi-fi é um pouco salgado, mas pode compensar dependendo do nível de necessidade.

Preço dos pacotes para utilizar o wi-fi dentro do avião.

Na parte interna percebemos um melhor trabalho na iluminação do avião, e as janelas ficaram maiores nesta versão, assim como os painéis laterais foram alterados para diminuir a sensação de claustrofobia.

A iluminação é bastante similar ao 737 NG Sky Interior, o qual a GOL já tem na sua frota, com diferença para os enormes bagageiros superiores, que com certeza melhoram a capacidade da aeronave de receber bagagens de mão, algo cada vez mais comum a bordo, visto que todas as companhias cobram pelo despacho de bagagens.

Agora no MAX não há dor de cabeça para guardar a sua mala de mão. Os “bins” são enormes.

A Boeing possivelmente aproveitou sua experiência com a pressurização do Boeing 787 para também otimizar o sistema de pressurização do 737 MAX, que agora está mais suave em comparação com a geração anterior. É pouco perceptível, para quem voa regularmente, quando o avião está sofrendo alterações na pressurização.

Aqui vale um ponto, para quem já voou no 737 Classic, e depois no 737 NG, também nota uma melhora da pressurização entre as diferentes gerações do Boeing 737. O 737 MAX com certeza se alinha a um avião moderno nesse contexto.

Galley traseira do 737 MAX.

A galley, parte que os comissários preparam as refeições, é localizada em toda a parte traseira da aeronave, contando com três fornos, sistema de aquecimento de água, geladeiras e cafeteira, digno de um avião que opera voos internacionais.

Os banheiros, em um total de três em cada avião (2 na Ryanair) são bem apertados na nova versão, apesar do espaço para o vaso ser “Ok”, a pia não funciona sem espirrar água em tudo, molhando a roupa do passageiro.

 

Economia de combustível, Novas tecnologias (Ruído) e MCAS

O 737 MAX é fundamental para os planos de expansão da GOL e possui as mais modernas tecnologias em seus motores, asas e superfícies de comando, reduzindo o consumo de combustível em aproximadamente 15%, com um alcance de cerca de 1000 quilômetros a mais (chegando a 6500 km) quando comparado com as aeronaves atuais 737 NG.

Boa parte dessa redução de consumo parte dos novos motores CFM Leap-1B, utilizados em outra variante pelo concorrente desta aeronave, o Airbus A320neo. Esse motor proporciona até 13% de economia de combustível em comparação com o CFM 56 utilizado na geração anterior, além de reduzir em até 60% o nível de ruído.

É exatamente neste ponto que o 737 MAX possibilita um voo mais confortável em comparação com a geração anterior.

Detalhe para os chevrons na saída de ar frio do motor, responsáveis também pela diminuição do ruído.

A bordo o ruído é muito menor quando o avião está em nível de cruzeiro, sem o motor em aceleração máxima. Mesmo na decolagem há um menor ruído do motor, e no pouso é possível notar um menor ruído aerodinâmico, enquanto os motores se tornam quase imperceptíveis, tamanho o silêncio.

Comparação, “Winglet Duplo” do 737 MAX com o 737 NG

Os novos “Advanced AT Winglets” e as otimizações aerodinâmicas ao longo da fuselagem e asa permitem uma economia adicional de combustível na ordem de 2 a 3%. Além disso, agora alguns sistemas são Fly-By-Wire, como o “Speed Break”, que tem um funcionamento visualmente diferente em comparação com o 737 NG.

Durante o voo não foi perceptível o funcionamento do MCAS. Para quem deseja mais explicações sobre as atualizações que o 737 MAX recebeu nos últimos meses pode conferir Clicando Aqui uma matéria especial que preparamos sobre este assunto.

Sobre a efetividade das alterações do MCAS, a confiabilidade do 737 MAX só poderá ser restaurada após meses operando voos sem incidentes. Analisando pela engenharia, é realmente quase impossível ocorrer um novo erro de software, mas no mundo real não é ideal afirmar com 100% de certeza.

Mas no conforto o 737 MAX dá um show na geração antiga, principalmente pela pressurização e o menor ruído a bordo.

Desde o início das operações com o Boeing 737 MAX 8, em junho de 2018, a GOL realizou 2933 voos, totalizando mais de 12700 horas.

Até o fim deste mês de dezembro, a expectativa é que todas as 7 aeronaves Boeing 737 MAX que estão na atual frota da GOL estejam totalmente na atividade regular. Ao todo a GOL tem 95 encomendas para o 737 MAX, sendo 30 para o 737 MAX 10 e 65 para o 737 MAX 10.

 

Artigo produzido em parceria dos editores Gabriel Melo e Pedro Viana, sendo que este último avaliou o conforto da aeronave.

Edição do vídeo por Matheus Felipe Nascimento.

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