O Boeing 787 Dreamliner foi um dos projetos mais desafiadores da fabricante norte-americana desde a concepção do 747, e hoje é motivo de alguma comemoração em meio a tempestade que a Boeing enfrenta, o widebody de sucesso está completando 10 anos do primeiro voo neste domingo (15/12), quando realmente provou ser um avião.

A história do 787 Dreamliner começa em 2004, quando a Boeing anunciou o conceito, através de uma encomenda da All Nippon Airways, que também se comprometeu a estrear o novo avião da Boeing. Mas seu passado também é interessante, o Boeing 787 vem para cobrir o mercado atendido pelo 767 (e suas variantes), apesar de ser bastante confiável as companhias já sentiam a necessidade de substituir seus aviões da linha 67, os 20 anos de idade do projeto estavam pesando contra os custos operacionais, que um dia foram a verdadeira revolução nas viagens de longa distância.

Desde o início a Boeing queria um novo conceito de motor para usar no 787, esse é o principal ponto da aeronave, e que revolucionou todos os outros aviões lançados desde então. A GE e Rolls-Royce se comprometeram desde o início com o lançamento de novas tecnologias para equipar o 787, a GE lançou a linha GEnx, também usada no 747-8i, enquanto isso a Rolls-Royce lançou o Trent 1000.

Cockpit do Boeing 787.

O Boeing 787 Dreamliner custou caro, foi desenvolvido do zero, teve problemas pendentes que foram resolvidos após a certificação, porém foi um avião projetado para ser totalmente flexível, gerando uma versão que tem 250 passageiros por padrão, e outra que comporta até 330 passageiros.

Com uma fuselagem toda em materiais compostos, aerodinâmica refinada e novos motores, a Boeing prometia até 20% a menos de consumo de combustível em comparação com o 767.

A Boeing iniciou a montagem final da primeira unidade em maio de 2007, na fábrica de Everett. No dia 8 de julho de 2007 a Boeing apresentou finalmente o primeiro 787. Devido ao primeiro avião estar incompleto, a Boeing levou até 2009 para concluir e conseguir voar com a primeira unidade de testes, esse foi mais um atraso no desenvolvimento da aeronave.

Logo a Boeing colocou seis protótipos para completarem mais de 4000 horas de voo, testando um tipo de conceito nunca antes utilizado pela empresa, justificando todos esses testes para a primeira versão do 787. Alguns problemas adiaram a primeira entrega para o final de 2011, e como dito acima, a primeira companhia que operou com a aeronave foi a All Nippon Airways.


O primeiro 787 entregue também era diferente dos que hoje saem da linha de produção, isso porque algumas atualizações da Boeing para diminuir o peso geral do avião não foram implementadas inicialmente.

O desenvolvimento da família 787 custou US$ 32 bilhões para a Boeing, contabilizando todas as três variantes e inclusive o 787-10 que ainda está em testes. A Boeing já recuperou esse investimento, e o lucro das próximas aeronaves vendidas entrará diretamente no financeiro da companhia, sem precisar abater custos exorbitantes para corrigir vários erros de projeto.

Estima-se que o Boeing 787 já tenha recebido mais de US$130 bilhões de dólares em encomendas, desde que foi lançado oficialmente, mesmo com o prejuízo no desenvolvimento e o custo de produção, a aeronave figura entre os jatos mais rentáveis que a Boeing fabrica atualmente. A fabricante americana ainda espera mais encomendas para o 787, na medida que os aviões 767 e A330 envelhecem nas frotas das companhias aéreas.

A Boeing já fabricou mais de 800 unidades dessa aeronave, por mês 12 unidades são produzidas em Everett e North Charleston, apesar das idas e vindas dos problemas iniciais as companhias não desistiram, queriam uma aeronave leve, eficiente e econômica.

No financeiro da divisão de aviões comerciais da Boeing, o Dreamliner faz bastante diferença, principalmente durante o complicado período que a Boeing atravessa com o desenvolvimento do 777X e as correções de software do 737 MAX, que paralisaram as entregas e já resultaram em prejuízo financeiro.

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