O estudo de aeronaves sem pilotos não é uma novidade, isso já avança no setor espacial desde o programa Apollo, quando os astronautas não precisavam controlar efetivamente a espaçonave, só imputar comandos no computador de bordo e realizar outros manualmente que mesmo assim eram avaliados pelo computador. Na mesma década esse projeto ganhou força com o drone Lockheed D-21 e mais recentemente com o Northrop X-47B.

Recentemente isso foi encorpado com uma declaração da SpaceX que o foguete Falcon Heavy levará turistas para a Lua em 2018 sem a presença de astronautas na cápsula Dragon 2, o risco da missão não é maior pois a viagem é apenas para contornar o nosso satélite natural, não haverá pouso na Lua. Porém os turistas receberão treinamento especial, todo o voo será controlado por engenheiros diretamente da Terra.

Drone D-21. Foto – U.S. Air Force/Reprodução

Apesar do mundo moderno com drones totalmente autônomos, isso não se tornou realidade até os dias atuais para as aeronaves comerciais (ainda bem). Porém pode ter uma outra figuração com a ajuda da Boeing, que relatou recentemente as tecnologias que planeja estudar nos próximos anos, e voos totalmente sem pilotos já estão sendo cogitados pela fabricante americana.

A Boeing iniciará em 2018 os estudos avançados usando aeronaves Caravan para testar a inteligência artificial desenvolvida nos laboratórios da fabricante em Moses Lake, no seu estado natal, Washington. O estágio de estudo da Boeing é tão avançado que ela já planeja incorporar essa tecnologia, depois de testada e aferida, no modelo 787, uma das aeronaves mais avançadas que a Boeing produz atualmente, isso tudo já para 2019.

A maior motivação para a Boeing é a grande necessidade de pilotos gerada nos últimos anos, bem como a expectativa para daqui a 20 anos, que é de mais 1,5 milhão de pilotos no mercado de trabalho em todo o planeta. O contratempo máximo é causado pelas agências regulamentadoras, como a FAA e a EASA, essas ainda não sabem como certificar uma aeronave nessas condições, porém podem aplicar conceitos já usados em drones maiores para avaliar a tecnologia dessas aeronaves.

Foto – Rockwell Collins/Reprodução

Controlar um voo normal é fácil, a Inteligência Artificial precisará ser capaz de tomar decisões que atualmente são complicadas até para humanos, como o caso do capitão Sully, que virou até filme de Hollywood, com destaque para a atuação de Tom Hanks. Naquela ocasião o comandante resolveu realizar um pouso suave na água, após ficar sem os dois motores da aeronave por colidir com pássaros.

A Inteligência Artificial do novo sistema precisaria ter a experiência de diversas situações e qual seria a melhor opção para sair de uma falha no trem de pouso principal, que resolveu não descer, por exemplo. Ou evitar erros como o acidente da Air France de 2009, em que o piloto realizou comandos errados após o desligamento do piloto automático, ocasionado por uma perda de informação sobre a velocidade medida pelos tubos de pitot.

Cockpit do 737 MAX 8. Foto – Boeing/Leo Dejillas

A Boeing ainda estuda passos, antes de fazer uma mudança brusca, ela pode incorporar o sistema para reduzir o número de pilotos necessários para um voo, desde voos curtos, que tem tripulação simples, até voos de longa distância, que contam com tripulação composta. Assim seria um modo de acostumar o próprio software da aeronave com as diversas situações. A Boeing também destaca que os aeroportos terão que adaptar as suas pistas e taxiways para a nova tecnologia.

Apesar disso um “avião drone” pode evitar situações como no voo da Germanwings que matou 150 pessoas, na ocasião o copiloto Andreas Lubitz derrubou a aeronave intencionalmente. Ou até mesmo o sumiço de um voo causado “intencionalmente”, como no MH370.

A regra atual é: O futuro está próximo. Se a Boeing já estuda métodos de voos autônomos as outras fabricantes também não irão perder tempo, a Embraer já anunciou em março desse ano o novo centro de estudos no Vale do Silício, um local conhecido por sediar gigantes do mundo tecnológico. A Airbus já realiza estudos de voos autônomos há tempos.

 

PS – Uma aeronave moderna já consegue pousar quase no automático, veja no vídeo abaixo um procedimento ILS CAT III.