A Boeing deve atrasar a entrega das atualizações para os aviões do modelo 737 MAX, o novo prazo estipulado pela empresa vai até abril deste ano, de acordo com uma publicação do The Wall Street Journal.

Fontes do The Wall Street Journal apontaram que a Boeing ainda está sofrendo com atrasos, que foram gerados por problemas na certificação junto à FAA, que exige um alerta sonoro quando o piloto está tentando realizar comandos com o sistema de piloto automático ativado.

Também há um entrave entre a empresa e os órgãos reguladores sobre a necessidade de treinamento adicional dos tripulantes. A certificação já atrasou 35 dias devido à greve federal causada por um outro entrave entre Donald Trump e o Congresso norte-americano.

De acordo com o divulgado anteriormente pela Boeing, essa atualização será focada em corrigir características de software que levaram ao acidente da Lion Air. A nova atualização é para impedir que o sistema de controle do avião tenha autoridade em relação aos comandos dos pilotos, dependendo da ocasião.

Com essa atualização o Boeing 737 MAX pode ter um comportamento bastante similar ao 737 NG, onde o computador de voo que auxilia na pilotagem é totalmente desativado caso os pilotos desliguem o piloto automático, e dados de só um sensor são desconsiderados no software da aeronave, que passará a fazer uma análise de dados de mais sensores.

 

Recomendações da Boeing

Cockpit do 737 MAX 8. Foto – Boeing/Leo Dejillas

Antes mesmo da emissão do relatório preliminar, a Boeing em conjunto com a FAA soltou uma nota sobre a recomendação aos pilotos do novo Sistema de Aumento de Características de Manobra (MCAS), incorporado no Boeing 737 MAX.

A Boeing disse que colocou esse sistema automático pois o 737 MAX ficou mais propenso à problemas relacionados ao estol (perda de sustentação) em alto ângulo de ataque devido aos novos motores com maior carenagem e tamanho, além das alterações nas asas.

O sistema tem uma característica de evitar que a aeronave entre em uma condição de estol, que é quando o avião perde a sustentação das asas.

A nota oficial da Boeing explica como o sistema funciona, e qual a reação ele causa na aeronave. Devido ao erro no sensor, que resultou em uma confusão de comandos no acidente, a Boeing também disse no documento como os pilotos devem agir para desacoplar o autocompensador do trim e retomar o controle do voo, independente de qualquer erro que esteja acontecendo.

A Boeing não exigiu um treinamento prático para os pilotos se habituarem com o sistema de autocompensador existente no 737 MAX, e que não tinha na geração anterior, o 737 NG. Apesar disso as instruções sobre sistema de desacoplamento do autocompensador estavam no material teórico e nas guias de emergência que ficam junto com o manual da aeronave no cockpit.

O relatório PRELIMINAR não indica se os pilotos tentaram em algum momento desativar o sistema automático de correção, que interveem mesmo com o piloto automático desligado. No voo anterior, que também teve o mesmo problema, a tripulação relatou que o manual de soluções de problemas em voo foi consultado e o autocompensador foi desacoplado, desta forma o comandante conseguiu seguir com o curto voo de quase uma hora até o destino.