A Boeing confirmou no início de maio que o famoso avião asa é viável para uso na aviação comercial, os dados vieram a partir de testes realizados no túnel de água da Boeing em Huntington Beach, todos foram realizados com água, um fluido bem mais viscoso do que o ar, e onde é possível ver detalhes de turbulência ao redor da aeronave, ou na mesma.

Os engenheiros da Boeing também testaram uma porta de cargas na parte traseira dessa aeronave, que faria a função de porão de cargas, existente em maioria dos aviões comerciais atuais para transportar malas e outras cargas para terceiros em um voo.

O teste em túnel de água também tem menor custo para a Boeing, visto que um conceito testado no tradicional túnel de vento leva mais horas para extrair dados sobre o fluxo de ar ao redor da aeronave, e também o comportamento da camada limite do ar. No tanque de água há uma circulação da água, simulando o fluxo de ar na asa, um corante colorido é usado para aferir os detalhes do fluido ao redor do objeto, neste caso o avião-asa.

Apesar disso a NASA também já está testando esse conceito com base no projeto “X-Plane” que incorpora uma infinidade de aeronaves diferentes para verificar se algumas configurações demonstram uma clara eficiência. O túnel de vento da NASA deverá colaborar nesse projeto realizando testes no túnel de vento por mais 2 anos, o objetivo é mapear o fluxo de ar no avião usando lasers e fumaça, combinados com uma técnica conhecida como velocimetria de imagens de partículas.

A maior vantagem do 797 seria diminuir a área frontal da aeronave e aumentar a capacidade da mesma usando a um volume disposto menor, as asas seriam aproveitadas para colocar passageiros, enquanto a fuselagem seria extinta, diminuindo também o peso total do avião.

O conceito BWB da Boeing é único no mundo para aplicações na aviação comercial, de forma que renuncia o atual esquema de fuselagem e asa dos aviões de hoje. Dessa forma a aeronave combina a cauda triangular com as superfícies de comando da asa para criar seus controles e mesmo assim ser estável durante o voo.

A Boeing vê potencial para uma aeronave do tipo Avião-Asa ser desenvolvida nos próximos 10 anos como uma inovação no transporte em velocidades abaixo do som (menor que Mach 1), e possivelmente fornecer variantes para o transporte militar, reabastecimento aéreo, e também para o transporte comercial aéreo, disse John Dorris III, Gerente Sênior de Mobilidade na Boeing.

A Boeing também já realizou diversos testes com uma variante chamada de X-48, não tripulada e capaz de pousar e decolar. O X-48 faz parte do programa BWB, para desenvolver um novo modelo de avião-asa, e para isso a Boeing está obtendo apoio da NASA para avançar no desenvolvimento do projeto.

O previsto é que esse tipo de aeronave voe na mesma velocidade de um 747, por exemplo, porém com maior eficiência no quesito arrasto aerodinâmico. Os motores passariam a se localizar acima do corpo da aeronave, na parte traseira, enquanto todo o peso de passageiros e carga se concentra na frente.

 

Veja os testes realizados pela Boeing no vídeo abaixo: