KC-46 F-35 Boeing
KC-46 reabastecendo um F-35A. Foto: Boeing.

Apresentando os resultados de 2021, a Boeing revelou que recebeu uma multa de US$ 402 milhões por problemas com o sistema de câmeras do KC-46. A divisão de defesa relatou uma queda de quase 14% nas vendas, resultado impulsionado em boa parte pela multa. 

A fabricante divulgou os ganhos do ano passado nesta quarta-feira (26), e os resultados foram piores que os de 2020. A Boeing registrou quase US$ 5,9 bilhões em vendas de defesa no último trimestre de 2021, uma queda em relação aos US$ 6,8 bilhões no quarto trimestre de 2020. As margens operacionais da Boeing também caíram para território negativo em -4,4% no trimestre.

Um total de 169 aeronaves militares foram entregues pela empresa em 2021, contra 154 no ano anterior. Isso incluiu 83 helicópteros de ataque AH-64 Apache, entre eles 56 exemplares remanufaturados; 21 jatos da série F/A-18 Super Hornet; 20 helicópteros CH-47 Chinook (cinco remanufaturados); 16 caças F-15; 16 aviões de patrulha P-8A e 13 reabastecedores KC-46A, um a menos que em 2020.

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A empresa atribuiu a queda nas vendas principalmente ao “menor volume e desempenho menos favorável em todo o portfólio”, incluindo a cobrança em relação ao KC-46.

RVS Boom operators KC-46
Estação dos operadores da lança de REVO do KC-46. Foto: USAF.

Brian West, diretor financeiro da Boeing, disse em teleconferência com investidores que a multa de US$ 402 milhões antes de impostas foi em grande parte impulsionada pela “evolução dos requisitos do cliente” para o Sistema de Visão Remota (RVS) do avião-tanque, bem como interrupções na fábrica e na cadeia de suprimentos, incluindo problemas decorrentes da pandemia de COVID-19.

O RVS do KC-46, uma rede de câmeras e sensores que os operadores de lança usam para guiar a lança de reabastecimento em outras aeronaves, continua sendo um problema sério para a aeronave. Os usuários do sistema de visão original tiveram problemas, com sistema apresentando imagens distorcidas em determinadas condições de iluminação, o que torna perigoso o reabastecimento em voo.

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A Força Aérea e a Boeing decidiram em 2020 substituí-lo por uma versão redesenhada. No entanto, a USAF disse no início deste mês que ainda não aceitou o projeto completo do RVS 2.0, meses depois que a revisão do projeto estava originalmente prevista para ser encerrada. 

KC-46 C-5M
Um C-5M se aproxima de um KC-46A da USAF durante testes de REVO em 2020. Foto: Choustine Minoda/USAF

O presidente da Boeing, Dave Calhoun, disse na quarta-feira que a Força Aérea continua entusiasmada com o desempenho do KC-46.

“Não nos sentimos bem com [a cobrança] de forma alguma”, disse Calhoun. “Mas o avião-tanque hoje é um ativo incrível para nosso cliente e agora atende 70% das missões que foram planejadas no seu desenvolvimento. E nosso trabalho é continuar a entregar o avião-tanque e fazê-lo mais rapidamente à medida que avançamos”.

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O Comando de Mobilidade Aérea da USAF disse no início de janeiro que o desenvolvimento geral do RVS 2.0 continua dentro do cronograma. Contudo, decidiu manter a revisão aberta até descobrir como avançar na correção de riscos técnicos com o sistema visual panorâmico.

Boeing KC-46A Pegasus. Foto: Boeing.

Solicitada a descrever os requisitos em evolução dos clientes, a porta-voz da Boeing, Deborah VanNierop, disse que “continuava o desenvolvimento do RVS 2.0 para incluir o problema da tela panorâmica”.

A Boeing, que está em um contrato de preço fixo para o programa de rebastecedores, teve que pagar várias vezes desde 2014. Até o final de 2020, a Boeing pagou mais em custos excedentes (US$ 5 bilhões) do que o valor inicial de US$ 4,9 bilhões. do contrato. As últimas cobranças elevam esse total para mais de US$ 5,4 bilhões.

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Via Flightglobal e DefenseNews