Eurofighter Typhoon RAF Tu-160 Blackjack Rússia interceptação
Eurofighter Typhoon da RAF acompanhando o Tu-160 russo na sexta-feira. Foto; RAF.

Dois bombardeiros Tu-160 Blackjack da Rússia foram interceptados por caças da OTAN durante um voo de longa duração na sexta-feira (12). Jatos de combate da Inglaterra, Noruega e Bélgica foram despachados para acompanhar os aviões russos. 

Nas suas redes sociais, a Força Aérea Real Britânica publicou imagens da interceptação. A RAF informou que os caças Typhoon FGR.4 decolaram das bases de Coningsby e Lossiemouth. Os Typhoons também receberam suporte de um Voyager (A330 MRTT) da base de Brize Norton. 

A Força Aérea Belga enviou dois de seus F-16 MLU para acompanhar os bombardeiros supersônicos da Rússia. Nas redes sociais, a Belgische Luchtmacht informou que os Tu-160 estavam sendo escoltados por caças da Noruega e que os aviões estavam voando em direção à Holanda. 

Segundo o Comando Aéreo da OTAN, a operação começou quando um P-3C Orion detectou um grupo de aeronaves russas. Além dos bombardeiros, a OTAN identificou um reabastecedor Il-78 Midas.

“Enquanto a maior parte do grupo retornou à Rússia, dois bombardeiros Tu-160 Blackjack continuaram a voar para o sul, sobre o Mar do Norte”, informou a Aliança. O Centro de Operações Aéreas Combinadas da OTAN em Uedem, na Alemanha, coordenou as interceptações.

Ainda de acordo com a OTAN, os bombardeiros russos não contataram os controles de tráfego aéreo, nem forneceram planos de voo ou transmitiram códigos de transponder, representando um risco potencial para voos civis. Por outro lado, as aeronaves não adentraram o espaço aéreo de nenhum país e as interceptações foram seguras e profissionais.

Escalada de Tensões na Europa

Em comunicado, o Ministério da Defesa Russo informou que dois Tu-160 realizaram um voo programado sobre águas neutras do Mar de Barents, Mar do Noruega e Mar do Norte. A pasta informou que o voo teve uma duração total de 15 horas e que os bombardeiros foram escoltados por caças MiG-31 da Frota do Norte. 

“Todos os voos de aeronaves das Forças Aeroespaciais Russas são realizados em estrita conformidade com as regras internacionais para o uso do espaço aéreo”, disse o Ministério da Defesa russo em um comunicado.

As interceptações de sexta-feira ocorrem em meio a uma escalada de tensões na Europa. Na quinta-feira (11), um RC-135W da RAF foi interceptado por um Su-30. A aeronave britânica estava se aproximando da Crimeia, uma península ucraniana que foi anexada pela Rússia em 2014. 

No dia seguinte, o Ministério da Defesa afirmou que monitorou voos de reconhecimento de um U-2S e um RC-135s, ambos da USAF, três P-8 Poseidon da Marinha dos EUA, um C-160G Gabriel da França. As operações ocorreram nas porções central e noroeste do Mar Negro. 

Ainda na quinta-feira, dois Tu-160 patrulharam o espaço aéreo de Belarus, acompanhados por dois caças Su-30SM daquele país. No voo de 4h36, os bombardeiros russos cobriram uma área de 3000 km. 

Belarus e Polônia estão em atrito por conta de uma crise de refugiados na fronteira dos dois países. Milhares de imigrantes vindos do Oriente Médio tentam chegar à Polônia através da fronteira belarussa, buscando refúgio na União Europeia. 

A situação se escalou ainda mais quando a Polônia enviou tropas para a região, a fim de conter os refugiados. O contingente militar polonês já atinge o número de 15 mil soldados. O premiê da Polônia, Mateusz Morawiecki, afirmou que a crise é um “terrorismo estatal”. Em Varsóvia, líderes acreditam que Moscou estaria por trás da crise, afirmando que serviria como um pretexto para o envio de tropas para o país vizinho. 

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