Breeze Airways: Como Neeleman quer começar “grande” nos EUA?

Muitas companhias aéreas começam com pequenos passos no mercado, mas este não parece ser o caso da Breeze Airways, a nova empresa de David Neeleman, conhecido por ter fundado diversas companhias aéreas (e ser acionistas de outro montante).

A Breeze Airways começou encomendando 60 aviões Airbus A220, e devido ao prazo de entrega, a companhia fez um acordo com a Azul, onde Neeleman é o maior acionista em pessoa física, para arrendar 28 aviões da família E-Jet, fabricados no Brasil pela Embraer.

O E-Jet é um avião que Neeleman conhece bem, ele utilizou a aeronave na JetBlue, e quando fundou a Azul em 2018 transferiu algumas unidades de lá para possibilitar o “início” da companhia no Brasil. Barato no mercado de usados, o E-Jet pode ser bastante lucrativo se a empresa descobrir como utilizá-lo, é um sucesso na Europa e nos EUA.

Compromissado com pelo menos 88 aviões, podemos dizer que os planos de Neeleman nos EUA, o mercado mais desenvolvido de aviação no mundo, é bem ambicioso.

A proposta de Neeleman não difere muito da JetBlue, ele ainda quer fazer mais por menos. Entregar mais conforto com uma passagem mais barata, em comparação com as quatro grandes (American, Delta, United e Southwest).

Mas vamos parar de enrolação na matéria, e prosseguir com os pontos chaves que a Breeze pode se destacar:

  1. Sabemos no momento que a empresa quer operar no modelo de baixo custo de operação, esse é um método para conseguir baixas tarifas, visto que a companhia consegue ter melhores margens frente aos concorrentes. Neeleman usou esse método na JetBlue e Azul, se bem que nessa última conseguimos encontrar como vantagem o lucro, em um mercado que é difícil trabalhar no verde.
  2. Juntamente com o conceito de baixo custo está o uso de aeronaves com baixo consumo de combustível, enquanto as companhias aéreas dos EUA ainda utilizam aviões de geração antiga. Neste ponto a Breeze ganha uma margem ainda maior para trabalhar.
  3. Ao mesmo tempo a Breeze deve obter uma receita através de taxas, como a marcação de um assento ou o despacho de bagagem, mas diferente das outras companhias, a Breeze só deve cobrar por um assento “conforto” quando este realmente for de outra classe, ao contrário da Basic Economy, que está ficando popular nos EUA, e sequer dá direito ao passageiro de transportar uma bagagem de mão.
  4. O treinamento dos comissários é primordial para uma boa imagem da empresa perante aos passageiros, visto que eles são “a linha de frente”. Podemos esperar uma boa aposta da empresa nesse ponto, visto que a generosidade dos comissários de bordo é a essência para a companhia ser identificada como uma boa empresa para viajar.
  5. Uma aeronave mais silenciosa passa uma maior sensação de conforto aos passageiros, neste ponto os novos A220 ajudarão a companhia.
  6. Investir em rotas diretas, a partir de destinos secundários. Neste ponto Neeleman já afirmou que é uma meta da empresa, visto que muitas companhias exigem que você passe pelo hub, para então prosseguir com seu voo. Podemos esperar vários focus-city na Breeze.
  7. Assim como foi na JetBlue e na Azul, o marketing é necessário para criar a imagem da companhia, e nos Estados Unidos isso é fácil de fazer. Neeleman precisará concorrer com empresas que ele já foi acionista, como a JetBlue e a Southwest, que tem expertise de marketing.

São várias características que a nova empresa de Neeleman precisará ter para desbancar concorrentes bem mais fortes, apesar disso, é complicado categorizar a Breeze como Start-up, mas é possível indicar que seja uma companhia com bons conceitos, e consiga forçar as grandes a reduzir suas passagens, ou melhorar o conforto a bordo.


Complicado mesmo será concorrer com a JetBlue, se Neeleman escolher os mesmos hubs.

 

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