Arquivo Pessoal

O Tenente-Brigadeiro do Ar Clóvis Pavan completa 100 anos na segunda-feira (13). Nascido na cidade de São Paulo (SP), o Oficial-General foi declarado Aspirante a Oficial na Escola de Aeronáutica, em 1944, onde foi Instrutor e, mais tarde, assumiu o Comando Corpo de Cadetes da Aeronáutica. Em 1966, Pavan voou no BAC Lightning biposto, um dos mais famosos caças da Força Aérea Real (RAF). 

Além disso, destaca-se como o Oficial que mais tempo atuou ao lado do Marechal do Ar Eduardo Gomes, consagrado Patrono da Força Aérea Brasileira (FAB). 

Durante sua carreira, o Oficial-General ganhou visibilidade nacional e internacional por conta de suas experiências, realizando diversas missões e ocupando importantes cargos, dentre eles como Comandante da Base Aérea de Brasília, da Academia da Força Aérea (AFA) e do Quarto Comando Aéreo Regional (IV COMAR), além de ter assumido como Vice-Chefe do Estado Maior da Aeronáutica (EMAER) e Diretor-Geral do Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento da Aeronáutica até 1983, quando passou para a reserva.

FAB/Divulgação

Atualmente reside em São Paulo, pai de três filhos (Fábio, Márcio (falecido) e Ana)  e avô de três netos (Bruno, Renato e Taus), o Brigadeiro mora com sua filha Ana e tem como vizinho seu filho Fábio que segundo ele, o sentimento é de alegria por ter a oportunidade de ver o pai completar 100 anos, especialmente por estar bem tanto mentalmente como fisicamente, na presença e com o apoio da família. “Nesta fase da vida ele considera que cada dia vivido a mais é uma vitória e comemora quase que diariamente de forma simplória, com meia taça de vinho e duas fatias de pão com manteiga”, conta o filho. 

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Experiência e missões do Brigadeiro Pavan

O Brigadeiro atuou em diversas missões pela FAB. Dentre as mais relevantes, destaca-se uma visita oficial a Inglaterra, em setembro de 1966. Para comemorar seu aniversário, em 13 de setembro, à época como Coronel, foi convidado pela Royal Air Force (RAF), a voar a aeronave BAC (antes English Electric) Lightning, único vetor britânico capaz de atingir Mach 2, o que levou o militar a sensação de subir como se estivesse “a bordo de um foguete”, tornando-o assim o primeiro brasileiro a ultrapassar duas vezes a barreira do som. 

Desenvolvido como um caça-interceptador, o Lightning impressionava pela sua aceleração e taxa de subida, mas tinha pouca autonomia. Outra característica que chamava atenção eram os dois motores turbojato Rolls-Royce Avon montados um sobre o outro, bem como os tanques de combustível externos que eram carregados por cima das asas. Com mais de 330 unidades fabricadas, o Lightning esteve em serviço com a RAF, Força Aérea do Kuwait e Força Aérea Real Saudita. 

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Outra missão destaque na carreira foi com o Presidente da Câmara dos Deputados, à época, Café Filho. Ainda como Tenente, Pavan fora designado como piloto a transportar a autoridade até Foz do Iguaçu (PR), para uma visita oficial. Na ocasião, Café Filho havia assumido outro compromisso, de estar na manhã do dia seguinte, em Assunção, capital do Paraguai, com o Presidente Alfredo Stroessner Matiauda. O tenente explicou ao deputado que, por estarem a bordo de uma aeronave militar, necessitaria solicitar autorização ao Ministério da Aeronáutica.

Porém, como naquela época as comunicações eram precárias, não houve tempo hábil e o voo foi feito sem a devida autorização. No retorno ao Rio de Janeiro (RJ) foram recebidos pelo então Brigadeiro Eduardo Gomes, que após despedir-se do Deputado Café Filho, deu ordem de prisão ao Tenente Pavan pelo fato ocorrido na missão. Ao ter conhecimento da prisão, Café Filho visitou o tenente e pediu desculpas pelo inconveniente e assumiu o compromisso de fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para excluir o registro daquela prisão de seu prontuário.

No ano seguinte, com o falecimento do Presidente Getúlio Vargas, Café Filho assume a Presidência da República e convida o Brigadeiro Eduardo Gomes para assumir o então Ministério da Aeronáutica. Em seu primeiro despacho com o Presidente, o Brigadeiro Eduardo Gomes se dirige ao Palácio do Catete acompanhado de seu Ajudante de Ordens, o já Capitão Pavan.

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Ao chegarem ao Palácio, foram recebidos pelo próprio Presidente, que após cumprimentar o Brigadeiro Eduardo Gomes, dirigiu-se ao Capitão Pavan e questionou: “Capitão, aquele nosso assunto já foi resolvido?” Rapidamente, respondeu: “Sim senhor, Presidente”. Ao longo de todos os anos que serviram juntos, o Brigadeiro Eduardo Gomes nunca perguntou e nem o Capitão Pavan disse que assunto era aquele entre o Presidente da República e um Capitão da Aeronáutica, comprovando o nível de confiança que o Brigadeiro havia adquirido em relação ao seu subordinado.

Via Força Aérea Brasileira

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