Nesta última quarta-feira (09/05), o co-piloto do Voo 254 da Varig, Nilson de Souza Zille, que caiu na rota de Marabá para Belém, ambas cidades do Pará, realizou uma palestra para alunos de um curso de aviação civil em Brasília.

Durante a Palestra o co-piloto passou por alguns assuntos obscuros sobre o Voo 254, e relatou detalhes que ele chama de “ignorância e prepotência” do comandante Cezar Augusto Pádula Garcez, conhecido na aviação como “comandante Garcez”, resultando na morte de 12 passageiros e em 42 feridos.

De acordo com Zille, houve um erro do comandante durante o voo, ao se declararem perdidos ao controle de tráfego aéreo o co-piloto ressaltou ao Garcez que em sete ocasiões anteriores os pilotos erraram devido ao plano de voo, mas os pilotos reconheceram o problema e prosseguiram para Marabá, de depois para Belém.

“Ele passou uma informação para o controle de Belém dizendo que teve uma desorientação cartográfica. Quando olhei, vi que não tinha pane nos instrumentos. Tinha acabado de completar 1 ano de Varig. Tive medo.”, disse Zille, co-piloto do voo 254.

Depois de uma investigação, que foi liderada pela aeronáutica, um erro no plano de voo indicava a direção de proa magnética “270” na bússola, ao invés de “027”, o erro era causado pela forma que a Varig descrevia as coordenadas da bússola na época, com um “0.”, escrevendo o número 027 como 0.270, levando ao entendimento dos pilotos que os três dígitos formavam 270.

Depois de uma hora de voo o comandante não conseguiu achar Belém, e entrou em contato com o controle de tráfego aéreo para confirmar as informações, na época a cobertura de radar não era otimizada como nos dias atuais, e os controladores não conseguiram guiar a aeronave com base na sua posição, e nem questionaram o desvio durante a rota.

O comandante Garcez poderia retornar à Maraba, visto que a aeronave saiu com mais de três horas de autonomia de voo, enquanto só tinha voado por cerca de uma hora. O retorno foi sugerido pelo co-piloto, mas o comandante decidiu continuar procurando Belém, assumindo que houve um erro dos instrumentos, mesmo com o co-piloto negando isso.

O acidente fez a Varig mudar a forma que fazia os seus planos de voo, e também exigiu que a FAB aumentasse a cobertura radar na região norte.

Para o co-piloto Nilson de Souza Zille, a palestra em Brasília foi importante para orientar os novos pilotos sobre o reconhecimento do seu próprio erro, ou de um erro causado por terceiros e que pode terminar em um acidente.

“Estarei à frente de aspirantes a comandantes. Algum dia, eles vão se sentar à esquerda de uma cabine, com o poder da decisão. É importante que eles possam ver que quando alguém aceita o erro pode reverter uma situação”, disse ele.

 

Via – G1.com