CEO da Embraer diz que a fabricante não tem interesse de vender parte comercial e foca no novo turboélice

O novo CEO da divisão de aviões comerciais da Embraer tomou posse em junho desse ano, pouco depois do fracasso no acordo entre Boeing e Embraer.

Arjan Meijer, afirmou hoje(25/11) que a fabricante não tem mais interesse em vender sua divisão comercial, além disso está focada em novos projetos para fortalecer a área comercial da Embraer.

Arjan Meijer possui dois grandes obstáculos que terá de enfretar de agora em diante, são eles, a crise da Covid-19 e a renovação área comercial da Embraer. A crise causada pelo Covid-19 fez o número de entregas ser muito abaixo do esperado para 2020, ano que a aviação estimava continuar com o crescimento dos números em vários aspectos.

Até esse mês de novembro, a Embraer entregou apenas 16 jatos comerciais. Tendo a Azul Linhas Aéreas como principal cliente do E195-E2. Além disso, Arjan Meijer tem de lidar com os novos desafios da Embraer agora sem o acordo com a Boeing, que foi desfeito esse ano depois de quase 2 anos de trabalho.

O CEO participou de um encontro online sobre aviação e disse como está a situação atual da fabricante brasileira:

“Temos muitas dúvidas sobre o negócio com a Boeing para quem a Embraer vai vender o departamento de aviação comercial. Deixe-me tirar isso do ar agora: a aviação comercial não está à venda. Está fora da janela da loja. Decidimos integrá-lo novamente à Embraer. Agora somos uma organização. Então, a comercialização não vai ser vendida, mas estamos procurando parceiros nos programas ”.

 

Novo projeto de Turboélice

A Embraer olha com bons olhos um novo projeto de aeronaves, para ampliar seu portfolio de aeronaves no segmento regional. A fabricante fez uma estimativa de 2.320 aeronaves turboélices entregues entre 2019 e 2039. Entretanto, agora com a crise, esse número deverá diminuir porém ainda será vantajoso.


“Achamos que haverá um bom mercado nos próximos dez anos para turboélices, na faixa de 70 a 100 assentos. Poderíamos trazer um turboélice para o mercado, que seria mais eficiente do que a concorrência, teria um perfil de ruído muito melhor e uma apreciação dos passageiros muito melhor. O caso está definitivamente aí ”, disse Meijer.

Em um mercado dominado amplamente pela ATR, a Embraer ainda tem planos no papel mas antes de qualquer passo em diante a construção, a fabricante está em busca de um parceiro para o projeto.

“Acho que também há uma grande base de clientes que adoraria trabalhar com a Embraer se formos para o turboélice (mercado). Teremos que ver o que o futuro traz. O primeiro passo para nós é procurar um parceiro que queira fazer isso conosco.”  

Meijer ainda citou a Mitsubishi como uma potencial concorrente, o CEO se diz triste com a situação da fabricante japonesa, em relação aos atrasos no projeto. Ele espera que a Mitsubishi, assim que colocar seu avião em operação vai ser um concorrente direto com o brasileiro E175-E2. 

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