Em 2017, a Associação COBRUF uniu 4 Gerações de sonhadores e pioneiros, representando 7 Parceiros, 25 Equipes, 15 Estados e mais de 200 pessoas, por um mesmo ideal para o Brasil: O direito de voar mais alto.

Muito mais do que uma das competições mais avançadas do mundo, a Cobruf 2017, realizada no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) — um dos mais bem localizados centros de lançamento profissional do planeta — , inspirou os presentes a se unirem pelo ambicioso desafio de desenvolver tecnologias que contribuam efetivamente com a vanguarda da exploração espacial.

Foto – COBRUF

Confira abaixo o legado que a primeira edição oficial da Competição Brasileira Universitária de Foguetes deixa para o país.

Do início ao fim do evento, todas as atividades da Cobruf Rockets 2017 focaram em instigar as equipes universitárias de foguetes avançados a focarem seus desenvolvimentos não apenas em competições de foguetemodelismo, mas também no acesso profissional ao espaço. Como destacado durante o evento pelo presidente da Associação COBRUF, Emersson Nascimento: “O objetivo do foguetemodelismo universitário avançado no Brasil deve ser, primariamente, o acesso ao espaço. Não pode ser menos do que isso. Unidos, conseguiremos.”

Neste intuito, apresentações da Associação COBRUF, da NASA, da Missão Lunar Brasileira (Garatea-L) e do CLBI ensinaram sobre ciência e tecnologia envolvidas com missões espaciais profissionais. Os seguintes tópicos foram abordados durante o evento:

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Além disso, a COBRUF e o CLBI promoveram uma visita técnica às principais instalações do centro de lançamento profissional. Na visita, os estudantes puderam aprender com os técnicos e engenheiros do centro espacial sobre os principais sistemas, técnicas e desafios para lançamento e rastreamento de veículos espaciais.

Com isso, busca-se induzir ativamente as equipes universitárias de foguetes avançados a desenvolverem ciência, tecnologias e empreendimentos já adaptados à infraestrutura de lançamento profissional que o Brasil possui e a suprirem os desafios tecnológicos que o país enfrenta para viabilizar sua exploração espacial.

 

Compartilhando as estrelas

Foto – COBRUF

Há certas experiências que apenas a Cobruf Rockets proporciona.

Nesta edição, a missão Cobruf Rockets 2017 dividiu o CLBI com a missão Ariane Flight VA239, da Agência Espacial Européia, para rastreamento pelo CLBI do Ariane 5 ECA, lançado da Guiana Francesa, para inserção orbital dos satélites Intelsat 37e & BSAT-4a.
Graças à aproximação única entre os estudantes e o CLBI, providenciada pela Associação COBRUF, diversos participantes puderam visitar o radar de rastreamento da Barreira do Inferno e aprenderam sobre seus sistemas e operação.

Em seguida, assistiram o lançamento do foguete europeu, do prédio do mesmo radar que o estava rastreando.

No passado, este mesmo radar foi utilizado para rastrear a missão Rosetta, que entrou para os livros de história por fazer a primeira espaçonave pousar em um cometa. Na época, esta missão contou com a participação do Eng. Lucas Fonseca, que hoje lidera a Missão Lunar Brasileira, e também esteve presente no evento.

Na Cobruf Rockets, o espaço não é tão distante.

 

Pioneirismo, Avanço Tecnológico e Democratização do Setor Espacial

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Para a maioria dos presentes, a Cobruf Rockets foi o primeiro contato real com o setor espacial brasileiro e internacional. Grande parte do Programa Espacial Brasileiro e suas oportunidades se concentram em poucas regiões do Brasil, o que dificulta a captação de talentos para a área. O pouco contato entre aqueles que trabalham no setor e os grupos aeroespaciais universitários pelo país também gera um abismo técnico e ideológico entre ambos os seguimentos.

Como forma de contribuir na resolução deste desafio, a COBRUF coordenou 16 equipes na maior cooperação tecnológica universitária do mundo para desenvolvimento de tecnologias educacionais de exploração espacial: a Cooperação Tecnológica Nacional da COBRUF. Além disso, a Cobruf Rockets 2017 incentivou a criação de equipes mistas, formadas pela cooperação entre duas ou mais universidades.

As equipes presentes também deram um show! Durante a dinâmica de integração de equipes no evento, os estudantes ajudaram uns aos outros, compartilharam suas experiências com falhas e sucessos e trocaram conselhos sobre os melhores meios para fortalecer a segurança, o crescimento e a excelência de cada grupo para o bem do país.

Com esses esforços somados e a moderna arquitetura do evento, antenada às tendências aeroespaciais internacionais e às necessidades brasileiras, a Cobruf 2017 deu voz à nova geração de estudantes aeroespaciais e promoveu inúmeros pioneirismos que acelerarão o desenvolvimento aeroespacial brasileiro.

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Com isso, a COBRUF foi capaz de estimular a formação de eixos de colaboração tecnológica por todo o Brasil. Espera-se que, fortalecendo-se as colaborações, novos eixos de excelência em pesquisa e desenvolvimento aeroespacial se consolidem pelo país, democratizando o acesso ao setor espacial e impulsionando seu avanço tecnológico.

A COBRUF também irá compartilhar os trabalhos técnicos pontuados na competição e, com o auxílio de seus Grupos Cooperadores, buscará ensinar as equipes brasileiras a reproduzirem o Foguete-Padrão 2 da COBRUF e a Base Lançadora da COBRUF, no intuito de auxilia-las a produzirem tecnologias ainda mais avançadas em um futuro próximo.

 

Inspiração, Persistência e Sacrifício

Foto – COBRUF

Somos frutos de nosso tempo e nosso tempo é fruto dos nossos sonhos. Por isso, é imperativo que nossa geração reconheça que se estamos aqui hoje para falarmos do futuro, é porque grandes homens e mulheres estiveram lutando por muito tempo antes de nós pelo direito à exploração espacial. Luta que, na maioria das vezes, foi sem o devido reconhecimento, sem as devidas condições e sem o devido apoio.

Em meio a maior crise ética e econômica da história do Brasil, estavam grandes homens e mulheres entre os presentes na Cobruf 2017 e entre todos aqueles que, desde 2012, a ajudaram a ocorrer. Estes sonhadores e pioneiros sacrificaram seus domingos e folgas, sacrificaram seu desempenho acadêmico, sacrificaram muitas vezes a própria saúde e conforto.

Estes sonhadores e pioneiros, mesmo quando desafiados por grandes adversidades e perdas pessoais, como universidades em greve ou sem recursos, um partir de pessoas queridas ou uma falta de apoio, não perderam sua resolução, não perderam sua fibra, não perderam sua determinação.

Com a realização bem sucedida da Cobruf 2017, a Associação COBRUF segue com o próximo passo de seu plano para impulsionar a exploração espacial pelo Brasil: a consolidação das Competições Aeroespaciais Cobruf como as mais avançadas e mais influentes do mundo na contribuição para a solução de grandes desafios do mercado espacial internacional.

Para tanto, os regulamentos da próxima edição da sua competição de foguetes avançados, bem como das versões teste das suas competições de trajes espaciais, drones, rovers, minissatélites e submarinos espaciais, estão sendo elaborados. Dentre os temas que serão focados nas próximas Competições Aeroespaciais Cobruf, estão:

  • Pouso de Precisão de Veículos Espaciais.
  • Medicina Espacial.
  • Produção automatizada de oxigênio, água e combustível em ambiente marciano.
    Sistemas espaciais de comunicação e transmissão de dados.
  • Astrobiologia de Mundos Oceânicos.
  • Aplicação robótica, de drones e rovers, na exploração e colonização de Marte.
  • Tecnologias aeroespaciais que também tenham aplicações em outras indústrias, como medicina, aeronáutica, automobilismo, energia, educação, ambiente e agropecuária.

A intenção da Associação COBRUF é oficializar um acordo de mútua cooperação com o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal-RN, para que todas as competições sejam realizadas neste centro espacial de importância crítica para o Programa Espacial Brasileiro. As negociações foram iniciadas em 2016 e estão em fase avançada.

Paralelo a isso, a Associação COBRUF estuda a possibilidade de coordenar uma nova Cooperação Tecnológica COBRUF, de alcance nacional ou internacional, para desenvolvimento de seu Foguete-Padrão Avançado (FPA), visando apogeu igual ou superior a 20 km de altitute. O veículo terá finalidade educacional.

Graças à audaciosa iniciativa da Associação COBRUF, à excepcional parceria do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno e à inabalável determinação dos grupos universitários brasileiros de foguetemodelismo avançado, o sonho começou. Unidas na Cobruf 2017, 4 gerações de sonhadores e pioneiros foram capazes de provocar a mais preciosa e irremediável ideia que surge como um sussurro inabalável em nossas mentes: a ideia de que o impossível não seja um limite, mas um desafio.

Lista de campeões.
Lista de menções honrosas.

Via – Cobruf