Aeroporto de Brasília ITA Itapemirim

Com muita expectativa, o dia 1º de Julho de 2021 chegou, logo após um dia repleto de grandes emoções nas primeiras operações da mais nova companhia aérea brasileira, a ITA Transportes Aéreos ou simplesmente Itapemirim.

Devido há alguns problemas em seus sistemas, a Itapemirim nos pediu para chegar cedo ao Aeroporto e emitir nossos bilhetes. No caso deste redator, o voo partiria de Brasília com destino a São Paulo no Aeroporto de Guarulhos operando o voo 8I 5705.

Longe de tentar puxar o passado de volta, mas o layout do site da ITA se assemelha muito a simpática Webjet, bem como o número do voo me fez ter uma leve lembrança também.

O primeiro dia de operações é algo complicado, pois há muito o que ser mostrado e como dizem, a primeira impressão é a que fica. No caso da Itapemirim eu diria que a impressão foi mais da atenção e calma dos funcionários, que ficará marcada.

Inicialmente seriam três aeronaves cumprindo os voos desde dia 1º de Julho, porém uma delas teve problemas e não seguiu o cronograma. Com tudo já previamente organizado, a companhia aérea teve de dar ‘as caras’ e cumprir todos os voos possíveis, apenas três voos foram cancelados aparentemente porém muitos tiveram atrasos, algo normalizado a partir do 2º dia de operações

Logo no primeiro dia de operações regulares, os funcionários tiveram de lidar com uma situação nada agradável. Ainda com tudo parecendo dar errado, as equipes de Brasília e São Paulo prestaram um excelente atendimento, sempre informando aos clientes a situação real e com extrema empatia e educação.

Poucos passageiros nestes voos que este redator realizou se mostraram impacientes ou irritados com a situação, estavam em seus direitos, porém sem qualquer tumulto ou algo semelhante.

O voo 5705 partiu com um atraso de três horas aproximadamente pelo portão 28, o Airbus A320 de matrícula PS-SPJ foi quem cumpriu a etapa até Guarulhos, partindo às 11h15. A aeronave de 16 anos estava com aspecto de nova e configurada para 162 assentos e me acomodei na saída de emergência no assento 12A.

A ocupação do voo foi de aproximadamente 80%, em boa parte foi um voo tranquilo e a tripulação muito agradável.

Ao chegar em Guarulhos por volta de 12h40, seguimos direto para a remota do Terminal 2 onde o desembarque foi realizado por fileiras seguindo os protocolos de saúde da Covid-19, importante lembrar que seguindo as determinações da Anvisa, não houve serviço de bordo que está suspenso.

 

 

Veja nossa avaliação dos voos da Itapemirim em vídeo

 

Primeiro trecho: Brasília – Guarulhos

O primeiro trecho do dia foi entre o Aeroporto de Brasília e Guarulhos, com destino a grande São Paulo, e como citado anteriormente, o Airbus A320 de matrícula PS-SPJ foi o responsável pela realização desse voo.

Curiosamente este foi o mesmo avião que operou o primeiro voo com passageiros a bordo, no dia 29 de junho. Porém, desta vez estava transportando passageiros pagantes.

Compartilho conjuntamente algumas opiniões sobre o conforto a bordo do nosso editor Pedro Viana, na operação realizada no dia 29 de junho.

O PS-SPJ está equipado com o mesmo interior utilizado pela Vueling, porém, com a configuração da Itapemirim para 162 assentos. Por aqui encontramos assentos do tipo Slim, com conforto bem similar ao utilizado pela GOL nos seus aviões, e pela Azul no A320neo e no E195-E2.

Porém, estes não são equipados com apoio regulável para a cabeça, muito menos sistema de entretenimento a bordo (assim como o PS-AAF). No bolsão à frente existe o famoso Safety Card (foto abaixo) e uma revista da Itapemirim.

Abaixo dos assentos à 4 saídas USB de carregamento rápido para cada fileira de três assentos. É uma boa quantidade, mas para aqueles que usam notebook é possível sentir a falta das tomadas 110V.

A mesinha é bem diferente do padrão que encontramos em outras companhias, mas é somente no PS-SPJ e seus assentos da Vueling. Tudo isso se compensa em espaço para as pernas, principalmente para os mais altos.

Foto: Pedro Viana/Aeroflap

Interessante notar que, apesar da idade, a Digex aproveitou bem o período desse A320 no solo do Aeroporto de São José dos Campos, antes de iniciar as operações.

Por dentro a aeronave realmente não aparenta ter 15 anos de uso, as capas dos assentos estão novas, nos painéis de acabamentos não há arranhados, os bins estão bem novos e sem marcas de malas, o carpete do chão também está sem aspecto de uso, como novo de fábrica.

No entanto, esse padrão de assento e conforto pode mudar de acordo com a aeronave, visto que a Itapemirim está reaproveitando os assentos para agilizar a entrada dos aviões na frota. O 3º e o 5º avião da frota (PS-TCS e PS-ITA) estão com assentos mais confortável, e o PS-AAF tem reclinação.

 

Segundo trecho: Guarulhos – Rio de Janeiro (GIG) – Brasília

Com poucas aeronaves ainda à disposição no primeiro dia de operações, tivemos de esperar o Airbus A320 PS-AAF chegar de Porto Seguro para seguir viagem. Aguardávamos para embarque no portão 240, o avião chegou aproximadamente 19h10 e o desembarque foi realizado rapidamente.

Após todos os passageiros desembarcarem, a aeronave foi higienizada e preparada para a próxima pernada até Brasília com escala no Rio de Janeiro. Às 20h13 estávamos todos devidamente embarcados, neste trecho voei no assento 4A. Entretanto, ainda aguardamos uma documentação chegar para que o voo pudesse sair, a espera foi de quase 20 minutos.

Com o documento entregue ao Comandante, portas fechadas e pushback às 20h31. Rapidamente o PS-AAF taxiou até a pista 09L de Guarulhos e em menos de 20 segundos, potência total nos motores IAE que cantam bem e rumo ao Galeão.

O voo foi rápido, mal deu tempo de tirar um cochilo, às 21h15 já estávamos em descida para o Aeroporto Internacional do Galeão, o toque do A320 na pista foi exatos 21h33. Como era uma escala apenas, não precisei desembarcar, mas ainda sim toda a higienização e limpeza da aeronave foram feitas minuciosamente.

Em menos de 20 minutos, todos os passageiros com destino ao Rio de Janeiro estavam desembarcados e os com destino a Brasília e São Paulo devidamente acomodados. A ocupação desse voo foi de aproximadamente 70%.

Às 22h12 portas fechadas e foi iniciado o pushback, devido ao tráfego no momento de nossa partida, a decolagem aconteceu somente às 22h35. A Torre autorizou a nossa decolagem pela pista 15 de forma imediata, então nem o respiro antes de correr, o Airbus A320 alinhou e novamente deu potência em seus motores IAE.

Chegamos ao Aeroporto Juscelino Kubistchek à meia noite pousando pela pista 11L, encostamos no portão 20 para o desembarque de quem se destina à essa cidade.

 

Avaliação Geral da Itapemirim

No começo do relato coloquei que a primeira impressão que ficou devidamente marcada foi a dos tripulantes de cabine e de solo. Os funcionários foram um destaque a parte, apesar da “tempestade” nos dias 29 e 1º, a todo instante eles foram educados, simpáticos e também tiveram empatia ao lidar com toda a situação de atrasos e irritação de alguns passageiros.

A Itapemirim tem um ótimo produto a bordo, pois suas aeronaves são configuradas em 162 assentos permitindo espaço amplo de uma fileira à outra, igual em todos os assentos, além de poder levar uma bagagem de até 23kg sem pagar a mais por isso.

A empresa está no começo de suas operações, ainda virão outras aeronaves e tudo vai se ajustando aos poucos como é normal no começo de qualquer empresa aérea. Torcemos para que a Itapemirim se consolide entre as grandes, pois a proposta de integração entre avião e ônibus é muito interessante e poderá fazer com que muitas pessoas consigam viajar para lugares pouco explorados ou que não tenham estrutura de receber uma operação aérea.

Além disso, a empresa tende a ocupar o lugar deixado pela Avianca Brasil, que desde o seu fechamento prejudicou não somente aos passageiros por terem uma empresa a menos para viajar mas também aqueles que perderam empregos e sonhos. Que seja um startup para que outras empresas sejam criadas e a aviação possa retomar seus grandes voos novamente.

Agradecemos à Itapemirim pela oportunidade de vivenciar este primeiro dia, e esperamos estar em diversos outros.

 

Matéria produzida em colaboração entre os editor Gabriel Melo e Pedro Viana.

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