Como se define a matrícula de uma aeronave? Veja a importância dessa identificação nas aeronaves

Foto: Ícaro Roberto

Os aviões também tem placas? Entenda como são classificados.

Quando você fecha o negócio na concessionária para adquirir um automóvel zero quilômetro, a agência reguladora de trânsito só permite que aquele carro trafegue livremente após ser emplacado. A mesma coisa se aplica na aviação, tanto civil quanto militar.

Foto: Google

Tudo começou após a segunda guerra mundial, com a criação definitiva da ICAO em abril de 1947 durante a convenção de Chicago. O conselho adotou os primeiros padrões que se aplicariam nos países membros, em julho de 1949 foi oficialmente adotado esses padrões.

De lá pra cá os padrões sofreram atualizações e foram aprimorados. O anexo 7 da convenção de Chicago onde fala sobre Marcas de Nacionalidade e de Matrícula de Aeronaves, padroniza o tamanho, formato e posição da matrícula.

A nacionalidade deve ser identificada por um grupo de duas letras, e outro grupo de três a quatro letras formam a identificação chamada de matrícula.

Foto: Ícaro Roberto

No anexo 7 da ICAO, também fala que as letras devem ser fixadas na fuselagem no formato maiúsculo assegurando a durabilidade e aderência no mesmo grau que a aeronave foi pintada.

Foto: Ícaro Roberto

 

Prefixos Brasileiros

No Brasil, diferente dos demais países não é utilizado o BR para identificar o prefixo, devido a grande quantidade de aeronaves registradas no país, a ANAC juntamente a ICAO adotou ao longo do tempo alguns modelos de prefixos como podemos ver abaixo:


PR, PP, PT e recentemente o PS.

Foto: Ícaro Roberto

Aeronaves experimentais são registradas inicialmente com PU, exceto as aeronaves de grande porte da Embraer que são registradas com PT-X ou PT-Z.

 

Restrições de prefixos no Brasil

Quando o proprietário solicita a Anac uma reserva de matrícula, é analisado se esta seguindo a norma do anexo 7 da ICAO, e se esta seguindo uma diferença (norma estabelecida no país membro da ICAO) que restringe o uso de algumas combinações, que poderiam levar confundir controladores de voo ou ter problemas na dicção.

Palavras pejorativas ou siglas similares a procedimentos e equipamentos aeronáuticos também entram na lista de proibição como nos exemplos abaixo.

Combinações tipo “SOS”, “XXX”, “PAN”, “TTT”, “VFR”, “IFR”, “VMC”, PQP, e “IMC”

HB-PQP - Piper PA-18-150 Super Cub - Private
Foto: Kurt Greul – JetPhotos

Esse é um tipo de matrícula que poderia causar muita confusão se voasse no Brasil.

 

Aviação Militar no Brasil

Na Aviação militar é um pouco diferente da aviação civil, em sua grande maioria em todo mundo as aeronaves são identificadas por números ao invés de letras.

No Brasil, os aviões militares são prefixados de acordo com o tipo de serviço empregado e modelo como o exemplo abaixo:

Foto: Ícaro Roberto

Classificação da Força Aérea Brasileira

  • A – Aviação de ataque.
  • C – Aviação de transporte.
  • F – Aviação de caça (combate, interceptação, superioridade aérea).
  • H – Asas Rotativas.
  • K – Aviação de reabastecimento em voo.
  • L – Aviação de ligação e observação.
  • P – Aviação de patrulha.
  • R – Aviação de reconhecimento, alerta antecipado, sensoriamento remoto, levantamento aerofotogramétrico.
  • S – Aviação de busca-e-salvamento.
  • T – Aviação de treinamento.
  • U – Aviação de emprego geral (utilitário).
  • Z – planador.

Para aviões de funções múltiplas ou diferenciadas as siglas são:

  • AT – Aviação de treinamento com capacidade da ataque.
  • CH – Aviação de asas rotativas de transporte.
  • EC – Aviação de transporte modificado para cumprir missões eletrônicas.
  • EU – Aviação de emprego geral (utilitário) modificado para cumprir missões eletrônicas.
  • KC – Aviação de transporte equipado também como reabastecedor aéreo.
  • RC – Aviação de transporte equipado também para missões de reconhecimento.
  • RT – Aviação de reconhecimento e treinamento.
  • SC – Aviação de busca-e-salvamento em avião de transporte.
  • TZ – planador de treinamento.
  • UH – Asas rotativas de emprego geral.
  • UP – versão utilitária da aviação de patrulha.
  • VC – Aviação de transporte executivo.
  • VH – Asas Rotativas de transporte executivo.
  • XC – versão laboratório de aviação de transporte.

Agora que identificamos o emprego de cada aviação dentro da força aérea, abaixo segue a identificação de cada unidade pelo emprego.

  • 0 e 1 – Aviação de treinamento (AT, RT, T)
  • 2 – Aviação de transporte, reconhecimento ou emprego geral (C, EC, KC, R, RC, U, VC, XC)
  • 3 – Aviação de ligação e observação (L)
  • 4 – Aviação de caça (F)
  • 5 – Aviação de ataque (A)
  • 6 – Aviação de busca-e-salvamento (S, SC)
  • 7 – Aviação de patrulha (P)
  • 8 – seguido de algarismos diferentes de 0 e 1, asas rotativas (H, CH, TH, UH, VH)

 

Curiosidades sobre as matrículas

Curiosidade número 1: Na América Latina alguns aviões da Aeroméxico, Avianca Colômbia tem aeronaves registradas com prefixos americanos começando com N e tendo sequência de três números, finalizando com duas letras que remetem a companhia.

Isso se dá por altos impostos aplicados nos países que a aeronave ficará baseada, então a companhia juntamente com a empresa de leasing, registra a aeronave em outros países diminuindo taxas de documentações e permanência.

No Brasil, não é possível que a aeronave seja registrada em outro país para voar em território nacional. A ANAC tem um limite de permanência do avião em solo brasileiro, antes de começar a cobrar taxas.

Foto: Ícaro Roberto

Curiosidade número 2: Mesmo que a aeronave passe por algum check de manutenção e envolva a remoção da pintura, o equipamento terá de ter seu prefixo mantido de forma provisória e exposta na fuselagem até que seja concluído o check.

Foto: Ícaro Roberto

 

Artigo por Ícaro Roberto

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