Foto - Divulgação

(Reuters) – Companhias aéreas ao redor do mundo afundaram na crise nesta terça-feira com a epidemia do coronavírus levando ao fechamento da Itália, forçando cancelamentos de milhares de voos e levando ao adiamento de encomendas de aviões.

Algumas empresas enfrentam situações duras. A Korean Air alertou que a epidemia pode ameaçar sua sobrevivência após ter que suspender mais de 80% de sua capacidade internacional deixando em solo 100 de seus 145 aviões.

“A situação pode ficar pior a qualquer momento e não podemos nem prever quanto tempo esta situação vai durar”, disse Woo Kee-hong, presidente da Korean Air, maior aérea da Coreia do Sul, em carta a empregados sobre as turbulências geradas pela epidemia.

Foto – Divulgação

A australiana Qantas Airways também cortou capacidade internacional em quase 25% nos próximos seis meses e adiou uma encomenda de jatos A350, da Airbus, por causa da queda na demanda que a indústria de aviação estimou que pode atingir a receita do setor em até 113 bilhões de dólares neste ano.

A Qantas afirmou que não pode mais dar estimativas sobre o impacto financeiro da epidemia neste ano fiscal, que em 20 de fevereiro tinha previsto em até 98 milhões de dólares no lucro antes de impostos (Ebit).

O presidente-executivo e o presidente do conselho de administração da empresa não receberão salário, gestores não terão bônus e todos os funcionários estão sendo encorajados a tirar licenças pagas ou não remuneradas.

Aeroporto de Atlanta – Hartsfield Jackson

As aéreas norte-americanas American e Delta suspenderam suas projeções de desempenho para o ano e tomaram medidas mais rigorosas para combater os impactos do coronavírus.


A Delta afirmou que está vendo as reservas líquidas recuarem entre 25% e 30% e espera que a situação se deteriore adiante. A empresa congelou contratações de pessoal e está oferecendo opções de licenças para os funcionários.

“Este claramente não é um evento de cunho econômico”, disse o presidente-executivo da Delta, Ed Bastian, em conferência da indústria. “Este é um evento marcado pelo medo, provavelmente mais semelhante ao que vimos no 11 de setembro (de 2001, após ataques aos EUA).”

 

Itália fechada

Foto: Agência Brasil

O fechamento sem precedentes de toda a Itália, país mais atingido pela epidemia na Europa, contribuiu para acrescentar mais desafios ao setor aéreo global.

Norwegian Air, British Airways, easyJet, Wizz Air e El Al Israel Airlines cortaram voos para e a partir da Itália, onde o número de infecções atingiu 9 mil pessoas e o número de mortes subiu a 460. A Latam Airlines anunciou na semana passada a suspensão de voos entre São Paulo e Milão até 16 de abril, citando baixa demanda. A Azul está reembolsando passageiros que desistirem de viagens com origem ou destino na Itália.

A Ryanair cortou previsão de demanda para o ano que se encerra em maio em 3 milhões de passageiros, como resultado direto da suspensão de quase todos os voos para e a partir da Itália em abril.

O analista de aviação Mark Simpson, da Goodbody, afirmou que outra grande preocupação da indústria é se a epidemia de coronavírus pode piorar na Espanha, outro popular destino de viagens de férias na Europa. A Espanha registra mais de 1.200 casos confirmados de coronavírus.

A Air France afirmou que espera cancelar 3.600 voos em março, incluindo corte de 25% de sua capacidade europeia.

 

DEIXE UMA RESPOSTA