Confira como foi realizar um voo sem escalas de Londres até Sidney

A Qantas Airways realizou na última quinta-feira (14/11) mais um significativo voo do Project Sunrise, cumprindo sem escalas um voo entre Londres e Sidney, na Austrália.

O voo foi cumprido por uma aeronave Boeing 787-9 (VH-ZNJ), com a pintura relativa ao centenário da empresa, recém-entregue pela fabricante norte-americana, que antes cumpriu um voo de Everett para Londres, com finalidade de cumprir essa rota logo na entrega da aeronave.

Rota realizada pela aeronave.

No total o voo durou 19 horas e 19 minutos, partindo às 00h10 de Londres, no dia 14, e pousando às 12h28, do dia 15, em Sidney. Os horários são locais.

O voo direto é capaz de reduzir o tempo total da viagem em duas horas, em comparação com a ligação direta da Qantas.

 

Experiência de um jornalista da Reuters

Jill Gralow, um jornalista da Reuters, já voou muitas vezes em rotas intercontinentais, porém essa foi especial para ele, por ser um experimento científico da companhia com passageiros a bordo.

De acordo com Gralow, antes de embarcar no voo ele esperava um exercício de resistência, mas não bife no café da manhã e um regime de exercícios físicos.


Tudo começou com o nascer do sol de Londres e um jantar de manhã cedo, seguido de luzes apagadas quando foi adotado imediatamente o horário de Sydney, parte do regime elaborado por uma equipe especializada para convencer os relógios do corpo a dar o salto de 11 horas.

Isso significava um sanduíche de bife e sopa, em vez do café da manhã esperado. Ele recusou o vinho servido pela companhia.

Então, após o blecaute de oito horas e um café da manhã com pimenta – para aumentar o metabolismo, Caillaud, um fisiologista da Universidade de Sydney, conduzia regularmente sessões de alongamentos e agachamentos, realizados nos corredores com graus variados de entusiasmo pelos passageiros.

Além de aumentar a atenção, o exercício a bordo também é fundamental para reduzir o risco de trombose venosa profunda em um voo tão longo.

O interior oferecerá um “produto muito projetado para viagens de longo curso”, como o CEO da Qantas, Alan Joyce, explicou durante o voo, ele foi um dos passageiros. “Nossa intenção é ter um espaço de assento maior na Economy do que anteriormente, e ter áreas de alongamento dedicadas na Economy”.

Gralow relatou que pouco dormiu nas 8 horas de blackout, e aproveitou parte do momento para trabalhar, e outra parte para conduzir breves momentos de sono. De acordo com ele, as refeições e apagões cuidadosamente programados podem ter deixado ele um pouco menos destruído depois de enfrentar dois períodos do sol nascendo.

Mais tranquilizadoramente, os passageiros do teste conseguiram dormir na hora e se saíram muito melhor do que o jornalista.

 

Experimentos científicos

Durante o voo, que contou com 52 passageiros a bordo, mais os tripulantes, os cientistas também monitoram a comida, o sono e a atividade de várias dezenas de viajantes, a fim de ver como os humanos reagem à 20 horas seguidas de voo.

Pilotos usam “touca” especial que mede as atividades cerebrais, gravando em um dispositivo externo para análise de médicos após o voo.

No cockpit, os pilotos utilizam um dispositivo especial que avalia a atividade cerebral dos tripulantes, incluindo o nível de atenção e melatonina.

A companhia está trabalhando para possibilitar esses voos a partir de 2023, já com a ajuda de novas aeronaves adequadas a esse tipo de operação. 

A Qantas já realizou um voo no Project Sunrise, sem escalas entre Nova York e Sidney, com a mesma proposta, estudar a reação de 40 pseudos-passageiros. A companhia deve realizar mais um voo de Nova York para Sidney, em dezembro, após esse voo de Londres.

Em um voo de 20 horas um Boeing 787-9 pode decolar com 126 mil litros de querosene, ou 101 mil quilos se você preferir.

 

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