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Helicóptero Eurocopter AS565 Panther da Força Aérea de Israel. Na IAF, o modelo é chamado de Atalef. Foto: US Navy.

A corrosão inesperada de componentes do motor está entre as causas do acidente com um helicóptero Airbus AS565 Panther da Força Aérea de Israel no início de janeiro deste ano. A aeronave pegou fogo e caiu no mar, matando os dois pilotos. Um terceiro tripulante sobreviveu o acidente. 

A Força Aérea Israelense (IAF) concluiu neste mês as investigações sobre o trágico ocorrido. Faleceram no acidente o Tenente-Coronel Erez Sachyani, 38 anos, e o Major Chen Fogel, 27 anos. As equipes de resgate tentaram ressuscitar os aviadores, sem sucesso. Sachyani era casado e tinha três filhos. O Capitão Ron Birman foi resgatado e sobreviveu. 

Segundo o Jerusalem Post, citando o relatório da IAF, militares apuraram que uma corrosão em um componente do motor esquerdo levou ao incêndio que derrubou o helicóptero AS565, chamado de Atalef em Israel. O componente em questão não fazia parte das verificações de rotina recomendadas pela Airbus Helicopters.

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Destroços do AS565 Atalef que caiu em janeiro. Foto: Alon Nadav

A revisão e o reparo dos componentes internos dos motores Safran/Turbomeca Arriel 2C são feitos apenas pelo fabricante na França. Os militares ainda apontam que o motor foi inspecionado pela última vez pelo fabricante em 2017, de acordo com os regulamentos que estipulam que ele deve ser inspecionado após 1.650 horas de voo.

O helicóptero acidentado tinha menos 1400 desde a sua última inspeção. Além disso, a aeronave passou por uma revisão “abrangente” em Israel e apresentava em boas condições de voo.

Após o acidente, a Safran fez inspeções nos motores e constatou que a falha do motor esquerdo foi causada pela corrosão de um componente interno. Isso criou uma rachadura de fadiga na lâmina da turbina do motor. A rachadura se expandiu durante o voo e, eventualmente, levou à quebra da lâmina do motor, causando o incêndio.

O relatório da IAF ainda aponta que a corrosão provavelmente se deve ao fato da aeronave ser usada sobre o mar.

Acidente AS565 Atalef Panther Airbus
Foto: Oren Rozen.

De fato, os helicópteros AS565 Atalef são usados principalmente em missões sobre a água, como vigilância costeira, localização de alvos marítimos e operações de busca e resgate, sendo bastante operados a partir de navios da Marinha Israelense. O modelo é similar aos Helibras HM-1 Pantera usados pelo Exército Brasileiro, mas que foram recentemente  modernizados.

Investigadores apontam que componentes do motor, feitos de alumínio e outros materiais, não eram resistentes ao fogo “na temperatura exigida pelo fabricante” e “contribuíram para que o fogo não fosse contido no motor esquerdo e se espalhasse para o motor direito”. 

“Isso se deve a um problema com o projeto do fabricante”, diz o relatório. “Depois disso, o fabricante do helicóptero divulgará informações de segurança sobre os componentes de alumínio do motor”.

A investigação diz que os pilotos tentaram controlar a emergência por dois minutos antes do helicóptero cair no mar. Mesmo na situação “complexa”, eles trabalharam em equipe de maneira calma e contínua para diagnosticar e atender as mudanças no helicóptero.

Foto: Amit Agronov/IAF.

No entanto, a investigação também aponta que os pilotos não desligaram o motor em pane antes de acionar os extintores, uma medida que reduziu a eficiência do sistema de extinção de incêndio.

Eles seguiram no comando do helicóptero até a queda na água, algo que contribuiu para a sobrevivência do Capitão Ron Birman. A aeronave colidiu contra o mar com tanta força que a boia do lado direito explodiu, a porta e o cone cauda foram arrancados e a aeronave começou a afundar imediatamente. 

A intensidade da colisão também deixou os pilotos inconscientes, o que levou ao afogamento de ambos. As equipes de resgate chegaram ao local em oito minutos, mas só conseguiram tirar os pilotos do helicóptero uma hora depois, por conta das condições da aeronave. 

O Major-General Timer Bar, comandante da IAF, aprovou os resultados da investigação, observando que o acidente foi resultado de “uma falha técnica não reconhecida, que apareceu pela primeira vez nesses motores como resultado de um raro mau funcionamento de danos causados ​​por corrosão a quente”.

Assumindo a responsabilidade pela segurança das plataformas e treinamento dos pilotos, Bar disse que a IAF “fará tudo ao seu alcance para evitar o próximo acidente. Este é um acidente trágico e doloroso, no qual perdemos dois de nossos melhores filhos, que muito contribuíram para a Força Aérea e a segurança do Estado de Israel.”