Durante o China Airshow a COMAC além de apresentar novas qualidades do CR929 ainda disponibilizou novos dados de desenvolvimento da aeronave.

O estudo de design e fornecedores do CR929 começou em 2017, e desde então a UAC e a Comac já conseguiram concluir cerca de 20% do cronograma de desenvolvimento da aeronave, algo realmente surpreendente considerando que a Comac tem pouca experiência no ramo de construir aeronaves.

Apesar de toda essa rapidez no desenvolvimento da aeronave, a United Aircraft Corp (UAC) acredita que o prazo para este avião realizar o primeiro voo em 2025 é otimista, principalmente pois esse é um compromisso recente, no ato de lançamento do programa em 2017 a Craic estabeleceu um período de 10 anos de desenvolvimento.

De qualquer forma agora o foco total agora está sendo no Roll-Out da aeronave até 2021, com o primeiro voo em 2023, este é o maior desafio da UAC neste momento, criar espaço para um programa prolongado de testes em voo com o CR929, se algo atrasar a meta de entregar o primeiro avião em 2025 dificilmente será atingida, muito menor a do primeiro voo comercial no mesmo ano será possível de atingir.

Mas por enquanto a Craic está “correndo contra o relógio”, isto devido ao atraso na definição dos fornecedores da aeronave, o próximo pacote de escolhas deverá sair em breve, com a definição de quem vai fabricar os motores e o trem de pouso da aeronave.  Mas só essa questão já foi capaz de atrasar em alguns meses o projeto, mas será definida até o 1º trimestre de 2019.

Novo conceito da Rolls-Royce para 2025 com núcleo menor e caixa de engrenagens.

A Rolls-Royce e a GE já foram escolhidas como finalistas para o fornecimento dos motores. A CRAIC busca uma tecnologia semelhante ao Boeing 787, ou algo melhorado, que no momento somente a RR pode fornecer.

Já outros componentes secundários terão seus fornecedores definidos até o segundo semestre do próximo ano. A expectativa é atrair empresas do ocidente para o projeto, como forma de globalizar e atrair mais clientes do ocidente para esta aeronave.

Provavelmente o sistema de aviônicos será totalmente desenvolvido na Rússia, incorporando uma tecnologia que hoje já está sendo testada no MC-21.

A UAC também planeja fabricar a asa com a tecnologia que ela usa para o MC-21, com materiais compostos que não exigem a utilização de uma autoclave, simplificando o processo de produção.

A solução será uma integração pura entre as duas empresas para acelerar o processo de design e desenvolvimento da aeronave. Moscou foi escolhida como o local de um centro de engenharia em conjunto, através de uma liderança da experiente UAC. A sede do projeto fica em Xangai, onde o CR929 será montado.

Mas quase a Comac colocou a parceria a perder, o foco seria desenvolver sozinha um avião no mesmo porte do CR929, mas os governos decidiram que suas empresas estatais trabalhariam em conjunto. A Rússia também estava interessada em desenvolver um novo avião de duplo corredor, e a China precisava da experiência da UAC nesta área, visto que o SSJ100 fez um sucesso bem maior que o ARJ 21, e o novíssimo MC-21 está com o desenvolvimento mais avançado em comparação com o C919.

Apesar de ser maior, comparando a versão CR929-600 com o Airbus A330-900, o estimado é que esse avião seja apenas 1% mais pesado, devido a fuselagem com ampla aplicação de materiais compostos, e uma maior otimização de construção da aeronave.

 

Design de engenharia

O design é bastante parecido com aquele apresentado em 2017 pela CRAIC, e até lembra um pouco o Boeing 787 na parte da seção frontal.

O trem de pouso principal apresenta uma configuração com quatro rodas por lado, totalizando oito rodas, e o trem de pouso dianteiro tem duas rodas.

Anteriormente a CRAIC anunciou que o novo conceito do CR929 se aproxima do tamanho do A330-900neo, e também vai precisar de um motor ainda mais potente, com 78000 lbs de empuxo, antes a UAC estimava um motor de 71000 lbs para a aeronave.

Apesar do tamanho maior, a estimativa de autonomia permanece a mesma (para o CR929-600), de 12000 km. De acordo com a CRAIC isso é suficiente para cumprir a maioria das rotas de longa distância, incluindo os voos da Ásia para os Estados Unidos.

A família de aeronaves incluirá versões com a fuselagem esticada (CR929-700) e com a fuselagem menor (CR929-500).

A aeronave tem agora 63,25 m (208 pés) de comprimento, disse a UAC. Isso é apenas 45 cm mais curto que o A330-900neo, apesar disso a largura da fuselagem é de quase 6 metros, maior que a concorrência e equiparável ao A350, uma aeronave de categoria superior.

A finalidade da COMAC é usar o CR929 para substituir os A330-300 nas rotas domésticas de alta demanda da China, e também em voos internacionais. Essa medida também evita que as companhias aéreas da China e da Rússia escolham o Airbus A330-900neo e o Boeing 787.

 

Via – Aviation Week/Aeroflap