O Nordeste manteve praticamente a mesma frota de aeronaves executivas nos últimos anos, mas agora começa a dar sinais de recuperação do mercado. Apesar da retomada econômica ser lenta, a necessidade de se conectar é a principal motivação para a compra de uma aeronave. O Nordeste é um dos mercados mais importantes para a Solojet Aviação.

“O mercado de compra e venda de aeronaves para a aviação geral vem sendo impulsionado pela necessidade de conectividade e também pela dificuldade de transporte na região. Comprar o avião significa comprar mobilidade e tempo”, disse André Bernstein, diretor da Solojet Aviação. Não é à toa que o Nordeste detém 23% dos aeródromos privados do país e a região conta com uma frota de quase duas mil aeronaves.

O Brasil ainda permanece com o título de detentor da segunda maior frota de aviação geral do mundo, só perdendo para os Estados Unidos, mas nos últimos anos, por conta da crise, a frota ficou estagnada. Deixou de crescer e ainda vimos centenas de aeronaves registradas no Brasil serem vendidas no exterior. Parte dessa demanda reprimida começa a voltar ao mercado e isso acontece de forma mais consistente onde os segmentos da economia apresentam melhor performance.

“Estamos trabalhando com uma perspectiva de crescer 100% em volume de vendas em 2019 e o Centro-Oeste deve contribuir com esta meta. Algumas vendas já aconteceram no ano passado, mas o forte deve ser em 2019 e 2020”, disse Bernstein.

“Antes da crise havia financiamento disponível e comprar aeronave nova era muito mais fácil. Hoje o cenário é outro e o brasileiro, calejado com tudo que passou, está revendo os conceitos. Quer comprar certo, aquela aeronave que de fato precisa, aceita comprar usada e até pensa em compartilhar, coisa que os americanos já fazem há muitos anos”, disse André Bernstein, diretor da Solojet Aviação. O custo de uma aeronave vai muito além da aquisição, é preciso computar tripulação, hangaragem, consumo de combustível, manutenções etc.

Na visão do executivo, muita gente que vendeu a aeronave na crise, aproveitando inclusive a valorização do ativo e alta do dólar, agora está analisando o que comprar. “A decisão de comprar está tomada, a pessoa precisa da aeronave para ter mobilidade e chegar aos lugares em que precisa. Isso vale para empresários, fazendeiros e muita gente que tem negócios espalhados pelo país”, explica. Aeronaves executivas são eficientes ferramentas de trabalho, pois garantem tempo ao proprietário.

A equação correta da compra é sempre olhar a operação, tanto de quantidade de pessoas a bordo quanto a autonomia, consumo de combustível, tipo de pista a ser utilizada, relacionando isso com o valor a ser investido. “Hoje, a revitalização de uma aeronave permite aumentar o conforto, diminuir o consumo e tornar uma aeronave usada tão boa quanto nova muitas vezes com metade do investimento de uma nova”, explica Bernstein.

Em maio do ano passado, a frota era de 15.406 aeronaves da aviação geral (tudo aquilo que não envolve a aviação comercial e experimental) e o crescimento da frota entre 2017 até maio passado foi de apenas 0,3%.

Só para ter ideia da estagnação do mercado, de 2006 até 2014 a frota brasileira havia saltado de 10.646 aeronaves para 15.120, um crescimento de quase 50% em oito anos. Atualmente, a frota brasileira tem presença maior nos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais.