O primeiro trimestre desse ano para a Airbus foi complicado, os lucros da empresa caíram mais do que a metade, comparando com o mesmo período do ano passado. Entre os motivos para essa queda acentuada no lucro da Airbus está a política de preços da empresa, os atraso na produção do A320neo e a pouca capacidade de produção das aeronaves A350XWB, enquanto isso os programas de desenvolvimento de aviões subtraem a receita da Airbus.

No total o lucro operacional da Airbus viu uma redução de 52%, registrando somente 240 milhões de euros, abaixo até mesmo das previsões anteriores, que especificavam um lucro de 344 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano. Ao contrário do lucro, a receita da fabricante francesa cresceu 7% no 1º trimestre de 2017.

Após anunciar seus resultados as ações da Airbus chegaram a cair 2%, terminando o dia próximas de -0,8%.

 

Atrasos nas entregas do A320neo

A320neo em seu primeiro voo.

Os atrasos nas entregas do A320neo, causados pela pouca capacidade de produção da Pratt & Whitney para os motores PW1100G no momento, foram um dos motivos da diminuição dos lucros da Airbus neste primeiro semestre. Sem saída a Airbus precisou atrasar algumas entregas de aeronaves equipadas com os motores P&W. Foram entregues somente 26 aeronaves da família A320neo no primeiro trimestre.

De acordo com a Airbus a solução proposta pela Pratt & Whitney para resolver os inúmeros problemas nos motores PW1100G, que equipam o A320neo, parece promissora, mas precisa ser verificada.

“Não perdemos qualquer oportunidade de lembrar a Pratt dos compromissos feitos para 2017 e 2018”. “Se Pratt fizer o que promete, a Airbus acelerará sua taxa de produção para atingir seu objetivo de entregar 200 aeronaves A320neo em 2017”, disse o CFO da Airbus, Harald Wilhelm.

A Pratt & Whitney planeja produzir de 350 a 400 motores da família Pure Power, esses motores equipam as aeronaves CSeries da Bombardier, a família A320neo da Airbus, os E-Jets da Embraer e também o Mitsubishi MRJ. Como a Airbus oferece duas opções de motores para a família A320neo a expectativa de fechar as 200 entregas em 2017 é bem alta, o outro motor é o CFM Leap-1A, que até agora está sustentando a regularidade das entregas.

A Airbus continua produzindo aeronaves da família A320ceo normalmente, e só planeja encerrar a produção desta família na próxima década.

 

Desenvolvimento de outras aeronaves

O desenvolvimento de outras aeronaves como o A321neo, A319neo e o A350-1000XWB estão elevando os gastos da Airbus para manter esses projetos na sua capacidade máxima de desenvolvimento, a meta é colocar essas aeronaves no mercado o mais rápido possível.

E essa estratégia está dando certo, enquanto o A350-1000XWB avança no seu programa de certificação, a Airbus já conseguiu certificar e entregar o primeiro A321neo para a Virgin America, tudo isso no primeiro semestre deste ano. Recentemente o A319neo decolou para seu primeiro voo de testes, esta é a última aeronave da família A320neo precisa de certificação.

A Airbus ainda irá desembolsar mais dinheiro para desenvolver aeronaves neste ano, o próximo avião da Airbus que irá fazer o seu primeiro voo é o A330-900neo, a nova geração da família A330neo, com as primeiras entregas previstas para o final de 2018, enquanto isso o primeiro voo está previsto para setembro, de acordo com a Airbus.

 

Atrasos de produção

A Airbus relatou que os atrasos na linha de produção persistem para o A350XWB, mas este caso não tem relação com defeitos da aeronave, mas sim com as adaptações da Airbus para produzir as duas aeronaves da família A350 simultaneamente, inclusive os custos da linha de produção aumentaram e influenciaram negativamente nos lucros da fabricante europeia.

A Zodiac Aerospace também está nos destaques desses atrasos, a empresa é responsável por fornecer acabamentos para o interior da aeronave e assentos, no entanto a produção está lenta e atrapalhando a Airbus. Em 2016 a Airbus correu o risco de não conseguir atingir a meta de entregas de aeronaves A350XWB por problemas no fornecimento dos equipamentos de cabine, como os módulos dos banheiros, fornecidos pela Zodiac Aerospace.

Apenas 13 aviões A350 foram entregues no primeiro trimestre, mais 40 aguardam no pátio de Toulouse incompletos, aguardando receber componentes. A Airbus estima que só conseguirá atingir o objetivo de entregar 10 aeronaves A350 por mês em 2018.

O jato A350 continua com sua alta confiabilidade e despachabilidade, e já tem mais de 820 encomendas. Recentemente a China Southern encomendou 20 aeronaves A350, que planeja receber após 2019.

 

Airbus A400M

Está sendo desafiador para a Airbus desenvolver o A400M e cumprir todas as capacidades contratuais, reduzindo custos e garantindo as entregas no tempo correto, disse a Airbus. Wilhelm (CFO) lançou a previsão de que as conversas com os governos, que são os clientes do transportador militar, sobre os altos custos do programa se estenderão até o final de 2017, visto que neste ano ocorre as eleições na Alemanha, França e Reino Unido.

A Airbus precisou desembolsar 2,2 bilhões de euros no ano passado, tudo para cobrir multas por entregas atrasadas e os novos requisitos para o cumprimento das especificações de desempenho prometidas. O desenvolvimento do A400M já custou para a Airbus 7 bilhões de euros.

E as negociações com os governos europeus podem se estender até 2018, na pior hipótese.

 

Previsões para 2017

Para 2017, a Airbus prevê a entrega de mais de 720 aeronaves e crescimento de até 9,9% no lucro operacional.

 

Lucros da Boeing estão crescendo

Enquanto isso a Boeing lançou uma nota para imprensa e investidores nesta última quarta-feira (26/04) relatando um crescimento de 19% no lucro do primeiro trimestre, comparando com o mesmo período do ano passado, e uma queda de 7% nas receitas. Com esse resultado a Boeing avançou suas previsões para 2017. A Boeing entregou 169 aeronaves no primeiro semestre, contra 136 da Airbus.