CR929

A China e a Rússia estão pelo menos desde 2018 juntas para construir um novo avião: Aquele que concorra com o Boeing 787.

No entanto, as diferentes filosofias de trabalho entre os países parece que não está dando certo. Novos desentendimentos no projeto atrasaram a data alvo da primeira entrega, que agora ficou para 2029.

Anteriormente, no início do projeto, a primeira entrega estava prevista para 2024, e depois passou para 2027.

Esses desentendimentos estão ocorrendo pelo menos desde o início da pandemia. A COMAC quer direitos exclusivos para vender o CR929 para o mercado chinês, um mercado maior e de crescimento mais rápido que a Rússia.

Maquete do CR929. Foto – China Daily/via REUTERS

Já a UAC, a estatal russa que está disponibilizando todo o seu Know How de décadas, e não aceita essas condições, visto que também financia o projeto do CR929. 

Além desse problema, que surgiu em meados de 2020, a China e a Rússia também não entraram em um consenso sobre os fornecedores. Logo não há uma definição sobre a fabricação das primeiras peças do protótipo, e até mesmo dos motores que vão equipar a aeronave.

Esperava-se que as linhas de fornecedores fossem liberadas até 2019, mas foram adiadas para 2020. Enquanto isso, em julho deste ano, o programa CR929 ainda estava em um estágio em que propostas de fornecedores potenciais estavam sendo analisadas antes de definir a configuração final da aeronave.

A escolha dos fornecedores, se houver colaboração, será finalizada em meados de 2021, de acordo com a Irkut.

 

Desenvolvimento e tecnologia da Rússia

É inegável que o mercado de aviação na China pode literalmente “pagar” o projeto do CR929, porém o país não tem tecnologia para desenvolver algo desse porte. A Rússia, no entanto, surge para a China como uma “salvadora” do projeto.

Aplicando todo seu Know How de aviões mais recentes, e utilizando tecnologia ocidental para facilitar a venda da aeronave, a Rússia trabalha arduamente no projeto. A UAC já realizou testes em túnel de vento e agora encaminha suas empresas de motores para criar um novo propulsor.

Provavelmente o sistema de aviônicos será totalmente desenvolvido na Rússia, incorporando uma tecnologia que hoje já está sendo testada no MC-21. Esta deriva de aplicações de empresas no ocidente.

A UAC também planeja fabricar a asa com a tecnologia que ela usa para o MC-21, com materiais compostos que não exigem a utilização de uma autoclave, simplificando o processo de produção.

A solução será uma integração pura entre as duas empresas para acelerar o processo de design e desenvolvimento da aeronave. Moscou foi escolhido como o local de um centro de engenharia em conjunto, através de uma liderança da experiente UAC. A sede do projeto fica em Xangai, onde o CR929 será montado.

Apesar de ser maior, comparando a versão CR929-600 com o Airbus A330-900, o estimado é que esse avião seja apenas 1% mais pesado, devido a fuselagem com ampla aplicação de materiais compostos, e uma maior otimização de construção da aeronave.

 

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