A Airbus recebeu hoje a certificação de tipo emitida pela EASA (European Aviation Safety Agency) e FAA para o A350-1000 XWB, a maior aeronave da família A350XWB.

A certificação foi obtida após uma campanha extensa de testes em voo, com a participação de três protótipos que cumpriram 1600 horas de voo desde o dia 24 de novembro de 2016. 

O documento de certificação de tipo da EASA para o A350-1000 foi assinado pelo diretor de certificação da EASA, Trévor Woods, e o documento de certificação de tipo da FAA para o A350-1000 foi assinado pelo gerente da seção internacional da FAA, Bob Breneman. Ambos os certificados foram entregues ao vice-presidente executivo da Airbus, Charles Champion.

“Receber a Certificação de Tipo do A350-1000 da EASA e da FAA em menos de um ano após o seu primeiro voo é uma conquista incrível para a Airbus e para todos os nossos parceiros que foram fundamentais para construir e testar este excelente avião“, disse Fabrice Brégier, COO da Airbus Group e Presidente no setor de aeronaves comerciais.

A certificação de tipo é um requisito para que a aeronave entre no serviço comercial através de uma companhia aérea. Este marco vem após um ensaio de teste de voo intensivo que levou a estrutura e sistemas além dos limites de seu projeto para garantir que a aeronave satisfaça todos os critérios de aeronavegabilidade.

Para os testes, 15 câmeras e 220 sensores foram instalados no MSN59, o primeiro A350-1000, três engenheiros participaram do programa, além dos pilotos e um especialista da Rolls-Royce para checar os motores. Essa aeronave também contou com um sistema que simula a distribuição de peso dentro do avião, de acordo com a Airbus é possível mover 10 toneladas de uma ponta até a outra em menos de 5 minutos, isso representa o movimento dos passageiros dentro do avião.

A segunda aeronave, também identificada pelo número de fabricação MSN71, testou as configurações implementadas para o trem de pouso, isso inclui o teste de pouso em pista alagada e também o superaquecimento dos freios. Essa aeronave também testou o desempenho dessa variante em locais de grande altitude, muito acima do nível do mar.

O MSN 65, a terceira aeronave, foi equipada com uma cabine completa de passageiros, todos os testes de evacuação e emergência a bordo para os passageiros foram realizados com essa aeronave, além dos testes simulando uma operação real de companhia aérea. Também se encarregou de ser exposta em shows aéreos e eventos de aviação, como o Paris Airshow e o Dubai Airshow.

Essa versão é cerca de 7 metros maior do que o atual -900XWB, isso equivale a cerca de 41 assentos a mais para esse avião, são 366 assentos quando configurado em 3 classes ou 440 em configuração de alta densidade.

O A350-1000 possui um novo trem de pouso principal de seis rodas, para suportar melhor o maior peso do novo jato. No A350-900 só há 4 rodas por trem de pouso principal.

As asas do A350-1000 têm uma prolongação do bordo de fuga, que aumenta a área em 4%, comparando com o A350-900. Isso gera maior sustentação e diminui as velocidades críticas de decolagem e pouso.

A cliente de lançamento do A350-1000 é a Qatar Airways, a Airbus espera entregar a primeira aeronave já no segundo semestre de 2017, após obter as certificações. No Brasil a LATAM tem encomendas para 14 aeronaves A350-1000, com entregas a partir de 2018.

A Airbus afirma que essa nova aeronave é cerca de 25% mais econômica quando comparada diretamente com a geração anterior, o A340-600.

 

Confira abaixo um pouco sobre os principais destaques do processo de certificação do A350-1000.

Primeiro voo

O Airbus A350-1000XWB decolou pela primeira vez no dia 24 de novembro de 2016, às 10h42 (horário local), do Aeroporto de Blagnac em Toulouse. Várias pessoas, incluindo o spotter oficial da Aeroflap, Théo Franchi, assistiram à estreia em voo, sob um céu nublado.

Mesmo sujeito à variações devido as condições meteorológicas o Airbus A350-1000, a maior variante do A350, decolou pontualmente, voando por mais de 3 horas no céu da França.

Ao final o A350-900 se juntou ao A350-1000 em solo, para demonstrar a diferença de tamanho entre as duas aeronaves.

 

Decolando lentamente

Foto – Airbus/Reprodução

A Airbus também realizou os testes de decolagem em baixa velocidade com o A350-1000. Para isso a fabricante europeia instalou um dispositivo na cauda do avião que impede o tail-strike, que é quando a aeronave bate ou arrasta a parte traseira na pista, seja na decolagem ou no pouso.

A aeronave que participou desse teste é o primeiro protótipo, nomeado de MSN59, o dispositivo serve para que o avião consiga arrastar a cauda na pista enquanto verifica a velocidade mínima de decolagem possível, neste instante o A350 fica com o nariz levantado enquanto acelera para ganhar velocidade e conseguir ganhar altitude.

Esse teste é essencial para verificar o desempenho da aeronave no mundo real e se tal procedimento pode causar danos severos na fuselagem. Os testes ocorreram em Istres, no sul da França.

 

Na altitude da Bolívia

A350-1000 em Barranquilla.

A Airbus realizou diversos testes durante a campanha “Alto e Quente” na América Latina, passando por dois países do continente antes de voltar para Toulouse. O A350-1000 pousou primeiro na Bolívia, onde fez uma campanha de testes típica de locais de alta altitude e com temperatura elevada.

Com a altitude de 4054 metros em La Paz, o terceiro A350-1000 fabricado, testou o desempenho da aeronave em um ambiente de condições únicas, devido a alta altitude e ar extremamente rarefeito. O aeroporto de La Paz oferece as condições especiais para coletar os dados sobre o comportamento da aeronave no pouso e decolagem, principalmente sobre o desempenho.

Em La Paz o A350-1000 realizou diversos pousos e decolagens para coletar dados. No total a turnê do A350-1000 durou cerca de 10 dias na América Latina. 

Já em Cochabamba, na Bolívia a Airbus testou o comportamento do A350-1000 em uma altitude intermediária de 2300 metros. Já em Barranquilla a Airbus testou o A350-1000 em uma temperatura variável de 8º C até 32º C.

Os primeiros resultados, de acordo com a Airbus, demonstram o desempenho esperado do motor Trent XWB-97, mesmo em condições de ar rarefeito e temperatura elevada (que também aumenta a rarefação do ar). O ar rarefeito diminui a capacidade do motor de queimar combustível, devido a menor quantidade de oxigênio no ar, e portanto é de extrema importância saber o real comportamento do motor e dos sistemas da aeronave nessas condições.

 

No frio extremo (ft. Aurora Boreal)

A Airbus realizou os testes em baixa temperatura do A350-1000 em Iqaluit, no Canadá, perto da Groenlândia e do Polo Norte, em uma região muito fria. A Airbus realizou rigorosos testes em condições de operação extrema do A350-1000, em total baixa temperatura de operação da aeronave, para saber como os sistemas da aeronave se comportam.

Esse é com certeza um ambiente desafiador para o A350-1000, enquanto realizava os testes a temperatura na cidade de Iqaluit oscilou entre -28º C e -37º C, um frio extremo para qualquer aeronave e característico do clima polar da região.

A Airbus colocou nessa etapa em Iqaluit todas as três aeronaves do programa de testes do A350-1000XWB. A primeira variante certificado do A350, o A350-900XWB, também realizou testes no mesmo local há três anos.

 

O teste mais bonito – Na piscina de água

A Airbus realizou o Water Ingestion Test no A350-1000 em abril deste, em uma base da Força Aérea Francesa em Istres, no sul da França. O A350-1000 passou propositalmente ao longo de uma superfície inundada para demonstrar a robustez da aeronave e para garantir que os sistemas da aeronave estejam preparados para a operação normal do A350-1000.

O Water Ingestion Test é feito usando uma “piscina” de água, que é montada em uma pista comum, de pouso ou decolagem. Os tripulantes aceleraram progressivamente a aeronave de encontro para uma grande bacia de água, esse teste é realizado em cinco velocidades entre 80 a 140 nós. Esse teste verifica se os sistemas da aeronave, principalmente os que ficam perto do trem de pouso, suportarão o impacto da água durante o pouso, decolagem ou taxiamento.

 

Levando passageiros

Cerca de 310 assentos foram ocupados durante o voo, incluindo os 10 tripulantes da Airbus Flight Test e 13 tripulantes da Virgin Atlantic, que valiaram a performance da aeronave. A aeronave responsável por esse teste foi a com numeração MSN 065, a única com interior todo configurado para passageiros.

Os outros passageiros eram funcionários da Airbus, escolhidos com base em suas contribuições para o desenvolvimento, fabricação e montagem do A350XWB. Eles foram acompanhados por engenheiros de teste da empresa, desde o uso do sistema de entretenimento em voo e até nas funções do banheiro.

O voo partiu do Aeroporto de Toulouse-Blagnac e voou acima de 13 países desde a Europa, passando pelo Mar Mediterrâneo, seguindo para a Europa Central e rumo aos países nórdicos, seguindo para o Mar do Norte, Grã-Bretanha e Irlanda, depois voando ao redor das costas de Portugal e Espanha antes de retornar à Toulouse. 

O voo durou cerca de 12 horas onde os passageiros foram convidados a experimentar e testar os sistemas de cabine, incluindo ar condicionado, iluminação, acústica, entretenimento de bordo (IFE), cozinhas (galley), eletricidade, banheiros e sistemas de desperdício de água. 

Embora não faça parte do programa de certificação técnica, o Early Long Flight permite à Airbus avaliar o ambiente e os sistemas de cabine durante o voo e otimizar os procedimentos de cabine para assegurar a maturidade total na entrada da aeronave em serviço com seus clientes, que deverá ocorrer no segundo semestre de 2017, com certificação de tipo sendo emitida pouco tempo antes.

 

Em alta temperatura

Os testes em clima de alta temperatura, característico dos desertos e países do Oriente Médio, foram realizados em julho deste ano.

O A350-1000 com número de série MSN65 e equipado com uma cabine completa de passageiros, pousou no dia 4 de junho em Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos, um local já reconhecidamente usado pela Airbus para esses testes em temperaturas acima de 40ºC.

Engenheiros da Airbus afirmaram que durante os testes a temperatura local atingiu 47ºC, em pleno verão no hemisfério norte. Comparando com os testes do A350-1000 em clima polar, essa é uma temperatura quase que totalmente inversa, ressaltando as duas características que a aeronave poderá enfrentar no futuro, com total confiança nas operações.

 

Certificando o motor Rolls-Royce XWB97

No mês de setembro a EASA emitiu a certificação para o motor Trent XWB-97, uma nova variante do motor Trent XWB. Assim a Airbus já conseguiu adiantar mais um passo na certificação do A350-1000.

Esse motor faz parte de uma variante baseada no XWB-84, com modificações para conseguir gerar até 97 mil lbs de empuxo. O motor que equipa o A350-900, uma variante de menor tamanho do A350-1000 é o XWB-84, que gera 84 mil lbs de empuxo.

A certificação do motor XWB-84, que ocorreu no dia 07 de fevereiro de 2013, ajudou na rápida entrada em serviço da variante de maior empuxo. A Rolls-Royce precisou fazer um novo núcleo do motor, capaz de suportar a maior rotação, um fan frontal de alto fluxo e mudanças no material para diminuir a inércia dos componentes internos.

Entre outras alterações do novo motor está também o peso, que saltou de 7277 kg para 7550 kg, através da implementação de novos sistemas.

 

Preparando o primeiro A350-1000 para uma companhia aérea – Qatar Airways

Além de lançar o A350-900XWB, a Qatar Airways também se comprometeu a receber o primeiro A350-1000 destinado para uma companhia aérea.

E semanas antes da Airbus certificar a aeronave, a montagem final do avião destinado para a Qatar já foi iniciada, como forma de realizar os primeiros testes antecipadamente e garantir uma entrada em serviço tranquila para o avião da Qatar.

O A350-1000 da Qatar conta com a QSuites, a nova e muito admirada Business Class da Qatar. Serão 46 Qsuites e 281 assentos na Economy Class para esse A350-1000. A aeronave já virá de fábrica com antenas para internet via satélite, com distribuição interna por Wi-Fi.