MiG-29 polônia pouso
MiG-29 polonês. Foto: Chris Lofting via Wikimedia.

Em uma interessante reviravolta, os Estados Unidos rejeitaram ainda ontem (08) a oferta da Polônia de disponibilizar seus caças MiG-29 para posterior envio à Ucrânia. A transferência das aeronaves de Estados membros da OTAN levanta preocupações para a Aliança por possíveis retaliações da Rússia, que desde o dia 24/02 trava uma guerra com o país vizinho. 

Na tarde de ontem, o Ministério das Relações Exteriores da Polônia informou que o país estaria disponibilizando toda sua frota de caças MiG-29 Fulcrum (28 aeronaves) na base aérea estadunidense de Ramstein, na Alemanha.

Posteriormente, as aeronaves seriam transferidas à Força Aérea Ucraniana. Em contrapartida, os EUA deveriam vender caças F-16 à Polônia, que já opera o modelo desde 2006. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky havia solicitado o envio dos caças na semana passada, durante uma videoconferência com líderes de Estado. 

Polônia disponibilizou toda sua frota de 28 caças MiG-29 aos EUA. Foto: Master Sgt. John E. Lasky/USAF.

Mesmo após uma série de negociações com a Polônia, os Estados Unidos ainda tem problemas com o envio dos aviões de combate aos ucranianos. Segundo o Pentágono, a perspectiva de voar caças do território da OTAN para a zona de guerra “levanta sérias preocupações para toda a aliança”.

Conforme a Reuters, a OTAN disse que não quer um conflito direto com a Rússia, uma potência com armas nucleares e o presidente Joe Biden descartou o envio de tropas dos EUA à Ucrânia para lutar. “Simplesmente não está claro para nós que haja uma justificativa substantiva para isso”, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, sobre a proposta da Polônia.

“Continuaremos a consultar a Polônia e nossos outros aliados da OTAN sobre essa questão e os difíceis desafios logísticos que ela apresenta, mas não acreditamos que a proposta da Polônia seja sustentável”, disse Kirby sobre os caças. 

Por outro lado, o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki afirmou em coletiva nesta quarta-feira (09) que “Uma decisão tão séria como o fornecimento de aviões deve ser unânime e inequivocamente tomada por toda a aliança do Atlântico Norte.”

“Nós não concordamos em fornecer aviões por nós mesmos, porque deve ser a decisão de toda a OTAN”, acrescentou Mateusz após as declarações dos EUA.

O vice-chanceler polonês, Pawel Jablonski, disse à estação de rádio pública Polskie Radio 1 que a Polônia deve priorizar sua segurança ao considerar o fornecimento de jatos para a Ucrânia.

MiG-29 polonia
MiG-29 Fulcrum da Força Aérea Polonesa.

“Não pode ser que a Polônia tenha – como o único país da OTAN – que correr o risco, e os outros países não teriam que compensar ou compartilhar conosco de forma alguma”, disse ele.

Victoria Nuland, Diplomata número 3 dos EUA e subsecretária de Estado para Assuntos Políticos do Departamento de Estado, disse: “Que eu saiba, não foi pré-consultado conosco que eles planejavam nos dar esses aviões. Então, acho que foi uma jogada surpresa dos poloneses.”

O impasse levanta questões sobre a viabilidade do apelo do presidente Zelenskiy para que os países europeus forneçam aviões fabricados na Rússia e já operados pela Ucrânia. Legisladores dos EUA estão ansiosos para acelerar a ajuda militar à Ucrânia e estão pressionando o governo Biden para facilitar a transferência de aeronaves.

MiG-29 Ucrânia
Caça Mikoyan Gurevich MiG-29 Fulcrum da Força Aérea Ucraniana.

Mas o anúncio da Polônia também pode refletir suas próprias sensibilidades. Varsóvia está apoiando a Ucrânia com armas defensivas, mas disse que não enviaria jatos, pois não é parte direta do conflito entre a Ucrânia – que não é aliada da OTAN – e a Rússia.

O Ministério da Defesa da Rússia alertou esta semana que os países que oferecessem aeroportos à Ucrânia para ataques à Rússia podem ser considerados como tendo entrado no conflito.

Nuland disse que a questão principal é avaliar quais seriam as necessidades imediatas da Polônia, já que é adjacente ao conflito.

Separadamente, os militares dos EUA anunciaram que reposicionariam duas baterias de mísseis Patriot na Polônia para “combater proativamente qualquer ameaça potencial aos EUA e às forças aliadas e ao território da OTAN”.