A Embraer anunciou nesta quinta-feira que assinou acordos para venda de sua divisão de aviação comercial para a Boeing e formar uma joint-venture com a norte-americana para comercialização de seu cargueiro KC-390.

No dia 26 de fevereiro a empresa fará uma assembleia extraordinária de acionistas para aprovação dos acordos. No dia 11 de janeiro o Conselho de Administração da Embraer autorizou o acordo entre as empresas. A aprovação do Governo Federal, que detém a Golden Share, ocorreu um dia antes.

Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente da Embraer, disse em uma entrevista que o negócio ainda precisa da aprovação de órgãos reguladores dos Estados Unidos, Europa, Brasil, China e África do Sul. Por essa questão a nova joint-venture só estará totalmente operacionais no início do próximo ano.

A Boeing vai pagar o montante de US$ 4,2 bilhões para a Embraer, pela participação de 80% na nova joint-venture de aviação comercial da empresa, que englobará os aviões regionais da Embraer, como a linha E-Jet E1 e E2. A Embraer ficará com os outros 20% desta nova empresa.

A joint-venture da aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil, incluindo um presidente e CEO. A Boeing terá o controle operacional e de gestão da nova empresa, que responderá diretamente a Dennis Muilenburg, presidente e CEO da Boeing. A Embraer terá poder de decisão para alguns temas estratégicos, como a transferência das operações do Brasil.

As empresas também chegaram a um acordo sobre os termos de uma segunda joint-venture para promover e desenvolver novos mercados para o avião multimissão KC-390. De acordo com a parceria proposta, a Embraer deterá 51% de participação na joint venture e a Boeing, os 49% restantes.

KC-390 em solo logo após o sobrevoo com a fumaça

A joint-venture em relação ao KC390 vai girar somente entorno da questão de marketing de vendas do KC-390. “Agora, com a parceria com a Boeing, estamos abrindo todos esses mercados, os EUA e os mercados em que os EUA têm influência geopolítica significativa”, afirma Nelson Salgado, diretor financeiro da Embraer.

A joint-venture voltada para a defesa também manterá as instalações de montagem final da Embraer em Melbourne, na Flórida, em Gavião Peixoto, no Brasil, e em Jacksonville, na Flórida. A Embraer, também disse que está pesquisando a adição de uma instalação de montagem final para o KC-390 nos EUA.

O KC-390 é voltado para o segmento de mercado preenchido pela Lockheed Martin C-130 Hercules, que detém a maior fatia do mercado global de transporte militar em 2018 com 878 aeronaves ativas, ou 21% de participação de mercado. A ideia é que com a Boeing essa concorrência entre as empresas na questão de vendas possa impulsionar o KC-390 para o mercado internacional.