Na última sexta-feira (26/01) a Bombardier ganhou uma disputa na Comissão Americana de Comércio Internacional (USITC) sobre a aplicação de dois impostos para as aeronaves CSeries, em um taxa total de 292%.

A queixa foi aberta pelo governo americano, com ajuda da Boeing, que acusou a fabricante canadense de vender cada CS100 para a Delta Airlines por 19,6 milhões de dólares, contra um custo de fabricação de 33,2 milhões. No preço de catálogo de 2017, a aeronave era avaliada em 79,5 milhões de dólares. Contudo, o preço de catálogo nunca reflete o valor pago pelas empresas, que têm descontos no valor final.

De acordo com a Boeing esse preço só foi alcançado graças ao pesado subsídio que a Bombardier recebeu do Governo de Ottawa.

A Embraer discordou totalmente da decisão do USITC, e disse que essa manobra reflete ainda mais os subsídios ilegais recebidos pela Bombardier. “É importante destacar que o Departamento de Comércio [que havia criado a taxa em dezembro] provou que o governo canadense subsidiou a Bombardier e a CSeries pesadamente e ilegalmente, permitindo a companhia a sobreviver e a oferecer seus aviões a preços artificialmente baixos”, disse a Embraer.

“Essa violação de regras da Organização Mundial do Comércio distorceu toda a indústria da aviação e está prejudicando milhares de empregos no Brasil e nos diversos países em que a Embraer mantém atividades industriais”, completou a empresa.

A USITC decidiu por unanimidade de quatro votos, que a Boeing não foi afetada pelo programa de sua concorrente canadense. O USITC, que atualmente tem quatro comissários, não deu uma explicação para sua decisão.

Por enquanto dois processo contra a Bombardier estão abertos na OMC (Organização Mundial do Comércio) pelo governo dos EUA e do Brasil, com apoio da Boeing e Embraer. Os processos são para tentar barrar uma ação ilegal no comércio internacional, de acordo com a regra de comercialização entre os países, uma empresa privada não pode receber dinheiro público para ganhar vantagem.

Os processos contam com ajuda mútua entre os países.

Assim como a Embraer, a Boeing se declarou decepcionada, e reiterou que a USITC não reconhece o prejuízo para o comércio dos Estados Unidos.