Nesta última semana, especificamente na quarta-feira (23/10), o Embraer E195-E2 de testes da fabricante brasileira, e equipado com a famosa pintura Profit Hunter – Tech Lion, estava em visita ao Aeroporto de Congonhas.

A aeronave estava passando por algumas certificações no Aeroporto de Congonhas, e a Embraer aproveitou para levar uma equipe de jornalistas além de possíveis clientes da América Latina interessados na nova aeronave da empresa.

Embarcamos nesse avião com um voo executivo, o mesmo que realizamos recentemente com um Praetor 500 da Embraer. Poucas pessoas estavam no voo, e uma equipe de quatro tripulantes foi convocada para as operações nesse dia, além de técnicos da Embraer que acompanham a aeronave.

Como essa é uma aeronave de testes (experimental), devemos considerar que nem todos os sistemas são os mesmos, ou comuns aos aviões de série que a Embraer fabrica.

No interior encontramos algo muito curioso, a aeronave demonstra três tipos de assentos diferentes, sendo dois deles em configuração de Classe Econômica, e a primeira parte do avião demonstrando uma Classe Executiva para voos regionais, algo bastante presente em aeronaves que voam nos EUA e na Europa.

Como foi dito antes nesta matéria, é importante a Embraer demonstrar todas as formas de uso na mesma aeronave, e esse avião atende desde os clientes Low Costs, que querem um baixo custo operacional, até aqueles que buscam um uso em aviação regional.

Na imagem acima temos uma comparação entre dois assentos “padrão” do E195-E2 para a Classe Econômica.


O primeiro equipa os aviões da Azul Linhas Aéreas, que recentemente recebeu na sua frota a primeira aeronave deste modelo. Mas o modelo da Azul tem uma adaptação para o Sistema Individual de Entretenimento da Panasonic.

O segundo, da imagem abaixo, equipa a frota da Wideroe, que recebeu o primeiro E190-E2 em abril do ano passado.

A Wideroe foca em custo operacional, tanto que optou por uma configuração “apertada” no E190-E2 da sua frota, e assentos mais básicos como forma de economizar na manutenção e na compra dos assentos.

Também foi possível visualizar um pouco do projeto dos bagageiros superiores. A Embraer colocou malas de demonstração, dentro do limite permitido pelas companhias, para afirmar que cada compartimento consegue receber de 4 a 5 malas, melhorando o conforto para diversos passageiros que em tempos de bagagem cobrada, só viajam com sua mala de mão.

Diferente do voo da Azul, nesse a Embraer caprichou na demonstração da iluminação em LED, mais econômica e que disponibiliza milhões de cores para o interior da aeronave.

Essa aeronave de testes não conta com sistema de entretenimento individual, visto que a companhia aérea pode optar por cada fornecedor que existe no mercado. Além disso, muitas agora estão equipando seus aviões com wi-fi e tomadas USB, algo que o novo E2 é 100% compatível de fábrica, até mesmo com as maravilhosas tomadas 110V, que conseguem carregar notebooks e um smartphone através do carregador rápido, possibilitando carga total mesmo com uma hora de voo.

Detalhe para o Safety Card exclusivo do E195-E2 Profit Hunter.

Como sempre, decolar de Congonhas significa “potência máxima”, e desta vez não foi diferente para o E195-E2, que passou pela primeira vez nesse aeroporto da Capital Paulista.

A aeronave rapidamente subiu para um nível acima das nuvens, que cobriam toda a região metropolitana de São Paulo, e o litoral do mesmo estado. O voo aqui é tranquilo, com destaque para o baixo ruído do E195-E2, enormemente menor em comparação com a geração anterior.

 
 
 
 
 
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A nova aeronave da Embraer cresceu em tamanho, passando de aproximadamente 38,5m para 41,5m, e também na envergadura, que agora tem cerca de 35,1m. Impossível deixar de notar o refino na aerodinâmica da nova aeronave, mesmo no interior do avião, a nova asa foi totalmente reprojetada, assim como boa parte dos componentes externos da aeronave.

Ao redesenhar a asa a Embraer ganhou performance no E195-E2, que mesmo mais pesado em comparação com a geração anterior, tem a mesma capacidade de realizar pousos e decolagens em pistas curtas, como no Aeroporto Santos Dumont.

Algumas coisas mudaram, como o painel de controle das comissárias de bordo da aeronave, que agora é totalmente toque na tela. Esse painel está disponível tanto na galley dianteira como na traseira, e aponta até mesmo o assento onde o passageiro requer o serviço de uma comissária.

Depois de um voo acima do litoral paulista, retornamos para o Aeroporto de Congonhas, pousando normalmente no local e desembarcando logo em seguida.

Ao final a tripulação do voo sempre “baixa” os logs da aeronave em um dispositivo que tem no cockpit, essa é uma parte importante de cada voo dessa aeronave experimental, visto que a Embraer utiliza esses dados como parte do desenvolvimento do seu avião.

 

Possíveis clientes

Em novembro de 2018, o E190-E2 viajou por boa parte da China e completou com sucesso sua turnê de demonstração passando por 11 cidades (incluindo Ulaanbaatar, na Mongólia) em 20 dias. A aeronave retornou ao país em maio deste ano, voando de Xining para o Aeroporto Yushu Batang, que fica a uma altitude de 3.950 metros acima do nível do mar.

Em julho deste ano, logo após o Paris Airshow 2019, a Embraer iniciou uma turnê na Ásia-Pacífico com o E195-E2, o mesmo que voamos na última quarta-feira. Após a turnê na Europa, Ásia, Pacífico e com passagem até pelo evento MAKS 2019 na Rússia, a aeronave retornou ao Brasil, e foi apresentada à possíveis clientes na América Latina durante esse voo.

Cliente da América Latina interessado na aeronave, conferindo a tecnologia de voo do avião.

A Embraer continua na buscas por mais encomendas e clientes da nova geração dos E-Jets, e no Paris Airshow conseguiu uma excelente encomenda da KLM para 35 aviões E195-E2.

Recentemente outra companhia, a Belavia, declarou interesse em operar com aeronaves da Embraer, e várias outras, como a Amaszonas, iniciaram a operação de aviões da Embraer através da geração anterior.

“Eu espero que vamos acertar mais transações, tenho expectativa de que ocorram antes do final do ano”, afirmou Slattery em setembro. “Não vejo uma grande onda de empresas que precisem adiar ou queiram adiar por causa da transação da Boeing”, acrescentou o executivo.

 

Economia de combustível

Novos motores PW1900G.

Além desse acréscimo de assentos, o E195-E2 não cobra nada a mais em consumo para oferecer essa capacidade extra, ao contrário, ele proporciona uma economia de combustível na ordem de 15% comparando com a geração anterior e uma redução de custo de transporte por assento ainda maior, de até 26%, devido ao maior espaço interno.

O novo avião da Azul deverá começar a operar voos comerciais na companhia em outubro deste ano.

O E195-E2 apresenta novos motores de alto desempenho do modelo PW1900G, asas completamente novas, fly-by-wire completo e um novo trem de pouso. Em comparação com a primeira geração do E195, 75% dos sistemas da aeronave são novos.

 

Atualização do Cockpit

O cockpit do E2 apresenta avançada aviônica integrada Honeywell Primus Epic 2.

Juntamente com os controles fly-by-wire, os sistemas trabalham juntos para melhorar o desempenho da aeronave, diminuir a carga de trabalho do piloto e reforçar a segurança de voo. Note a presença do tradicional manche da Embraer, para padronizar os controles com a 1ª geração.

Console de rádio fica localizada atrás do piloto.

Os pilotos da primeira geração de E-Jets precisam de apenas 2,5 dias de treinamento e sem a necessidade de um simulador de voo completo para pilotar o E2, o que diminui a carga de treinamento e economiza tempo e dinheiro para as companhias aéreas. 

 

Certificação

Foto – Embraer/David Branco

Em abril, o E195-E2 recebeu certificação de tipo simultaneamente de três importantes autoridades reguladoras mundiais – a ANAC (Agência Brasileira de Aviação Civil), a FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) e a EASA (Agência Europeia de Segurança da Aviação).

Testes em voos confirmará que a aeronave ainda é melhor para usar o consumo on-line. O consumo de combustível é 1,4% menor do que o esperado, chegando a 25,4% de economia por uso registrado no E195 da primeira geração. Já os custos de manutenção são 20% menores e o E195-E2 é um avião mais ambientalmente amigável da categoria, operando com o

A Embraer utilizou dois protótipos da aeronave durante a campanha de certificação do E195-E2 – um para testes aerodinâmicos e de desempenho e outro para validar o interior e tarefas de manutenção.

 

Manutenção das aeronaves

A Embraer anunciou neste ano, na 53ª edição do Paris Air Show International, que assinou com a Azul Linhas Aéreas Brasileiras S.A. um contrato de longo prazo para um programa de suporte de peças reparáveis à nova frota da companhia aérea de jatos E195-E2, a segunda geração de aeronaves comerciais da família de E-Jets da Embraer.

O contrato com duração de vários anos inclui serviços de engenharia e manutenção avançada de peças a partir dos armazéns de componentes da Embraer em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA).

Com este novo contrato de suporte, a companhia aérea passa a ter cobertura para toda a sua frota de jatos Embraer.

Assim como o E190-E2, o E195-E2 também terá os intervalos de manutenção mais longos no mercado de aviões de corredor único, com 10 mil horas de voo para atividades básicas de manutenção e sem limite de calendário para utilizações típicas. Isso significa 15 dias a mais para utilização da aeronave em um período de dez anos, comparado à atual geração de E-Jets.

Entregas em 2019

A Azul deve receber até o fim de 2019 cerca de seis aviões E195-E2, e estes vão ajudar a companhia a atingir 55% da oferta de assentos através de aeronaves de nova geração, diminuindo os gastos da empresa com combustível.

 

Melhorias no desempenho do E195-E2

As metas de desempenho do E195-E2 deveriam ser semelhantes às do E195, mas com mais carga útil (adição de 12 passageiros). Os resultados, no entanto, mostram melhorias significativas em muitos aspectos, implementadas no processo de projeto da aeronave.

Alcance – A autonomia máxima é de 2600 milhas náuticas (4800 km) com carga total de passageiros, 600 milhas náuticas a mais que o E195.

Aeroportos Restritos – O E195-E2 poderá atender mais mercados que contam com aeroportos com restrições de operação. De Denver, o alcance da aeronave é de 900 milhas náuticas mais longo do que o do E195. Do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o ganho é mais de 500 milhas náuticas.

Comprimento da área de decolagem – No peso máximo de decolagem (MTOW), na sigla em inglês), o E195-E2 requer apenas 1800 metros, enquanto o E195 precisa de 2180 metros.