Embraer KC-390 REVO
KC-390 reabastecendo um par de caças-bombardeiros A-1 AMX. Foto: Claudio Capucho - Embraer.

O cargueiro tático KC-390 da Embraer está chamando a atenção de outros países por conta das recentes tensões geopolíticas, incluindo a invasão da Ucrânia pela Rússia. 

É o que observa o presidente-executivo da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider. Segundo o CEO, países da Europa e de outros lugares estão cada vez mais interessados ​​em substituir aeronaves de carga militar de décadas.

“Muitos países do mundo… percebem que seus sistemas de logística são muito antigos e precisam ser substituídos”, disse Schneider recentemente a repórteres. “Eles precisam substituir [esses sistemas] o mais rápido possível.”

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KC-390 Millennnium nas cores da Força Aérea da Hungria. Imagem: Embraer.
De acordo com o portal Flightglobal, Schneider acrescenta que a Embraer recentemente se engajou em campanhas de vendas “intensas” do C-390, inclusive com países que a empresa não tinha anteriormente como potenciais compradores.
 
De fato, essa campanha já havia sido mencionada anteriormente pelo Comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Tenente-Brigadeiro Baptista Jr. Durante uma reunião com jornalistas, Baptista Jr. afirmou que a Embraer estava usando um avião da própria FAB para apresentar e promover o KC-390 brasileiro no Oriente Médio.
 

Segundo informações obtidas pelo Portal Aeroflap, trata-se de um KC-390 do Esquadrão Gordo, a mais nova unidade da FAB a ser equipada com este jato. 

Isocontainer de oxigênio sendo carregado em um cargueiro KC-390. Foto: FAB/Divulgação.

Dentre os fatores citados por Schneider está, até mesmo, a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão em agosto de 2021. Esse evento fez com que parceiros dos EUA – principalmente os da Europa – a fazer o mesmo. A operação foi acompanhada de perto pelo mundo todo, um esforço que dependeu completamente de aeronaves, especialmente os cargueiros militares. 

“A retirada de tropas e refugiados do Afeganistão… chamou a atenção dos países europeus… que seus sistemas logísticos não estão atualizados”, diz Schneider.

Em fevereiro a Rússia invadiu a Ucrânia, dando início a uma guerra que passa dos 100 dias, sem qualquer “luz no fim do túnel”. Esse evento destacou ainda mais a necessidade dos países europeus de atualizar os ativos militares antigos. Schneider diz que a guerra no Velho Continente está aumentando significativamente os gastos militares ocidentais. 

Embraer KC-390 FAB
Linha de produção final do KC-390 nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto.

“O mundo não será o mesmo depois da guerra russo-ucraniana”, diz o executivo, afirmando ainda que a guerra “iniciou, ou reforçou, um forte interesse” no cargueiro C-390. Ele também diz que esses fatores são um bom presságio para vendas adicionais do turboélice A-29 Super Tucano da Embraer – especificamente, os exemplos usados ​​para treinamento de pilotos.

A Embraer não foi o único do player do setor de defesa a ver um crescimento de demanda após o início da guerra na Europa. Em meados de Abril, o presidente e CEO da Lockheed Jim Taiclet, afirmou que o conflito impulsionou o interesse de vários países em adquirir armas dissuasórias.

A Lockheed, que fabrica o caça stealth F-35 e os mísseis antitanque Javelin, também produz o cargueiro C-130 Hércules, um dos principais concorrentes do KC-390, especialmente em sua versão C-130J-30 Super Hercules. 

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KC-390 Millennium e KC-130 Hércules. Foto: Soldado A. Soares/FAB.

Schneider observa que a frota global de aeronaves militares de peso médio é de cerca de 1.500 aeronaves. Aqueles – muitos dos quais são variantes do C-130 – têm uma idade média de mais de 30 anos. “Esses aviões terão que ser substituídos”, concluiu.