Atualmente o mercado de aeronaves turboélice é praticamente dominado pela ATR, que está desde a década de 80 presente neste ramo.

Mas a empresa brasileira continua analisando seu retorno ao mercado de turboélices de aviação comercial. Retorno pois anteriormente a Embraer já produziu e vendeu aeronaves EMB110 Bandeirante e EMB120 Brasília.

A informação foi repassada pelo Vice-Presidente de Vendas da Embraer para a América Latina, Reinaldo Krugner, durante uma declaração no Fórum de Líderes de Companhias Aéreas da ALTA, que está acontecendo desde domingo em Brasília (DF) e encerra nesta terça-feira.

Ele também citou que só na América Latina há uma demanda por 290 novos aviões de 40 a 80 assentos, de propulsão à hélice, nos próximos 20 anos. Essa demanda pode até aumentar, se um produto inovador for apresentado.

A Embraer já tinha citado anteriormente os seus estudos para o mercado de turboélices regionais, citando a próxima década como essencial para formar a viabilidade da aeronave no mercado.

Em uma entrevista para o portal Aviation Week, em 2017, Paulo Cesar Silva, naquela época Presidente e CEO da Embraer, assumiu que a fabricante brasileira pode desenvolver uma aeronave à hélice para o mercado regional.

“Estamos olhando para o mercado asiático, europeu e a América Latina”, disse Paulo Cesar Silva. “Estamos tentando avaliar tudo isso, não só tamanho, mas desempenho, compartimento de carga e novas tecnologias. Ainda precisamos de muito mais tempo, não há um prazo específico, e não temos pressa.”


“Certamente não estamos lá hoje, mas é um mercado que continua me interessando, e também a minha equipe de liderança… há uma pesquisa muito significativa [acontecendo] em segundo plano”, disse John Slattery na coletiva desta segunda-feira.

Ele não forneceu mais detalhes sobre o tipo de produto, ou a quantidade de assentos da aeronave. Também não é possível saber se essa nova aeronave será inteiramente desenvolvida pela Embraer ou pela Boeing Brasil – Commercial, a nova empresa resultante entre a joint-venture com a norte-americana Boeing.

Slattery só forneceu um detalhe, a empresa está esperando mais estudos sobre propulsão híbrida (combustão-elétrica), que pode fornecer no futuro um novo patamar de desempenho aos aviões do tipo turboélice, isso praticamente paralisa a parte de engenharia de estudos da aeronave, mas não os de viabilidade do mercado.

Anteriormente Slattery disse que todos os engenheiros da companhia estarão disponíveis a partir de 2021, com o encerramento do programa de desenvolvimento do KC-390 e do E-Jet E2. A Embraer também tem várias aeronaves de “ficha limpa” no setor executivo, como os jatos Phenom e a família Legacy 450/500, não precisando desenvolver novas aeronaves a partir do zero para atender esse mercado.