Boeing 777X da Emirates na linha de produção.

Tim Clark, presidente da Emirates, fez uma dura declaração nos últimos dias, alertando a Boeing e Airbus que resolvam em parceria com a GE e a Rolls-Royce os problemas nos motores das suas novas aeronaves.

Apesar de ter a primeira unidade já fabricada (foto acima), a Emirates adiou a entrada do Boeing 777-9X na sua frota, visto que a certificação da aeronave deve atrasar, de acordo com Clark.

Ele disse que o 777-9 deveria voar originalmente em outubro de 2018, e que a primeira aeronave seria entregue à Emirates em junho de 2020, com até nove entregas no mesmo ano. “Tudo isso foi adiado”, acrescenta Clark.

Motor GE9X está passando por uma correção de componentes durante o programa de desenvolvimento, para aumentar a durabilidade. Foto – GE Aviation

“Vamos supor que a Boeing tenha um programa de certificação de 13 a 16 meses – e insistiremos, dado o que está acontecendo por lá, que o programa de certificação é tão exaustivo e abrangente quanto necessário, pois o 777X tem uma nova estrutura, uma nova asa e novos motores. Isso significa que não podemos ter certeza de quando os aviões serão adquiridos”, disse Tim Clark.

Clark enfatizou que a Emirates está “muito interessada” em receber seus 777-9X, mas só colocará a aeronave na sua frota quando estiver satisfeita e confiante, com a motorização e o produto.

Essa mesma preocupação de Tim Clark foi replicada para os motores do A330neo e A350. A companhia também adiou o recebimento dessas aeronaves, visto que está “preocupada com a capacidade dos motores de atender requisitos de desempenho específicos.”

“Estávamos prontos e dispostos a concluir esse contrato meses atrás. Mas temos algumas preocupações de que [a Rolls-Royce] não esteja em posição de nos dar motores de acordo com as regras do jogo”, disse Clark sobre o A330neo e o A350, ambos equipados com motores Rolls-Royce.


Boeing 787-10 tem opção de motores GEnx, além dos Rolls-Royce.  Foto – Boeing/Reprodução

Clark também distribuiu críticas ao motor Rolls-Royce Trent 1000, do Boeing 787, e ressaltou que não há pressa em negociar um acordo final para encomendar o 787-10.

“Não há estabilidade no programa Rolls-Royce Trent 1000 no momento, como vemos, e até que tenhamos garantias definitivas de que os motores serão adequados para a atividade da companhia desde o primeiro dia, não estamos preparados para assumir esses compromissos”, disse Clark.

A companhia aérea do Oriente Médio é cliente de lançamento do 777X com pedidos para 150 aeronaves e mantém um intenção de compra com a Boeing para 40 aviões 787-9 e -10.

A Emirates também tem um acordo pendente com a Airbus com intenções de compra de 40 aviões A330neo e 30 da família A350XWB, eles foram derivados de conversão de pedidos para o A380.

 

Via – FlightGlobal e Reuters

 

Matéria produzida em colaboração de Pedro Viana com Anne Flores – Equipe Aeroflap.