Uma recente foto do fotógrafo Jean Luc Bonnard mostra dois aviões do modelo A380, fabricados pela Airbus, sendo desmontados no Aeroporto de Tarbes-Lourdes Pirinéus, na França.

Esses aviões fazem parte das cinco aeronaves retiradas da frota pela Singapore Airlines, e pertencentes à empresa de leasing Dr. Peters. Exceto pela Hi-Fly, que alugou uma aeronave, os outros aviões não encontraram clientes no mercado de usados, e estão sendo desmontados para a revenda de peças.

Nas fotos é possível ver as aeronave sem os motores, e alguns componentes estruturais, como o leme, localizado no estabilizador vertical, uma das aeronaves está sem portas e o radome do nariz, assim como o radar também foi retirado.

Um avião é mantido ainda em regime de completa estocagem, e pode ser direcionado para a Hi-Fly, que já opera com um A380 da Dr. Peters e ex-Singapore. A companhia portuguesa de voos charter ainda está em processo de decisão, sobre incorporar uma segunda aeronave deste modelo em sua frota.

Airbus A380 no local de estocagem. Foto – Tacmac Aerosave

A Tarmac Aerosave estima que 92% do peso de um A380 pode ser reciclado. Mesmo vendendo quase toda a aeronave, o investimento da Dr. Peters no A380 foi recompensado no final, com retorno de lucro para a empresa.

A Dr. Peters costumava receber US$ 1,7 milhão por mês pelo aluguel do A380, os motores da Rolls-Royce foram comprados cada um por US$ 480.000, mas a estocagem custa US$ 94.000 por mês, um valor bem elevado. Os motores continuarão alugados, rendendo US$ 480 mil por mês, no final de 2020 a parte de propulsão será vendida.

A venda dos componentes deverá gerar US$ 45 milhões por avião, bem abaixo do valor de mercado da aeronave, na faixa de US$ 220 milhões.

Os custos com a aeronave também são altos, Mike Cazaz, CEO da Component Solutions Group, disse que uma reforma completa no interior do A380 custa por volta de US$ 30 a 40 milhões, sem contabilizar a manutenção de um aeronave usada e o serviço de pintura. Todos esses pontos dificultam a adaptação de um A380 de outra companhia em uma nova empresa.

 

Etapas de desmontagem

Em uma primeira etapa da desmontagem, os fluidos potencialmente remanescentes na aeronave são drenados.

Então os trabalhadores começam a desparafusar todas as partes móveis. Janelas, assentos, peças de chassi, flaps – tudo que ainda pode ser vendido.

Na segunda etapa, todas as peças são limpas, verificadas quanto à sua funcionalidade e, em seguida, registradas, embaladas e armazenadas.

Na terceira etapa, a Tarmac Aerosave começa a desmontar a fuselagem por meio de EDM. Uma parte do material é descartada, outra pode ser reutilizada. Isso inclui o alumínio, que retorna ao ciclo econômico.