A Airbus fechou no último dia 1º de julho a transação para a sua participação majoritária de 50,01% na C Series Aircraft Limited Partnership, conhecido também como o Programa do CSeries.

Desse modo a Bombardier e a Investissement Québec possuem aproximadamente 34% e 16%, respectivamente, após essa transação ser finalizada.

No site da empresa as aeronaves da Bombardier (CS100 e CS300) já constam no catálogo de produtos da Airbus (Clique Aqui para ver). Fica em suspense se a fabricante europeia vai anunciar em breve uma nova nomenclatura para os jatos, como estipulado anteriormente.

A matriz da CSALP, a linha de montagem primária e as funções relacionadas são baseadas em Mirabel, no Québec. A Airbus espera inaugurar uma linha de montagem final do CSeries até 2020, mirando uma maior participação no mercado dos Estados Unidos e de países aliados.

CS300 em testes. Foto – Bombardier

Essa aquisição também permite que a Airbus participe do mercado de jatos regionais, de 100 a 150 assentos, visto que os dois aviões da família CSeries, o CS100 e o CS300, têm exatamente essa faixa de assentos.

Além disso a Airbus ainda terá dois aviões de nova geração com capacidade para até 150 passageiros, o CS300 e o A319neo. Ao mesmo tempo ela concorrerá com os aviões da Embraer, que hoje detêm uma boa fatia do mercado de aviões regionais no mundo.

A Boeing não tem nenhum avião capaz de concorrer diretamente com a linha regional CSeries da Bombardier.

 

Devido ao fechamento antecipado da parceria, os termos deste plano são atualizados de acordo com o seguinte cronograma:

A Bombardier financiará as deficiências de caixa da CSALP, se necessário, durante o segundo semestre de 2018, até um máximo de US$225 milhões; durante 2019, até um máximo de US$350 milhões; e até um valor agregado máximo de US$350 milhões nos dois anos seguintes, em consideração às ações participantes sem direito a voto da CSALP com dividendos acumulados anuais de 2%.

Qualquer excesso de déficit durante esses períodos será compartilhado proporcionalmente entre os acionistas da Classe A da CSALP.

O Conselho de Administração do programa CSALP consistirá inicialmente em sete diretores, quatro dos quais serão propostos pela Airbus, dois dos quais serão propostos pela Bombardier e um proposto pelo QI. A Airbus terá o direito de nomear o presidente do CSALP, além de ter ampla maioria na votação de qualquer requisito administrativo.

O programa da C Series continua a aumentar. Depois de entregar 17 aeronaves em 2017, está preparando-se para dobrar suas entregas em 2018.

 

Disputa na OMC

A disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o Canadá, agora também envolve a União Europeia, devido ao repasse das ações do CSALP para a Airbus.

Esse processo esta sendo realizado pelo Brasil, com apoio da Embraer, devido aos subsídios fornecidos à Bombardier e que afeta o mercado de aviões regionais da fabricante brasileira.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Brasil, a Bombardier recebeu US$ 3 bilhões em subsídios federais, provinciais e locais, todos realizados por alguma parte do governo canadense, o fato se agrava ainda mais pois a família CSeries concorre diretamente com os E-Jets E2, fabricados pela Embraer.

Os subsídios garantiram o desenvolvimento do CSeries, mesmo com a crise financeira que a Bombardier passou nos últimos anos. 

Somente em 2016, foram aportados recursos públicos da ordem de US$ 2,5 bilhões à fabricante canadense. Esses recursos serviram muito bem para colocar o CSeries em serviço, depois de anos de atrasos no desenvolvimento da aeronave.

Vale lembrar que em Maio deste ano a Airbus foi penalizada pela OMC por receber US$ 22 bilhões de subsídios da União Europeia ao longo de vários anos, causando uma concorrência desleal com a Boeing.

Os EUA também entraram com um processo contra a Bombardier, por causa dos subsídios ilegais citados pelo Governo Brasileiro.