A equipe do Portal Aeroflap realizou ontem (20/03) uma entrevista com o presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, sobre o atual momento da aviação em todos os países.

Na entrevista John Rodgerson destacou que a companhia aérea precisa de mais capital [de giro], além de apoio do governo aos tripulantes da companhia, e também sobre a retomada do mercado após a crise passar.

 

Confira a entrevista abaixo:

  1. Como a Azul está enfrentando essa inesperada crise na demanda por viagens?

R: Estamos ajustando a nossa oferta e devemos reduzir entre 60% e 70% nossos voos em abril, podendo estender a maio. Suspendemos o atendimento de 47 cidades que tinham dois ou menos voos ao dia. Também estamos atacando nossos custos. Reduzimos o salário do comitê executivo em 50%, estamos oferecendo licença não remunerada aos Tripulantes e suspendemos a entrega de novas aeronaves. Mas só isso não é o suficiente. Foi anunciado um primeiro pacote de medidas de socorro ao setor, mas o que precisamos é de linhas de crédito para passar por esse momento difícil.

 

  1. A companhia consegue superar alguns meses com essa baixa demanda?

R: Se tivermos acesso a capital de giro em condições adequadas, conforme prometido pelo Governo Federal, podemos sim superar esse período. Não se trata de pedir nada a fundo perdido, mas um empréstimo para passar esse período grave, que possamos repagar depois quando voltarmos à normalidade e a gerar caixa.

 

  1. Atualmente quantos aviões da companhia estão fora de operação por baixa demanda?

R: Temos mais da metade de nossa frota no chão. A demanda não está vindo e, por isso, estamos reduzindo nossa capacidade até que a situação se normalize.

 

4. Vocês planejam fazer serviços adicionais, como manutenções e atualizações, nesse período de menor uso da frota?


R: Estamos fazendo de acordo com o cronograma pré-definido de manutenção.

 

5. O novo pacote de incentivos do governo para a aviação nesse período foi positivo?

R: Quero agradecer o apoio do ministro Tarcísio que tem sido muito importante para nós. É um bom começo, mas precisamos de medidas mais contundentes para garantir a sobrevivência do setor. Fomos feitos para voar, e isso não está acontecendo. Precisamos de capital agora, para dar conta de nossos custos fixos, já que não temos receita; precisamos que o governo ajude nossos tripulantes em licença não remunerada a sacar parte do FGTS para passarem esse período, além de outras medidas para estimular uma retomada rápida da economia quando a crise arrefecer.

6. Qual a opinião do senhor sobre quanto tempo o setor aéreo precisará para retomar o crescimento?

R: Levaremos o resto do ano para nos recompor. Esperamos uma retomada da demanda rápida após o ápice da crise, mas precisaremos de um tempo para reorganizar nossas finanças e voltar a fazer investimentos.

 

7. Quais as medidas tomadas pela Azul sobre seus funcionários nesse atual cenário de crise?

R: Como falamos, reduzimos pela metade o salário do comitê executivo e estamos oferecendo a licença remunerada para todos os Tripulantes.

 

8. As empresas do setor de combustível para aviação estão falando em reduzir a demanda, o senhor espera um aumento no combustível para aviação?

R: O preço do combustível segue as flutuações do mercado mundial e é difícil prever o que vai acontecer nesse momento. Porém, parece difícil um aumento de demanda que cause incremento de preços, com essa crise instalada globalmente.

 

9. As empresas de ground handling estão apreensivas com essa crise no setor de aviação, o que o senhor poderia dizer para eles?

R: O momento é de solidariedade. Todos precisamos tomar decisões difíceis que tem algum grau de sofrimento, para passarmos pelos próximos meses e podermos fazer uma retomada rápida quando possível. Nós estarem aqui quando isso tudo acabar e continuaremos clientes das empresas de handling.

O pior que pode acontecer ao país e se fechar um aeroporto importante, impedindo serviços essenciais para lidar com a epidemia e para retomada da economia o mais rápido possível.

 

10. A Azul voltará mais forte após essa crise temporária?

R: Nós entramos nessa crise como a empresa aérea mais rentável do Brasil e posso dizer que vamos conseguir superar essa fase ainda mais fortes. Ela vai passar, tem que passar, e quanto mais rápido será melhor para todos. Neste momento o que precisamos é cuidar de nossos Clientes, Tripulantes, seguir as recomendações das autoridades de saúde pra vencer esse vírus e voltar à normalidade da vida. Tenho visto uma união incrível entre nossos tripulantes, lutando pela empresa, cuidando de nossos clientes e agradeço o empenho de cada um em fazer o seu melhor para que saiamos disso mais ágeis, mais focados, e servindo cada vez mais brasileiros.

 

 

Agradecemos, em nome de toda equipe da Aeroflap, ao John Rodgerson, presidente da Azul Linhas Aéreas, e à equipe de Marketing e Imprensa da Azul, pela assistência na entrevista.

Entrevista produzida por Pedro Viana e Rodrigo Rott.

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