A KLM celebrará seu centésimo aniversário em pouco mais de um mês — no dia 7 de outubro, o que significa que ela é, oficialmente, a companhia aérea mais antiga do mundo ainda operando sob seu nome original.
 
Nessa série comemorativa, são muitos os colaboradores da KLM que podem conduzir as pessoas a um passeio pela rica história da companhia. O que exatamente mudou nas últimas décadas? Mas também, o que resistiu ao passar do tempo? Vamos começar com a trajetória de Rob Duivis, que trabalha como gerente de frota na parte de manutenção de motores na KLM Engineering & Maintenance.

 
“Minha carreira na KLM começou quase 44 anos atrás. Nosso aniversário de 100 anos apresenta uma oportunidade única de olhar para o futuro, mas também de refletir sobre o passado. Como um presente especial aos apaixonados por aviação, e também por ser o ponto de partida mais lógico, eu gostaria de começar com…

 

A evolução da frota da KLM
 
Existe uma grande diferença entre nossa frota como é hoje e como era naquela época, não apenas em quantidade, mas também pelo tamanho das aeronaves.
 
Até 1975, a frota da KLM consistia em apenas 56 aeronaves, em comparação com as 212 que operamos hoje. Nossa mais recente adição, o Boeing 787-10 Dreamliner, aterrissou no aeroporto Schiphol de Amsterdã em junho de 2019.
 
Em 1975, o Douglas DC-10 podia acomodar 269 passageiros. A aeronave tinha 55,5 metros de comprimento, pesava 240.000 kg na decolagem e tinha um alcance máximo de 10.600 quilômetros. Nosso mais novo Boeing 787-10 tem 344 assentos, mede 68,3 metros, pesa 254.100 kg na decolagem e tem um alcance máximo de 12.000 quilômetros.
 
 
 
 
Motores
Muita coisa mudou quando falamos de motores desde os anos 1980. Uma grande variedade de inovações tecnológicas nos proporcionou motores mais confiáveis, mais econômicos e mais silenciosos.
 
O sistema de abastecimento, por exemplo, foi transformado de um processo hidromecânico complexo em um sistema cada vez mais controlado digitalmente. Com a chegada do Boeing 777 e seus motores GE-90, vimos um salto no uso de compósitos (mistura de elementos ou diferentes partes para criar um novo tipo de material), garantindo redução de peso e ruído em combinação com maior rendimento e confiabilidade.

 
Nas últimas décadas, vimos inovações tecnológicas e digitais em rápida progressão. Um ótimo exemplo é o controle do motor no cockpit do Boeing 787, que agora é feito por um sistema eletrônico, e antes era usado um emaranhado de cabos.
 
O novo sistema não é apenas mais confiável, mas também mais leve e, portanto, mais ecológico. Sistemas como esse podem reduzir o peso de um avião em centenas e até milhares de quilos.
 
 
 
Confiança e segurança
Enquanto discutimos a confiança e segurança, em 1975, o tempo médio de uso de um motor até uma próxima manutenção era 2.000 horas. Atualmente, temos motores que acumulam 30.000 horas até uma próxima avaliação mais profunda das equipes especializadas.
 
Aqui está outro exemplo: quando entrei na KLM, vibrações, consumo de combustível, temperatura e velocidades eram registradas e lidas usando cartões de papel. Atualmente, monitoramos e gerenciamos digitalmente o status de nossa frota operacional.
 
Sistemas complexos transmitem constantemente os dados aos servidores da KLM, para que os especialistas em engenharia possam oferecer conselhos de manutenção personalizados após cada voo.
 
 
Robôs
Também estamos usando cada vez mais robôs para tarefas complexas, porém padronizadas, como medir discos de turbinas e verificar e aplicar revestimentos. Os robôs garantem que esse processo possa continuar dia e noite, com quase 100% de precisão.
 
Níveis de precisão semelhantes são alcançados com nossos óculos de realidade virtual, que oferecem uma simulação 3D quase perfeita das circunstâncias dentro de um avião, um motor ou um componente. Isso é incrivelmente útil quando se trata de treinamento.

 
Também utilizamos impressoras 3D para criar itens de manutenção, como grampos, parafusos, tampas e suportes. A partir de 7 de outubro de 2019, esses itens que já são projetados em três dimensões, passarão a ser impressos usando nosso próprio material reciclado.
 
Esse filamento, que é basicamente a tinta da impressora 3D, é feito com resíduos de garrafas PET usadas durante nossos voos. Isso significa que não é apenas uma inovação altamente sustentável, mas também reduz custos e melhora a eficiência do processo.
 
Existem muitos outros exemplos de desenvolvimento que a KLM desenvolveu nas últimas décadas. Isso me fez nunca ficar entediado nesses 44 anos que estou na KLM. Mas isso não me surpreende, pois experimento inovação tecnológica tão perto de mim todos os dias”

Rob Duivis
A KLM assinou essa semana um contrato de € 500.000 com a startup holandesa Air Innovations, que está desenvolvendo um software que utiliza inteligência artificial para a inspeção de motores de aeronaves.
 
A manutenção de motores depende muito de habilidades humanas. Os técnicos inspecionam todos os componentes, registrando manualmente todos os danos e dando recomendações para reparo. A Air Innovations está desenvolvendo um software que os técnicos podem usar para detectar rachaduras, amassados e outros danos durante as inspeções por boroscópio.
O software, um sistema de detecção de auto aprendizado, aumenta a produtividade e economiza tempo na inspeção, permitindo que o técnico se concentre na avaliação de danos.