Visão de um Hawk da equipe Red Arrows de um F-35 e um F-22 Raptor da USAF- Foto: RAF

Após algumas especulações com base em fontes, o Pentágono divulgou ontem (28) detalhes do seu próximo orçamento fiscal de 2023, basicamente a solicitação realizada para o Governo Federal, que deve ser aprovada antes do final do ano.

Além dos adicionais para auxílio de defesa à Ucrânia, a Força Aérea dos Estados Unidos também incorporou uma alteração para gerenciamento de frota, esperando aposentar cerca de 150 aviões ao longo de dois anos.

Entre os destaques para o orçamento do ano fiscal de 2023 está a desativação de 32 caças Lockheed Martin F-22A. A curiosa aposentadoria de um caça tão avançado é devido estes pertencerem a uma versão não atualizada, a Block 20, sendo que a atualização dessas aeronaves poderia custar alguns milhões de dólares.

F-22 Raptor
Estados Unidos ainda planejam aposentar todos seus caças F-22 Raptor em uma década.

Desta forma, os militares dos EUA preferem direcionar o gasto para atualizar caças F-22 de versões mais recentes, e para desenvolver um novo caça avançado dos EUA, o NGAD, e as plataformas sem tripulantes da 6ª geração. O desenvolvimento do NGAD pode consumir US$ 1,7 bilhão do orçamento somente em 2023.

Com a aposentadoria, a frota de caças F-22 Raptor deve diminuir de 186 aeronaves para cerca de 153.

O planejamento também pode diminuir a quantidade de caças F-35 adquiridos para uso próprio em 33 unidades, para receber apenas 61 aviões deste modelo em 2022.

A diminuição das entregas de caças F-35 não é por limitação de orçamento, que aumentou em US$ 31 bilhões na comparação com os gastos previstos para 2022, é simplesmente devido aos militares esperarem o lançamento de uma versão mais avançada do F-35. A Block 4 ainda não foi disponibilizada pela Lockheed Martin, e o Pentágono quer receber novos aviões deste modelo, diminuindo as entregas para receber somente o necessário por agora.

A versão Block 4, no entanto, só estará disponível em 2029 e contará com os novos motores adaptativos da GE.

 

F-16 começa a sair de cena, e F-15 retorna aos tempos de glória

USAF testes A-10 F-16 F-15
A formação única juntou aeronaves A-10C, F-16C, F-15C, F-15E e F-15EX em uso pelo 40º Esquadrão de Testes da USA. Foto: Tech. Sgt. John Raven/USAF

Ainda abordando sobre o orçamento de 2023, o F-16 vive um momento duplo na Força Aérea dos EUA. Alguns caças estão sendo atualizados para versões mais modernas, como a própria Block 70, contudo, outros estão simplesmente sendo aposentados, como 26 caças F-16C/D Viper que serão retirados de uso.

Ao contrário das atualizações, que estão sendo realizadas, o F-16 não tem nenhuma solicitação de entrega para 2023. No mesmo caminho segue o A-10, que está sendo atualizado, mas deverá ter 21 unidades sendo retiradas da frota em 2023, diminuindo o número de aviões ativos para 260.

Desenvolvido originalmente nos anos 70, o F-16 é o caça de Quarta Geração mais produzido até o momento, com mais de 4600 unidades fabricadas e pelo menos 2267 em operação no mundo.

O pequeno jato serve à 26 nações e vem sendo atualizado constantemente. Sua última variante, F-16V “Viper” Block 70/72 incorpora múltiplos upgrades nos sensores, aviônicos e suíte de guerra eletrônica. 

Do outro lado, a USAF planeja seguir os planos traçados no Governo Donald Trump de comprar caças da versão atualizada do F-15. Ao todo serão 24 unidades do F-15EX Eagle II compradas com o orçamento de 2023.

 F-15EX. Foto: U.S. Air Force photo/Samuel King Jr.

Todas as compras de caças F-15EX serão utilizadas para substituir os caças F-15C/D até 2026, sendo que 67 aeronaves deste último modelo mais antigo serão aposentadas no ano fiscal de 2023.

Pelo menos 75% da frota de F-15C/D está voando além da sua vida operacional planejada, com 10% dos caças groundeados por problemas de integridade estrutural. 

Um dos equipamentos de destaque do novo F-15EX é o Advanced Display Core Processor II, o mais rápido computador já usado por um caça, capaz de processar 87 bilhões de instruções por segundo. Seu principal sensor é o radar AESA AN/APG-82(V)1, o mesmo que será usado nos F-15E Strike Eagles modernizados. 

Piloto de F-15EX usando o capacete Joint Helmet Mounted Cueing Systems (JHMCS) com display integrado. Foto: Samuel King Jr./USAF.

A suíte de guerra eletrônica Eagle Passive/Active Warning and Survivability System (EPAWSS), desenvolvida pela BAE Systems, também é destaque. O equipamento é totalmente integrado, com uso de sensores de aproximação de mísseis e alertar de radar, além de uma maior carga de chaffs e flares, contramedidas para mísseis guiados por radar e calor, respectivamente. 

Todos os F-15EX receberão o sistema que aumenta a consciência situacional dos tripulantes e a capacidade de sobrevivência da aeronave, ao passo que os Strike Eagles, mais antigos, ainda o receberão.

No cockpit os dois tripulantes encontram uma tela única, sensível ao toque de 16×9 polegadas, similar às encontradas no Gripen E/F e F-35 Lightning II. 

 

Com informações de The Drive.