KC-46 F-15 IAF
Projeção artística de um KC-46 reabastecendo um F-15, ambos nas cores da IAF.

O Governo dos Estados Unidos rejeitou o pedido de Israel para antecipar a entrega de dois reabastecedores KC-46 Pegasus. A aeronave é vista como um meio estrategicamente fundamental para um possível ataque de Israel contra o Irã, que vem se fortalecendo em sua empreitada nuclear.

Ainda em outubro, Tel-Aviv pediu que os EUA acelerassem a entrega de quatro dos oito KC-46A adquiridos. A venda das aeronaves de reabastecimento em voo (REVO), avaliada em em US$ 2.4 bilhões, foi aprovada pelo Departamento de Estado dos EUA. Os primeiros deveriam ser entregues até 2023, mas Israel queria antecipar esse número, recebendo pelo menos duas aeronaves no início de 2022. 

No entanto, as aeronaves teriam que vir da linha de produção destinada à Força Aérea dos EUA, que por si só já está atrasada por conta de problemas com o controle de qualidade da Boeing. O último capítulo desta série de problemas enfrentados pelo avião de REVO foi uma tampa de plástico que foi encontrada no tanque de combustível durante um voo de entrega, trazendo riscos à operação do jato.

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Um KC-135 em primeiro plano, enquanto um KC-10 Extender reabastece um protótipo do KC-46. Foto: Christopher Okula/USAF.

Além disso, a Boeing terá que reprojetar o Remote Vision System (RVS), sistema que permite aos operadores da lança reabastecer outras aeronaves em voo. Nas aeronaves anteriores (KC-10 e KC-135), o operador fica em uma estação especial na traseira da aeronave. No KC-46, esta visão é substituída pelas câmeras do complexo sistema RVS, que é um sistema híbrido 2D/3D que exige que os operadores usem óculos especiais. 

Segundo o The War Zone, a USAF não espera que os problemas sejam adequadamente resolvidos até algum momento entre 2023 e 2024. Até lá, essas aeronaves continuarão a ter uma capacidade, na melhor das hipóteses, limitada para realizar sua missão principal de reabastecimento aéreo.

Isso significa que mesmo que Israel conseguisse acelerar o cronograma para a entrega de seu primeiro KC-46A, a utilidade operacional real desses aviões ainda poderia ser limitada até 2024.

Isso é importante porque o principal motivador por trás do desejo do governo israelense conseguir esses reabastecedores mais cedo é supostamente a necessidade de melhorar a capacidade de reabastecimento aéreo para apoiar ataques potenciais ao Irã, o que seria uma operação complexa e de alto risco. 

KC-707 IAF
KC-707, adquirido pela IAF em 1996. Esta aeronave fez seu primeiro voo em 1975. Foto: Alan Wilson via Wikimedia (CC BY-SA 2.0)

No momento, a Força Aérea Israelense (IAF) opera cerca de sete aeronaves KC-707 Re’em, operados pelo 120th Squadron ‘Desert Giants’, com sede na Base Aérea de Nevatim. O KC-46, se seus vários problemas puderem ser totalmente resolvidos, ofereceria a Israel um avião-tanque muito mais moderno e capaz, capaz de, entre outras coisas, transportar mais combustível do que essas aeronaves mais antigas.

“Enquanto eles ainda voam, a nova frota de tanques KC-46 daria a Israel muito mais alcance e capacidade, porque pode reabastecer jatos e bombardeiros e também receber combustível durante o voo”, de acordo com o The New York Times“A capacidade de reabastecimento é crítica – caso contrário, os aviões israelenses teriam que depender dos velhos KC-707 ou aterrissar nos Emirados Árabes Unidos ou na Arábia Saudita. Ambos os países são rivais do Irã, mas nenhum deles quer ser implicado na assistência a um ataque.”

Falando a repórteres nos EUA, o ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, disse que Os militares receberam ordens de “se prepararem para o desafio iraniano no nível operacional.” Gantz também falou que “há espaço para pressão internacional – política, econômica e também militar – para convencer o Irã a parar com suas fantasias sobre um programa nuclear.”

KC-46 F-15 IAF

No momento, Israel parece estar interessado em pelo menos manter a opção de algum tipo de ação militar aberta como um impedimento para o Irã buscar armas nucleares. Sempre existe a possibilidade de que isso envolva ataques aéreos ou outras operações destinadas a alcançar objetivos mais indiretos, como eliminar figuras-chave do regime em Teerã.

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