F-35 A USAF Mont-de-Marsan.
Caças F-35 taxiando na base aérea francesa de Mont-de-Marsan. Foto: Staff Sgt. Alexander Cook/USAF.

Após atrasos e relatos de que o negócio bilionário poderia cair por terra, o Secretário de Estado dos EUA disse que o país está pronto para seguir adiante com a venda de 50 caças stealth F-35 para os Emirados Árabes Unidos.

“No que diz respeito aos Emirados Árabes Unidos, aos F-35 e aos drones, continuamos preparados para seguir em frente com ambos, se for isso que os Emirados estão interessados ​​em fazer”, disse o Secretário Antony Blinken durante uma visita ao Ministério das Relações Exteriores da Malásia em Kuala Lumpur nesta quarta-feira (15).

Além dos caças F-35A de 5ª Geração, o Departamento de Estado aprovou o fornecimento de até 18 aviões não-tripulados MQ-9B Reaper. A compra de Abu Dhabi é avaliada em US$ 23.4 bilhões, mas impasses com Washington podem fazer com que tudo vá por água abaixo. 

MQ-9 B Reaper
Drone MQ-9B Reaper

Os EUA recentemente expressaram preocupação com a crescente influência e presença da China nos Emirados, em particular a adoção de uma rede de celular 5G desenvolvida pela Huawei, que acredita-se que poderia criar uma ameaça de segurança cibernética para o F-35.

Particularmente, o governo dos Emirados Árabes considera que os requisitos de segurança exigidos pelos Estados Unidos são inaceitáveis. As salvaguardas destinam-se especificamente a impedir que tecnologias e recursos militares sensíveis caiam nas mãos dos chineses.

Os EUA também acreditavam que a China estava secretamente construindo uma instalação militar dentro de um porto comercial no emirado. Abu Dhabi aparentemente não estava ciente do esforço e as obras no porto foram interrompidas.

O portal Flightglobal observa que vender o F-35 para os Emirados Árabes Unidos é complicado porque os EUA se comprometeram a garantir que Israel tenha vantagem militar sobre seus vizinhos. Israel tem planos de adquirir até 50 exemplares do F-35.

F-35 I Adir IAF
F-35I Adir da Força Aérea Israelense. Foto: IAF – Divulgação.

“Queríamos ter certeza, por exemplo, de que nosso compromisso com a vantagem militar qualitativa de Israel fosse garantido, então queríamos ter certeza de que poderíamos fazer uma revisão completa de todas as tecnologias que são vendidas ou transferidas para outros parceiros na região, incluindo os Emirados Árabes Unidos”, diz Blinken. “Continuamos preparados para seguir em frente se os Emirados Árabes Unidos continuarem a querer seguir esses dois sistemas”.

Especulou-se que os EUA poderiam colocar restrições ao uso do F-35A pelos Emirados Árabes Unidos e vender ao país uma versão menos capaz do jato. Os Emirados Árabes Unidos seriam o primeiro país de maioria muçulmana a possuir o caça stealth. Seria também a primeira não-democracia.

No final das contas, Israel e os EUA parecem hesitantes, mas não totalmente contra a venda do F-35 aos Emirados Árabes Unidos. Washington quer manter o país em sua órbita – especialmente enquanto a China tenta cortejar a nação – e Israel se beneficiaria por ter um parceiro mais bem armado para enfrentar o Irã.

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