Depois com o acidente da Southwest que infelizmente deixou uma passageira morta, a FAA, uma agência que regulamenta a segurança da aviação nos EUA, vai solicitar a revisão de alguns motores CFM56-7B.

A inspeção desses motores será divulgada nas próximas semanas através de uma diretriz de aeronavegabilidade, o foco será na análise através de equipamentos de ultrassom das pás do fan frontal do motor.

A tecnologia de análise ultrassônica pode verificar, em um componente metálico, a presença de microfissuras internas, que podem progredir durante o voo para uma rachadura maior e consequentemente na ruptura da pá, gerando acidentes como o voo 1380 da Southwest.

Essa determinação vem baseada em uma análise preliminar do National Transportation Safety Board (NTSB), o órgão responsável por investigar esses tipos de acidentes e incidentes. No caso do voo 1380 da Southwest houve uma ruptura da pá nº 13 do fan frontal, no total o motor CFM56-7B tem 24 pás no fan frontal, todas feitas em uma liga de titânio especial.

A ruptura foi próxima do cubo do disco, onde faz a ligação da pá com o eixo do motor, de acordo com os investigadores, na peça restante havia presença de rachaduras por fadiga.

Devido à força cinética de um motor turbofan ser bastante alta, a única pá fraturada resultou em extensos danos na carenagem do motor, afetando também a fuselagem, uma janela, que resultou na morte e também na despressurização, e danificou seriamente o bordo de ataque da asa em que o motor estava instalado.

O investigador chefe do NTSB, Robert Sumwalt, ainda diz que o órgão está trabalhando com a FAA para determinar uma condição de uso dos motores CFM56 atuais, que está entre os motores de avião mais utilizados no mundo, e com extenso histórico de confiabilidade. Não há dúvidas que esse pode ter sido um evento isolado, igual ao de 2016, e o trabalho seria em cima da probabilidade de falha, visto que a Southwest tem mais de 700 aviões com esses motores na sua frota.

“Eu vou dizer que o motor CFM56 é muito utilizado e tem um ótimo histórico, de modo geral”, disse Robert.

Um trabalho extra da FAA pode não ser necessário devido à uma recomendação da CFM Internacional, a fabricante dos motores CFM56, emitida em junho de 2017, com melhores instruções para a inspeção das pás do fan frontal. A FAA também interviu para solicitar que essa inspeção fosse realizada a cada 6 meses, em motores com mais de 15000 ciclos, no caso da Southwest esse motor tinha 40000 ciclos.

Uma nova recomendação da CFM foi lançada ontem, 20 de abril, para solicitando que todos os operadores dos motores CFM56-7B realizem uma inspeção das pás do fan frontal com equipamento ultrassônico em até 20 dias, há uma lista de prioridade, citando os motores com mais de 30000 ciclos como “revisão urgente”, entrando na regra dos 20 dias.

Motor CFM56-7 instalado em um Boeing 737 NG.

Na mesma nota da CFM, motores com mais de 20000 ciclos deverão ser revisados até o final de agosto. Uma outra recomendação pede que as companhias façam a inspeção a cada 3000 ciclos, para esses motores com mais de 20000 ciclos, isso equivale a dois anos de uso, em média.

A EASA, órgão que regulamenta a segurança da aviação na Europa, também vai solicitar a inspeção desses motores, mesmo os que ainda não têm 30000 ciclos.

Cerca de 681 motores em todo o mundo estão na lista dos afetados, dos quais 150 já foram inspecionados, disse a CFM. Cerca de 352 motores seriam afetados nos EUA, de acordo com a FAA. A inspeção ultrassônica dura cerca de quatro horas por motor, e pode ser realizada durante o período diário de inatividade do avião.

Já a companhia disse que espera revisar em até 30 dias todos os motores solicitados pela FAA, e que vai trabalhar para acelerar ainda mais esse serviço.

 

DEIXE UMA RESPOSTA