Foto: Sargento Bianca Viol/FAB.

Em entrevista à jornalista Andrea Jubé do Valor Econômico, o Comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Jr., falou sobre a recente notícia de revisão do contrato de 28 unidades do KC-390, a atuação do modelo e da FAB na pandemia, a criação da NAV Brasil e o Programa Gripen.

Perguntado se o contrato do novo caça da FAB também sofreria ajustes, o Brigadeiro Baptista respondeu que o primeiro lote de 36 aeronaves já foi adquirido e que existe uma expectativa de receber entre 60 e 70 unidades. Ele também reconheceu que apenas 36 aeronaves é um número baixo para um país do tamanho do Brasil. 

“Compramos o primeiro lote, mas nossa expectativa e que seja algo em torno de 60 ou 70 aeronaves. Esse contrato contempla 36. Em breve, estará na hora de começarmos a falar de um segundo lote. Com um país do tamanho do Brasil, não dá para se falar em apenas 36 aviões de caça.”

Gripen F-39 na unidade da Embraer em Gavião Peixoto. Foto: Claudio Capucho.

Ele também afirmou que a Embraer aceitou a renegociação do KC-390. Entre 13 e 16 aeronaves deverão ser adquiridas, já que restrições orçamentárias impostas pelo combate à pandemia não permitem o financiamento das 28 aeronaves planejadas originalmente. Segundo Baptista, uma equipe da FAB e uma da própria Embraer “vão renegociar as condições contratuais pelos próximos três meses.”

A FAB dispõe de quatro unidades do KC-390 em serviço com o Esquadrão Zeus, sediados na Ala 2 (Base Aérea de Anápolis). As aeronaves tiveram grande atuação na ponta aéreo de apoio a Manaus, transportando cilindros de oxigênio gasoso e diversos materiais de saúde.

No meio da operação, as aeronaves receberam adaptações para transportar os cilindros de oxigênio em estado líquido, que o Brigadeiro diz ser “960 vezes mais eficiente”  que o gasoso, apesar de exigir cilindros maiores e de alta pressão.

“Ainda não havíamos concluído toda a certificação do KC-390. Existe a válvula de alívio da pressão e havia conexões, para isso que não estavam prontas. Com o apoio da Embraer, a gente fez isso de uma quinta-feira para sábado, e o KC-390 entrou na operação.”

Tanques de oxigênio líquido sendo carregados no KC-390 da FAB. Foto: FAB/Divulgação.

Falando sobre as limitações orçamentárias que afetam não só a Aeronáutica, mas os três braços das Forças Armadas como um todo, o Brigadeiro Baptista disse que em 2021 a FAB só dispõe de “50% dos recursos para pagar o financiamento do KC-390 e do Gripen.”

KC-390 reabastecendo um par de caças-bombardeiros A-1 AMX. Foto: Claudio Capucho – Embraer.

“Levamos 20 anos para decidir que o caça brasileiro seria o Gripen”, diz o oficial. Desenvolvido pela sueca Saab, o JAS-39E/F Gripen, designado F-39E/F na FAB, é um caça de 4.5 Geração, equipado com eletrônicos do estado da arte, com destaque para o painel sensível ao toque desenvolvido no Brasil pela AEL Sistemas de Porto Alegre (RS).

O instrumento aumenta a agilidade e consciência situacional do piloto e também foi selecionado para equipar os Gripens da Força Aérea Sueca. Outro equipamento de origem nacional que será integrado ao novo caça da FAB é o IFFM4BR, um equipamento eletrônico desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço.

Trata-se de um instrumento chamado IFF (Identification Friend or Foe), um criptocoumptador que, através de interrogações eletrônicas com códigos criptografados, identifica aeronaves e outros veículos em combate como sendo amigos ou inimigos.

O equipamento é essencial para evitar o fratricídio (fogo amigo), especialmente nos dias atuais, onde o combate aéreo se baseia principalmente na arena BVR (Beyond Visual Range), ou seja, além do alcance visual, sem que o piloto possa identificar o alvo com os próprios olhos. 

Capitão Rondon, do Projeto IFFM4BR, no simulador do Gripen. Foto: IAE/Divulgação.

O primeiro Gripen da FAB, matrícula 4100, voou em 2019 e chegou ao país em 20 de setembro do ano passado. A aeronave veio da Suécia em um navio mercante, chegando ao Porto de Navegantes (SC). Dias depois alçou voo para a sede da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, onde encontra-se atualmente, engajado no programa de desenvolvimento do modelo. 

Baptista diz que os quatro primeiros aviões operacionais chegarão ao Brasil entre o final deste ano e o início do ano que vem. Os jatos serão operados no 1º Grupo de Defesa Aérea, o Esquadrão Jaguar, unidade da Aviação de Caça que também como sede a Ala 2. 

“O primeiro protótipo chegou no ano passado. A previsão de entrega dos quatro primeiros da série (de 36) é no fim do ano, começo do ano que vem. Mas depois que a aeronave fica pronta existe o processo de recebimento, o treinamento dos pilotos de prova. Mas já temos os recursos para isso.”

Gripen E com o Cristo Redentor. Foto: Sgt. Bianca Viol/FAB.