Em 2016 um Boeing MD-10F da FedEx, uma aeronave baseada no McDonnell Douglas DC-10, registrou um incidente durante um pouso no Aeroporto Fort Lauderdale, com o colapso do trem de pouso principal.

Desde então o avião que tinha na época 44 anos de fabricação passou por uma inspeção geral, com finalidade de apontar as causas do incidente. Toda a investigação do caso foi conduzida pela National Transportation Safety Board, e publicada no último dia 23.

 

Causas

De acordo com o órgão, o MD-10 teve o colapso do trem de pouso como resultado de fissuras estruturais no trem de pouso principal. Quando o componente foi colocando em um regime de estresse estrutural, como no caso de um pouso, o rompimento foi feito, como resultado da fragilidade adicional da peça.

O órgão ainda continuou no relatório apontando que um sistema de engrenagens do trem de pouso, composto por 16 cilindros, não apresentava uma camada protetora de cádmio, que era necessária para o componente.

A rachadura estava “entre a superfície do diâmetro interno do cilindro e a superfície interna da válvula de enchimento de ar”, acrescenta o relatório. Isso aponta que notavelmente era um problema na parte superior do trem de pouso.

O equipamento foi submetido pela última vez a uma revisão em fevereiro de 2008, quando os técnicos aplicaram o revestimento de cádmio no cilindro da engrenagem, um tratamento que pode prevenir a fissuração por fadiga, disse o NTSB.

Esse revestimento estava presente em todas as engrenagens citadas, menos em uma, a que iniciou a fissura que levou ao colapso do trem de pouso. Provavelmente o revestimento saiu com o tempo da peça, já que o registro de manutenção aponta a aplicação em todos os locais requisitados.

 

Alterações na manutenção

Esses dois pontos alteraram significativamente a manutenção do MD-10, válido para as várias unidades cargueiras que ainda estão em uso atualmente.

De acordo com o NTSB, a Boeing recomenda que o trem de pouso seja inspecionado a cada 8 anos, isso inclui também uma avaliação desses cilindros e engrenagens de acionamento já citados, e uma análise por raio-x, para descobrir trincas e microtrincas.

A Fed Ex disse que está prezando por cautela e agora alterou o cronograma de inspeção do trem de pouso, provavelmente fazendo a manutenção em um espaço de tempo menor, o que previne um desgaste não planejado do componente.

Ao mesmo tempo a companhia aproveitou para ressaltar que a manutenção do MD-10, na época, estava sendo realizada de acordo com o prazo sugerido no manual.

Porém o NTSB disse que os procedimentos da FedEx falam sobre revisões a cada nove anos ou 30.000 ciclos, disse o NTSB. Mas a Boeing apontava que o trem de pouso seja reformado dentro de oito anos ou 7500 ciclos de voo.

Vale ressaltar que os procedimentos de revisão e manutenção do DC-10 mudaram ao longo dos anos, para algo alinhado com a filosofia MSG-3 que foca na manutenção preventiva, muitas vezes com trocas de peças longe do limite de segurança para diminuir a probabilidade de acidentes. Isso realmente contribuiu muito para diminuir o número de acidentes por falha mecânica nos últimos 20 anos.

O órgão terminou dizendo que o incidente poderia ter sido evitado, caso a aeronave fosse revisada no início de 2016.

 

Observação: Atualmente o DC-10 é chamado de Boeing MD-10 devido à compra da McDonnell Douglas pela Boeing, na década de 90, e também pela aeronave ter aviônica do MD-11.

 

Com informações de – FlightGlobal