f-5 EUA fuzileiros
Caça F-5N Tiger II do esquadrão VMFT-401 Snipers. Foto: Lance Cpl. Ashley Phillips/USMC.

A partir de 2023 o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC) terá mais um esquadrão de caças F-5 Tiger II. A unidade deverá receber até 10 aeronaves modernizadas nos próximos anos. 

Conforme o Plano de Aviação do USMC, publicado nesta semana, o futuro Esquadrão de Treinamento de Caças dos Fuzileiros 402 (VMFT-402) será ativado no ano fiscal de 2023 na Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais de Beaufort, Carolina do Sul. É previsto que o esquadrão esteja apto para voar a partir de 2024. 

Este será o segundo esquadrão de caças F-5 do USMC: desde 1986 o VMFT-401 Snipers opera 12 unidades (11 F-5N e um F-5F) do modelo de quase 50 anos, a partir da Estação Aérea de Yuma, no Arizona.

Nos EUA o F-5 ainda segue em operação como uma aeronave aggressor/adversary, ou seja, representando o inimigo em treinamentos de combate aéreo. A aeronave é usada pela Marinha, Fuzileiros e companhias privadas que prestam serviços às forças armadas. 

De acordo com a Seapower Magazine, o VMFT-402 será uma unidade da reserva, assim como o VMFT-401 mais antigo. Inicialmente o esquadrão vai operar com apenas três F-5N+, mas deverá receber um total de oito caças F-5N+ e dois F-5F+. 

Para equipar o novo esquadrão, o Corpo de Fuzileiros adquiriu 11 aeronaves F-5 da Força Aérea Suíça, por meio do Comando de Sistemas Aéreos Navais (NAVAIR). 

Estes F-5, assim como as aeronaves que já estão em serviço, estão passando por um processo de modernização, visando um aumento de suas capacidades e vida útil. A frota está sendo atualizada com cockpits digitais a uma taxa de duas ou três aeronaves por ano. O NAVAIR planeja integrar o Tactical Combat Training System – Increment II (TCTS II) para “permitir que aplicações sintéticas de adversários diminuam a lacuna prevista no treinamento adversário”. 

Caças F-5N do USMC. Foto: Paul Bradley via Wikimedia (CC BY-SA 4.0).

A previsão é de que os F-5 atualizados sejam entregues aos Fuzileiros durante um período de quatro anos, a partir do quarto trimestre de 2023.  

“Servindo como um ativo de treinamento para todo o MAGTF (Marine Air-Ground Task Force), bem como para a força conjunta, o F-5 viu os requisitos de adversários crescerem significativamente nos últimos 13 anos”, aponta o plano do USMC.

Esta afirmação, vem, em grande parte, dos requisitos de treinamento de pilotos, oriundos dos esquadrões de recompletamento de frota VMFA-501 e VMFA-502, que formam os novos pilotos de F-35.

“Espera-se que os requisitos anuais de adversários da frota também aumentem para esquadrões em transição, de 12.000 missões ar-ar no [ano fiscal 2022] para 17.000 missões por ano, a fim de atender aos requisitos T2.0 no [ano fiscal 2025].” 

O plano dos Fuzileiros diz que “a capacidade adversária é o maior problema no treinamento ar-ar do Corpo de Fuzileiros Navais, seguido de perto pela disponibilidade e modernização do alcance e recursos do simulador de treinamento.”

F-5 aggressor EUA Marinha
Caças F-5N do esquadrão VFC-13 Saints. Foto: Jerry Gunner.

“O VMFT-401 pode fornecer até 3.300 missões por ano, restringidas pela utilização da aeronave e pelo número de F-5 atribuídos. Combinando requisitos A/A [ar-ar] para treinamento de frota, produção dos FRS [esquadrão de substituição de frota] e suporte de escola de armas (TOPGUN), o USMC cria um requisito de adversários de quase 15.000 missões em 2022. Dessa forma, o USMC possui uma lacuna de mais de 11.000 surtidas. A aviação está procurando opções para fechar essa lacuna.” 

O problema não atinge apenas os Fuzileiros. A Marinha e a Força Aérea já tem contratos com serviços comerciais privados, os chamados Red Air, que voam aeronaves ex-militares para atender esta necessidade, mesmo mantendo seus próprios esquadrões aggressor. 

No entanto, o Plano de Aviação do USMC diz que “os serviços aéreos comerciais não podem satisfazer todos os requisitos de adversários. O futuro está em várias soluções que incluem o uso eficiente da frota de F-5, explorando oportunidades de treinamento de baixo custo, incorporando capacidade real, virtual, construtiva e serviços aéreos comerciais para aumentar os requisitos.”