GOL deve receber em breve proposta de financiamento do BNDES

GOL
Aeronaves da GOL na área remota do Aeroporto de Congonhas.

Após meses de promessas do BNDES, no último domingo divulgamos que a Azul recebeu uma proposta do BNDESPAR, para um financiamento de R$ 2 bilhões prometido pelo Governo Federal.

No entanto, uma outra companhia pode receber nos próximos dias uma proposta do BNDES. A GOL Linhas Aéreas também está no aguardo de receber uma oferta pública de um instrumento financeiro híbrido, para um financiamento de até R$ 2 bilhões.

Anteriormente o BNDES disse que o acordo seria igual para todas as companhias aéreas, sendo que a aprovação depende das próprias empresas. Isso garante a igualdade de condições para as três empresas dividirem um montante de R$ 6 bilhões igualmente.

Por este motivo o empréstimo atrasou, visto que no meio das negociações a LATAM Brasil entrou em Recuperação Judicial, mudando também os requisitos para a aérea, devido às regras do Chapter 11.

De acordo com informações do jornal Estado de S. Paulo, o empréstimo deverá ser concedido por bancos privados, com garantia de pagamento pelo BNDES, sendo que este último é responsável por formular os acordos e as regras.

 

Como foi os moldes da Azul?

A proposta enviada para a Azul prevê uma oferta pública de um instrumento financeiro híbrido com objetivo de captar no mínimo R$ 2 bilhões, que consiste numa combinação de:

    1. Debêntures simples;
    2. Bônus de subscrição, cujos valores serão determinados através do processo de bookbuilding da oferta.

Prevê também que a BNDESPAR seja o investidor âncora podendo subscrever até 60% da oferta enquanto os Bancos prestarão garantia firme de até 10% da mesma. O valor remanescente deverá ser captado junto a outros investidores através da oferta pública.


A companhia estima que a emissão do bônus de subscrição resultará em uma potencial diluição de aproximadamente 15% baseado no preço de fechamento da ação da Azul na última sexta-feira (que foi de R$ 26,58).

A proposta da GOL não deve diferir muito da enviada para a Azul, com diferença para o valor de fechamento das ações GOLL4, a depender do dia a ser divulgado na nota do BNDES.

 

A companhia vai pegar o “empréstimo”?

O presidente da Azul, John Rodgerson, disse em entrevistas nas últimas semanas que a proposta será avaliada pela companhia, porém, a mesma pode não aceitar durante a avaliação do conselho de acionistas. 

O fato da Azul não aceitar a “ajuda” estatal é devido ao período de excelente recuperação da demanda que a empresa está enfrentando, o mesmo ocorre na GOL.

A GOL também deve colocar a proposta do BNDES para a avaliação do conselho da companhia, e pode tanto aceitar como recusar a proposta. 

Em nota aos investidores lançada em setembro a GOL detalhou que tem R$ 2,1 bilhões em liquidez, e queima cerca de 6 milhões de reais por dia para manter as suas operações.

De acordo com a GOL, as vendas de agosto geraram uma receita de R$ 500 milhões. As pesquisas por passagens aéreas registraram alta de 28% no mesmo mês. Só em receita bruta a alta foi de 15% no mês de agosto, em relação a julho.

A GOL ainda ressaltou que não tem dívidas com vencimento antes de 2024, o que permite um fôlego extra na recuperação. 

Com o caixa atual e mantendo a queima de caixa, algo difícil de ocorrer com o aumento de voos e da demanda, a GOL conseguiria suportar operar voos por um ano. Ao mesmo tempo a companhia pode tentar evitar uma dívida ainda maior para o seu futuro.

Não deixa de ser uma decisão difícil para a companhia.

 

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